Em 7 anos, governo de Cid Gomes gastou com poços, cisternas e carros-pipa quase o mesmo valor investido no futuro aquário


Em 7 anos, governo gastou com poços, cisternas e carros-pipa quase o mesmo que com aquário

Enquanto já foram pagos cerca de R$ 342 milhões com poços e carros-pipa no combate à seca, a previsão de investimento em futuro aquário é de R$ 300 milhões

Por Tribuna do Ceará em Cotidiano

3 de outubro de 2014 às 13:00

Há 6 anos
Deputados consideram que Estado tem pouca participação no combate à seca (FOTO: Flickr/Creative Commons/Otávio Nogueira)

Deputados consideram que Estado tem pouca participação no combate à seca (FOTO: Flickr/Creative Commons/Otávio Nogueira)

Problema recorrente e intensificado nos últimos dois anos, a convivência com a seca no Ceará está longe de ser resolvida. Comissão Especial da Seca da Assembleia Legislativa constatou que a participação do Estado no combate à seca é muito pequena. Bem diferente do que o interesse em outras áreas como o turismo, onde um futuro equipamento, o Acquário Ceará, paradoxalmente custará praticamente o mesmo valor de tudo o que foi gasto nos últimos sete anos com poços, cisternas e carros-pipa.

A comissão concluiu que é necessário maior investimento em perfuração de poços com dessalinizadores, atendimento de carro-pipa e construção de adutoras. Quanto às cisternas, não há urgência, já que o material serve para acumular água pluvial. O problema é que chove abaixo da média nos últimos três anos.

De junho a dezembro de 2013, o governo aumentou os investimentos, mas ainda não é o suficiente, sinaliza a comissão. O Governo Federal também investe nos programas de convivência com a seca. O número de carros pipas subiu de 756, atendendo 102 municípios, para 970, com 109 cidades. “Apesar do aumento da frota de carros-pipa, a operação ainda não atende à demanda”, consta no relatório da comissão especial.

Durante o mesmo período, 346 poços foram recuperados e instalados em 18 municípios na primeira fase. Na segunda, 249 dos 415 foram recuperados. O total de poços perfurados foi de 290, mas a demanda correspondia a 150 por mês. Porém, a Casa considerou que houve uma demora na execução das ações.

Com relação às adutoras, a Comissão observou que todas as sedes municipais com maior criticidade em relação ao risco de colapso já foram atendidas.

Mesmo com o atestado de pouca participação, o governo orçou, desde 2007, R$ 462 milhões em convênios e contratos para cisternas e pagou R$ 291 milhões. Com poços, o valor orçado foi de R$ 74 milhões, sendo pagos R$ 51,5 milhões.

Cid Gomes prometeu construir um aquário para atrair turistas de todo o mundo (FOTO: Divulgação)

Cid Gomes prometeu construir um aquário para atrair turistas de todo o mundo (FOTO: Divulgação)

Já com os carros-pipas, há apenas convênio e não contrato. O orçamento é de cerca de R$ 6,6 milhões, mas o total pago foi de R$ 3,6 milhões. No total, já foram pagos cerca de R$ 342 milhões.

Crítica

Uma das principais críticas em relação ao problema da seca é a criação do Acquário em Fortaleza. Obra do governo cearense, o contrato saiu por quase R$ 300 milhões. O argumento é de que o gasto com o ponto turístico é alto e utiliza um grande volume de água, enquanto apenas oito municípios não decretaram situação de emergência por causa da estiagem.

O Governo desconsidera a validade da comparação entre os gastos com o equipamento e com poços, carros-pipa e cisternas, já que outros investimentos na convivência com a seca somaram R$ 3 bilhões durante a sua gestão.

Dentre eles, destaque para a construção do Eixão das Águas, canal de 256 km que liga o açude Castanhão a Fortaleza, inaugurado em março desde ano, ao custo de R$ 1,5 bilhão. Além disso, também está em execução o Cinturão das Águas, uma rede de canais que tornarão os rios do estado perenes o ano inteiro, com uso de água da transposição do rio São Francisco. Já foi gasto R$ 1,5 bilhão, e para conclusão da obra, prevista para daqui a 10 anos, será necessária a obtenção de mais R$ 2 bilhões.

“Essas obras garantiram segurança hídrica de Fortaleza por 30 anos, o que São Paulo não tem. E com a conclusão delas irão acabar com o problema da falta d’água no Ceará”, destaca Cid Gomes.

 

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Em 7 anos, governo gastou com poços, cisternas e carros-pipa quase o mesmo que com aquário

Enquanto já foram pagos cerca de R$ 342 milhões com poços e carros-pipa no combate à seca, a previsão de investimento em futuro aquário é de R$ 300 milhões

Por Tribuna do Ceará em Cotidiano

3 de outubro de 2014 às 13:00

Há 6 anos
Deputados consideram que Estado tem pouca participação no combate à seca (FOTO: Flickr/Creative Commons/Otávio Nogueira)

Deputados consideram que Estado tem pouca participação no combate à seca (FOTO: Flickr/Creative Commons/Otávio Nogueira)

Problema recorrente e intensificado nos últimos dois anos, a convivência com a seca no Ceará está longe de ser resolvida. Comissão Especial da Seca da Assembleia Legislativa constatou que a participação do Estado no combate à seca é muito pequena. Bem diferente do que o interesse em outras áreas como o turismo, onde um futuro equipamento, o Acquário Ceará, paradoxalmente custará praticamente o mesmo valor de tudo o que foi gasto nos últimos sete anos com poços, cisternas e carros-pipa.

A comissão concluiu que é necessário maior investimento em perfuração de poços com dessalinizadores, atendimento de carro-pipa e construção de adutoras. Quanto às cisternas, não há urgência, já que o material serve para acumular água pluvial. O problema é que chove abaixo da média nos últimos três anos.

De junho a dezembro de 2013, o governo aumentou os investimentos, mas ainda não é o suficiente, sinaliza a comissão. O Governo Federal também investe nos programas de convivência com a seca. O número de carros pipas subiu de 756, atendendo 102 municípios, para 970, com 109 cidades. “Apesar do aumento da frota de carros-pipa, a operação ainda não atende à demanda”, consta no relatório da comissão especial.

Durante o mesmo período, 346 poços foram recuperados e instalados em 18 municípios na primeira fase. Na segunda, 249 dos 415 foram recuperados. O total de poços perfurados foi de 290, mas a demanda correspondia a 150 por mês. Porém, a Casa considerou que houve uma demora na execução das ações.

Com relação às adutoras, a Comissão observou que todas as sedes municipais com maior criticidade em relação ao risco de colapso já foram atendidas.

Mesmo com o atestado de pouca participação, o governo orçou, desde 2007, R$ 462 milhões em convênios e contratos para cisternas e pagou R$ 291 milhões. Com poços, o valor orçado foi de R$ 74 milhões, sendo pagos R$ 51,5 milhões.

Cid Gomes prometeu construir um aquário para atrair turistas de todo o mundo (FOTO: Divulgação)

Cid Gomes prometeu construir um aquário para atrair turistas de todo o mundo (FOTO: Divulgação)

Já com os carros-pipas, há apenas convênio e não contrato. O orçamento é de cerca de R$ 6,6 milhões, mas o total pago foi de R$ 3,6 milhões. No total, já foram pagos cerca de R$ 342 milhões.

Crítica

Uma das principais críticas em relação ao problema da seca é a criação do Acquário em Fortaleza. Obra do governo cearense, o contrato saiu por quase R$ 300 milhões. O argumento é de que o gasto com o ponto turístico é alto e utiliza um grande volume de água, enquanto apenas oito municípios não decretaram situação de emergência por causa da estiagem.

O Governo desconsidera a validade da comparação entre os gastos com o equipamento e com poços, carros-pipa e cisternas, já que outros investimentos na convivência com a seca somaram R$ 3 bilhões durante a sua gestão.

Dentre eles, destaque para a construção do Eixão das Águas, canal de 256 km que liga o açude Castanhão a Fortaleza, inaugurado em março desde ano, ao custo de R$ 1,5 bilhão. Além disso, também está em execução o Cinturão das Águas, uma rede de canais que tornarão os rios do estado perenes o ano inteiro, com uso de água da transposição do rio São Francisco. Já foi gasto R$ 1,5 bilhão, e para conclusão da obra, prevista para daqui a 10 anos, será necessária a obtenção de mais R$ 2 bilhões.

“Essas obras garantiram segurança hídrica de Fortaleza por 30 anos, o que São Paulo não tem. E com a conclusão delas irão acabar com o problema da falta d’água no Ceará”, destaca Cid Gomes.