Detran assume falha na fiscalização do uso de cinto de segurança no embarque de passageiros


Detran assume falha na fiscalização do uso de cinto de segurança no embarque de passageiros

O uso do equipamento diminui a possibilidade de morte em até 75%; mesmo assim, poucas pessoas utilizam o cinto

Por Roberta Tavares em Cotidiano

20 de maio de 2014 às 08:19

Há 6 anos
Acidente deixou pelo menos 18 mortos (FOTO: Canindé Notícias)

Acidente deixou pelo menos 18 mortos (FOTO: Canindé Notícias)

O grave acidente envolvendo um ônibus, no município de Canindé, que deixou pelo menos 18 mortos, coloca em discussão, mais uma vez, a importância do uso de cinto de segurança em transportes coletivos. Conforme dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), o cinto reduz em até 40% o registro de mortes em acidentes envolvendo ônibus.

O coletivo que fazia a linha Boa Viagem/Fortaleza transportava 46 pessoas. Entretanto, conforme o supervisor de fiscalização do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), Alfredo Martins, não há fiscalização do uso de cinto de segurança nos ônibus que passam pela rodoviária na capital. “No Terminal Rodoviário a gente não cobra muito isso. Aqui essa cobrança não tem tanta importância”, admite Martins.

Segundo disse, como os ônibus convencionais possuem 46 assentos (sem incluir os do motorista e do funcionário), fica inviável a fiscalização do uso do cinto de segurança em cada poltrona de cada coletivo. “A abordagem deveria ser feita na estrada. Se tivesse uma fiscalização antes da chegada em Canindé, por exemplo, talvez as mortes do acidente tivessem sido evitadas”, afirma.

“O maior beneficiário do uso do cinto de segurança é o próprio passageiro. No acidente de domingo, um passageiro sobrevivente mostrou, na prática, a importância do uso. Ele disse que a sogra e a namorada dele foram arremessadas para fora do ônibus, porque estavam sem cinto. Ele estava usando e não teve nenhum ferimento grave”, acrescenta.

 De acordo com a ANTT, o uso do equipamento diminui a possibilidade de morte em até 75%. A utilização, além de evitar que o passageiro colida a cabeça no banco da frente ou nas divisórias do veículo, impede que a pessoa seja lançada dentro ou mesmo fora do ônibus. Apesar de saber a importância, poucos passageiros afivelam o cinto durante a viagem terrestre. Atitude contrária ao que acontece no transporte aéreo, onde o brasileiro já possui a cultura de, enquanto estiver sentado na poltrona do avião, manter o cinto afivelado.

Alexandre Soares dos Santos, que perdeu o ônibus por se atrasar cinco minutos, nunca foi orientado pela empresa do coletivo a utilizar o cinto de segurança. “Faço essa viagem há quatro anos e oito meses e, em todas as viagens que fiz, nunca usei o cinto de segurança, e a empresa nunca exigiu. Nem cobrador, nem motorista”, diz.

Imagem enviada pela empresa para comprovar a orientação do uso do cinto (FOTO: Divulgação/Princesa dos Inhamuns)

Imagem enviada pela empresa para comprovar a orientação do uso do cinto (FOTO: Divulgação/Princesa dos Inhamuns)

Como resposta, a empresa Princesa dos Inhamuns informou ao Tribuna do Ceará que em todas as poltronas há sinalização individual da obrigatoriedade do uso do cinto de segurança.

Balanço

No último domingo (18), o ônibus da empresa Princesa dos Inhamuns tombou após tentar desviar de uma motocicleta, no quilômetro 303 da BR-020. Vítimas com fraturas expostas, traumas abdominais e traumatismo craniano deram entrada no Instituto Dr. José Frota (IJF), na capital cearenses. Vinte e uma pessoas ficaram feridas e outras 18 morreram.

O balanço oficial da Polícia Rodoviária Federal no Ceará (PRF/CE) aponta 18 mortos. Do total, 10 foram encaminhados para o Instituto Médico Legal (IML) de Canindé e já foram liberados após o reconhecimento dos corpos. O IML de Canindé não autorizou a divulgação dos nomes, mas afirmou que são sete mulheres e três homens. Desfigurados, oito corpos foram encaminhados para o IML de Fortaleza. Na manhã desta segunda-feira (19), somente um corpo ainda não havia sido identificado.

Prazo

O Código de Trânsito Brasileiro exige o uso do cinto. Uma resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contram) estabeleceu um prazo de 15 anos, a contar de janeiro de 1999, para que as empresas se adaptassem. O prazo acabou, e as empresas que não disponibilizarem em seus ônibus o equipamento serão autuadas em infração grave, além de pagarem multa de R$ 127.

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Detran assume falha na fiscalização do uso de cinto de segurança no embarque de passageiros

O uso do equipamento diminui a possibilidade de morte em até 75%; mesmo assim, poucas pessoas utilizam o cinto

Por Roberta Tavares em Cotidiano

20 de maio de 2014 às 08:19

Há 6 anos
Acidente deixou pelo menos 18 mortos (FOTO: Canindé Notícias)

Acidente deixou pelo menos 18 mortos (FOTO: Canindé Notícias)

O grave acidente envolvendo um ônibus, no município de Canindé, que deixou pelo menos 18 mortos, coloca em discussão, mais uma vez, a importância do uso de cinto de segurança em transportes coletivos. Conforme dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), o cinto reduz em até 40% o registro de mortes em acidentes envolvendo ônibus.

O coletivo que fazia a linha Boa Viagem/Fortaleza transportava 46 pessoas. Entretanto, conforme o supervisor de fiscalização do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), Alfredo Martins, não há fiscalização do uso de cinto de segurança nos ônibus que passam pela rodoviária na capital. “No Terminal Rodoviário a gente não cobra muito isso. Aqui essa cobrança não tem tanta importância”, admite Martins.

Segundo disse, como os ônibus convencionais possuem 46 assentos (sem incluir os do motorista e do funcionário), fica inviável a fiscalização do uso do cinto de segurança em cada poltrona de cada coletivo. “A abordagem deveria ser feita na estrada. Se tivesse uma fiscalização antes da chegada em Canindé, por exemplo, talvez as mortes do acidente tivessem sido evitadas”, afirma.

“O maior beneficiário do uso do cinto de segurança é o próprio passageiro. No acidente de domingo, um passageiro sobrevivente mostrou, na prática, a importância do uso. Ele disse que a sogra e a namorada dele foram arremessadas para fora do ônibus, porque estavam sem cinto. Ele estava usando e não teve nenhum ferimento grave”, acrescenta.

 De acordo com a ANTT, o uso do equipamento diminui a possibilidade de morte em até 75%. A utilização, além de evitar que o passageiro colida a cabeça no banco da frente ou nas divisórias do veículo, impede que a pessoa seja lançada dentro ou mesmo fora do ônibus. Apesar de saber a importância, poucos passageiros afivelam o cinto durante a viagem terrestre. Atitude contrária ao que acontece no transporte aéreo, onde o brasileiro já possui a cultura de, enquanto estiver sentado na poltrona do avião, manter o cinto afivelado.

Alexandre Soares dos Santos, que perdeu o ônibus por se atrasar cinco minutos, nunca foi orientado pela empresa do coletivo a utilizar o cinto de segurança. “Faço essa viagem há quatro anos e oito meses e, em todas as viagens que fiz, nunca usei o cinto de segurança, e a empresa nunca exigiu. Nem cobrador, nem motorista”, diz.

Imagem enviada pela empresa para comprovar a orientação do uso do cinto (FOTO: Divulgação/Princesa dos Inhamuns)

Imagem enviada pela empresa para comprovar a orientação do uso do cinto (FOTO: Divulgação/Princesa dos Inhamuns)

Como resposta, a empresa Princesa dos Inhamuns informou ao Tribuna do Ceará que em todas as poltronas há sinalização individual da obrigatoriedade do uso do cinto de segurança.

Balanço

No último domingo (18), o ônibus da empresa Princesa dos Inhamuns tombou após tentar desviar de uma motocicleta, no quilômetro 303 da BR-020. Vítimas com fraturas expostas, traumas abdominais e traumatismo craniano deram entrada no Instituto Dr. José Frota (IJF), na capital cearenses. Vinte e uma pessoas ficaram feridas e outras 18 morreram.

O balanço oficial da Polícia Rodoviária Federal no Ceará (PRF/CE) aponta 18 mortos. Do total, 10 foram encaminhados para o Instituto Médico Legal (IML) de Canindé e já foram liberados após o reconhecimento dos corpos. O IML de Canindé não autorizou a divulgação dos nomes, mas afirmou que são sete mulheres e três homens. Desfigurados, oito corpos foram encaminhados para o IML de Fortaleza. Na manhã desta segunda-feira (19), somente um corpo ainda não havia sido identificado.

Prazo

O Código de Trânsito Brasileiro exige o uso do cinto. Uma resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contram) estabeleceu um prazo de 15 anos, a contar de janeiro de 1999, para que as empresas se adaptassem. O prazo acabou, e as empresas que não disponibilizarem em seus ônibus o equipamento serão autuadas em infração grave, além de pagarem multa de R$ 127.