Entenda processo de doação de leite até chegar aos bebês da UTI

"CAMINHO DO LEITE"

Entenda processo de doação de leite até chegar aos bebês da UTI da Maternidade Escola

Depois de chegar ao Banco de Leite Humano da Maternidade Escola Assis Chateaubriand, o leite passa por análise clínica, pasteurização e testes para verificação de calorias. Só depois disso, é liberado para as unidades neonatais

Por Vitória Barbosa em Cotidiano

9 de dezembro de 2019 às 07:00

Há 2 meses
Alguns bebês da UTI Neonatal são alimentados com 1 milímetro de leite, por isso não existe quantidade mínima para doação (FOTO: Divulgação)

Alguns bebês da UTI Neonatal são alimentados com 1 mL de leite, por isso não existe quantidade mínima para doação (FOTO: Divulgação)

No dia 11 de julho deste ano, Pedro nasceu. Larissa Sampaio, no entanto, conta que desde 30 de outubro de 2018 já havia se tornado mãe. A data marca a descoberta da gravidez da médica. Mesmo com todo amor que sente pelo filho, Larissa vivenciou uma grande batalha em busca da amamentação. “Doía demais, pensei em desistir várias vezes, mas muitas mulheres me fortaleceram”. Então, a médica resolveu se desafiar: “se eu conseguir amamentar, vou começar a doar leite”.

A promessa foi cumprida e, toda semana, ela faz doação para o Banco de Leite Humano da Maternidade Escola Assis Chateaubriand (BLH – Meac), da Universidade Federal do Ceará (UFC).

Atualmente, o Banco de Leite conta com um estoque de 56 litros, segundo Janaína Landim, chefe do setor. A quantidade está dentro da margem de segurança (30 L), que é o mínimo necessário para alimentar os bebês por uma semana. “A gente pensa que é muito, mas só consegue abastecer os bebês das Unidades de Terapia Intensiva Neonatal (UTIs Neonatal) por uma semana”.

Hoje, 64 crianças são alimentadas com leite doado. Nesse quadro se encaixam bebês prematuros, abaixo do peso, com alguma má-formação genética ou infecção. De acordo com Janaína, só nas UTIs Neonatais da Meac existem 28 bebês em situação mais grave e que precisam do alimento.

Para Bárbara Osório, farmacêutica do BHL, a doação é necessária porque também se estende à mãe. Em casos de crianças muito prematuras, as mães ainda não começam a produzir leite. A doação, portanto, garante a sobrevivência do bebê.  “Esse leite doado é necessário para a família, porque quando nasce um bebê prematuro, também nasce uma família prematura”, destaca. No Banco de Leite Humano, as profissionais também auxiliam essas mães a estimular a produção do próprio leite.

Não existe uma quantidade mínima para doação de leite materno para a Maternidade Escola Assis Chateaubriand (FOTO: Comunicação Social Meac)

Não existe uma quantidade mínima para doação de leite materno para a Maternidade Escola Assis Chateaubriand (FOTO: Larissa Sampaio)

Caminho do leite

Para que o leite materno doado chegue aos bebês da Meac com segurança, um processo é seguido, chamado “caminho do leite”. Após ser recolhido nas casas das mães doadoras, o leite passa por uma observação a olho nu para avaliar se a embalagem não está violada. Depois disso, vai para o laboratório, onde é feita uma análise clínica, que inclui verificação de acidez, gordura e nutrientes em geral.

Bárbara explica que, aprovado na análise clínica, o alimento passa pela pasteurização (processo de esterilização de alimentos). “Além de inativar a ação de microrganismos patogênicos, a intenção do processo é preservar os nutrientes do leite humano”. O bebê só pode tomar o leite cru se for da própria mãe, ou seja, na amamentação.

Ao final de todo o processo, o leite passa ainda por testes microbiológicos e de calorias, chamado crematócrito. Só depois disso, é liberado para as unidades neonatais.

Segundo a farmacêutica, os frascos de leite são organizados por grupos calóricos, e todas as informações nutricionais ficam ao dispor da equipe de nutricionistas, responsável por prescrever a dieta ideal para cada bebê. “Ela [nutricionista] vai ver as características do leite e a necessidade de cada bebê para dar o melhor leite possível”, pontuou. Pasteurizado, esse leite tem validade de seis meses no congelador. Na geladeira, dura 24 horas.

Como se tornar doadora

Bárbara informa que a mãe que sentir vontade de doar e tem excesso de leite pode entrar em contato com a Meac e fazer um cadastro de doadora. Finalizado o processo, que inclui dados sobre o pré-natal, parto e medicações que a mãe toma, ela é orientada quanto à coleta e ao armazenamento do leite. A casa dela, então, é incluída na rota semanal dos motoristas que recolhem o alimento.

O leite, para ser doado, precisa estar congelado há, no máximo, 10 dias da coleta. A embalagem também é importante para o proveito do alimento. Bárbara diz que o recipiente ideal é de vidro, com tampa larga, de plástico e rosqueável, de forma que fique bem tampado.

Quando a mãe passa a ser doadora permanente, ela recebe semanalmente frascos da Maternidade, com etiqueta (que deve ser preenchida com o nome completo, data de nascimento do bebê e data da coleta como informações) e um kit descartável de touca e máscara. O material é essencial para evitar todo e qualquer tipo de impureza no leite.

Além da comodidade de não precisar ir ao Banco de Leite, também não existe uma quantidade mínima para doação. Bárbara pontua que há bebês prematuros com dietas de 1 mL de leite. Então toda quantidade doada é válida. “Toda doação é bem-vinda, independente do volume”.

Larissa Sampaio, logo que foi mãe, entendeu essa necessidade de proporcionar ao filho o melhor alimento possível e quis externar isso para outros bebês. E o fator empatia também lhe motiva a doar. “É muito mais que doar, é saber que eu poderia estar na mesma situação, e eu queria que fizessem o mesmo pelo meu filho”, finalizou.

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"CAMINHO DO LEITE"

Entenda processo de doação de leite até chegar aos bebês da UTI da Maternidade Escola

Depois de chegar ao Banco de Leite Humano da Maternidade Escola Assis Chateaubriand, o leite passa por análise clínica, pasteurização e testes para verificação de calorias. Só depois disso, é liberado para as unidades neonatais

Por Vitória Barbosa em Cotidiano

9 de dezembro de 2019 às 07:00

Há 2 meses
Alguns bebês da UTI Neonatal são alimentados com 1 milímetro de leite, por isso não existe quantidade mínima para doação (FOTO: Divulgação)

Alguns bebês da UTI Neonatal são alimentados com 1 mL de leite, por isso não existe quantidade mínima para doação (FOTO: Divulgação)

No dia 11 de julho deste ano, Pedro nasceu. Larissa Sampaio, no entanto, conta que desde 30 de outubro de 2018 já havia se tornado mãe. A data marca a descoberta da gravidez da médica. Mesmo com todo amor que sente pelo filho, Larissa vivenciou uma grande batalha em busca da amamentação. “Doía demais, pensei em desistir várias vezes, mas muitas mulheres me fortaleceram”. Então, a médica resolveu se desafiar: “se eu conseguir amamentar, vou começar a doar leite”.

A promessa foi cumprida e, toda semana, ela faz doação para o Banco de Leite Humano da Maternidade Escola Assis Chateaubriand (BLH – Meac), da Universidade Federal do Ceará (UFC).

Atualmente, o Banco de Leite conta com um estoque de 56 litros, segundo Janaína Landim, chefe do setor. A quantidade está dentro da margem de segurança (30 L), que é o mínimo necessário para alimentar os bebês por uma semana. “A gente pensa que é muito, mas só consegue abastecer os bebês das Unidades de Terapia Intensiva Neonatal (UTIs Neonatal) por uma semana”.

Hoje, 64 crianças são alimentadas com leite doado. Nesse quadro se encaixam bebês prematuros, abaixo do peso, com alguma má-formação genética ou infecção. De acordo com Janaína, só nas UTIs Neonatais da Meac existem 28 bebês em situação mais grave e que precisam do alimento.

Para Bárbara Osório, farmacêutica do BHL, a doação é necessária porque também se estende à mãe. Em casos de crianças muito prematuras, as mães ainda não começam a produzir leite. A doação, portanto, garante a sobrevivência do bebê.  “Esse leite doado é necessário para a família, porque quando nasce um bebê prematuro, também nasce uma família prematura”, destaca. No Banco de Leite Humano, as profissionais também auxiliam essas mães a estimular a produção do próprio leite.

Não existe uma quantidade mínima para doação de leite materno para a Maternidade Escola Assis Chateaubriand (FOTO: Comunicação Social Meac)

Não existe uma quantidade mínima para doação de leite materno para a Maternidade Escola Assis Chateaubriand (FOTO: Larissa Sampaio)

Caminho do leite

Para que o leite materno doado chegue aos bebês da Meac com segurança, um processo é seguido, chamado “caminho do leite”. Após ser recolhido nas casas das mães doadoras, o leite passa por uma observação a olho nu para avaliar se a embalagem não está violada. Depois disso, vai para o laboratório, onde é feita uma análise clínica, que inclui verificação de acidez, gordura e nutrientes em geral.

Bárbara explica que, aprovado na análise clínica, o alimento passa pela pasteurização (processo de esterilização de alimentos). “Além de inativar a ação de microrganismos patogênicos, a intenção do processo é preservar os nutrientes do leite humano”. O bebê só pode tomar o leite cru se for da própria mãe, ou seja, na amamentação.

Ao final de todo o processo, o leite passa ainda por testes microbiológicos e de calorias, chamado crematócrito. Só depois disso, é liberado para as unidades neonatais.

Segundo a farmacêutica, os frascos de leite são organizados por grupos calóricos, e todas as informações nutricionais ficam ao dispor da equipe de nutricionistas, responsável por prescrever a dieta ideal para cada bebê. “Ela [nutricionista] vai ver as características do leite e a necessidade de cada bebê para dar o melhor leite possível”, pontuou. Pasteurizado, esse leite tem validade de seis meses no congelador. Na geladeira, dura 24 horas.

Como se tornar doadora

Bárbara informa que a mãe que sentir vontade de doar e tem excesso de leite pode entrar em contato com a Meac e fazer um cadastro de doadora. Finalizado o processo, que inclui dados sobre o pré-natal, parto e medicações que a mãe toma, ela é orientada quanto à coleta e ao armazenamento do leite. A casa dela, então, é incluída na rota semanal dos motoristas que recolhem o alimento.

O leite, para ser doado, precisa estar congelado há, no máximo, 10 dias da coleta. A embalagem também é importante para o proveito do alimento. Bárbara diz que o recipiente ideal é de vidro, com tampa larga, de plástico e rosqueável, de forma que fique bem tampado.

Quando a mãe passa a ser doadora permanente, ela recebe semanalmente frascos da Maternidade, com etiqueta (que deve ser preenchida com o nome completo, data de nascimento do bebê e data da coleta como informações) e um kit descartável de touca e máscara. O material é essencial para evitar todo e qualquer tipo de impureza no leite.

Além da comodidade de não precisar ir ao Banco de Leite, também não existe uma quantidade mínima para doação. Bárbara pontua que há bebês prematuros com dietas de 1 mL de leite. Então toda quantidade doada é válida. “Toda doação é bem-vinda, independente do volume”.

Larissa Sampaio, logo que foi mãe, entendeu essa necessidade de proporcionar ao filho o melhor alimento possível e quis externar isso para outros bebês. E o fator empatia também lhe motiva a doar. “É muito mais que doar, é saber que eu poderia estar na mesma situação, e eu queria que fizessem o mesmo pelo meu filho”, finalizou.