Quem são os cearenses “Heróis da Pátria”, que têm os nomes gravados no "Livro de Aço" de Brasília

ELES FIZERAM HISTÓRIA!

Quem são os cearenses “Heróis da Pátria”, que têm os nomes gravados no “Livro de Aço” de Brasília

O “Livro de Aço”, que fica na Praça dos Três Poderes, em Brasília, homenageia pessoas que tiveram influência para o desenvolvimento do país em episódios marcantes da história

Por Tribuna do Ceará em Cotidiano

7 de outubro de 2019 às 07:00

Há 1 mês
O "Livro de Aço" homenageia pessoas que tiveram papel fundamental na história do Brasil (FOTO: Reprodução/Agência Senado)

O “Livro de Aço” homenageia pessoas que tiveram papel fundamental na história do Brasil (FOTO: Reprodução/Agência Senado)

Homens e mulheres, nascidos ou não no Ceará, tornaram-se motivo de orgulho para o país tanto quanto para o estado. Todos esses têm o nome gravado no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria, também conhecido por “Livro de Aço”, que fica na Praça dos Três Poderes, em Brasília.

O livro homenageia pessoas que tiveram papel fundamental para o desenvolvimento do país em episódios marcantes da história. Para incluir um nome no livro, é necessário que o Senado Federal e a Câmara dos Deputados aprovem uma lei com o pedido de inclusão. Atualmente, 62 pessoas têm seus nomes gravados no livro.

Jovita Feitosa

Jovita Feitosa pretendia ser combatente do Exército brasileiro na Guerra do Paraguai (FOTO: Reprodução)

Jovita Feitosa pretendia ser combatente do Exército brasileiro na Guerra do Paraguai (FOTO: Reprodução)

Em Fortaleza, a Avenida Jovita Feitosa homenageia a cearense Antônia Alves Feitosa (apelidada de Jovita), que, disfarçada com roupas de homem, reivindicou o direito de lutar no Exército brasileiro na Guerra do Paraguai. A jovem combatente nasceu em 1848, no sertão dos Inhamuns, onde hoje está o município de Tauá.

Para unir-se aos “Voluntários da Pátria”, ainda adolescente, ela cortou os cabelos, disfarçou os seios com faixas de pano e vestiu roupas masculinas. Nesta época, Jovita já morava no Piauí, após a morte de sua mãe, no Ceará. Ela chegou a ser aceita como sargento do Corpo de Voluntários do Exército, mas os traços femininos lhe fizeram ser descoberta. O fato a tornou uma celebridade nacional em 1865.

Apesar da vontade de estar no front de batalha, Jovita foi impedida de lutar por seu gênero feminino, e não aceitou o papel de apoio que cabia na época às mulheres. Após uma desilusão amorosa, Jovita Feitosa cometeu suicídio, em 1867, no Rio de Janeiro.

Dragão do Mar

Dragão do Mar é considerado o maior abolicionista do Ceará (FOTO: Reprodução)

Dragão do Mar é considerado o maior abolicionista do Ceará (FOTO: Reprodução)

Francisco José do Nascimento, mais conhecido como “Dragão do Mar”, é considerado o maior abolicionista no Ceará. Antes mesmo que o Brasil assinasse a Lei Áurea para libertar os escravos, Chico da Matilde, como também era conhecido, iniciou uma revolução entre os jangadeiros e impediu o tráfico negreiro na província cearense. Dragão do Mar nasceu em Aracati, em 1839.

Além de pescador e marinheiro, Dragão do Mar trabalhou na Capitania dos Portos do Ceará, ajudando na atracação das embarcações no porto. O cearense formou um motim e liderou jangadeiros da província cearense para que não transportassem os escravos até os navios de tráfico negreiro para as províncias do sul. Como consequência do movimento, foi decretada a abolição da escravatura no Ceará, em 1884.

Martim Soares Moreno

Martim Soares Moreno era o capitão-mor que defendia os interesses da coroa portuguesa no Ceará FOTO: Reprodução)

Martim Soares Moreno era o capitão-mor que defendia os interesses da coroa portuguesa no Ceará FOTO: Reprodução)

Martim Soares Moreno, nascido em Santiago do Cacém, em Portugal, é considerado o “fundador” do Ceará. Martim era um militar, com cargo de Capitão-mor, que defendeu os interesses da coroa portuguesas no Brasil colônia, com o objetivo que todos os países europeus reconhecessem o Tratado de Tordesilhas.

Em 1603, juntamente com o explorador português Pero Coelho de Sousa, realizou uma expedição na capitania Siará Grande (Ceará) para desbravar e colonizar a região.

Após diversas experiências em expedições, Martim retornou para Portugal definitivamente em 1648, quando tinha 62 anos de idade.

Bárbara de Alencar

Bárbara de Alencar era conhecida como “Dona Bárbara do Crato” FOTO: Reprodução)

Bárbara de Alencar era conhecida como “Dona Bárbara do Crato” FOTO: Reprodução)

Bárbara Pereira Alencar, considerada uma mulher à frente do seu tempo, nasceu no sertão pernambucano, em 1760. Bárbara carrega o título de primeira presa política do país e foi uma das poucas mulheres a participar da Revolução Pernambucana de 1817, que queria a independência do Brasil de Portugal.

No Ceará, fincou história no Crato, onde viveu por muito tempo. Na cidade, casou e teve filhos, os revolucionários José Martiniano e Tristão Gonçalves de Alencar. Bárbara também é avó do escritor cearense José de Alencar.

Por apoiar as ideias republicanas que eclodiam em Pernambuco, “Dona Bárbara do Crato” teve os bens da família confiscados, foi presa e torturada em uma das celas do Forte de Nossa Senhora de Assunção, onde atualmente abriga a sede da 10ª Região Militar do Exército Brasileiro.

Antônio Conselheiro

Antônio Vicente Mendes Maciel, o Antônio Conselheiro, foi um líder religioso e fundador do arraial do Belo Monte, que ficou conhecido como Canudos, na Bahia. O cearense nasceu em 1830, na atual cidade de Quixeramobim. Na história do Brasil, ele ficou conhecido como um “fanático religioso” que liderou um dos maiores conflitos do país, a Guerra de Canudos.

O nome de Antônio Conselheiro está ligado a um dos maiores momentos históricos do Brasil, a Guerra de Canudos FOTO: Reprodução)

O nome de Antônio Conselheiro está ligado a um dos maiores momentos históricos do Brasil, a Guerra de Canudos FOTO: Reprodução)

Homem de boa formação cultural, o cearense tem sua vida marcada por perdas. Ainda criança, perdeu a mãe e anos depois, o pai. Há relatos de que sua esposa também o abandonou.

Diante disso, Antônio dá início à sua peregrinação no interior do Ceará e outros estados nordestinos. Durante as andanças, ele realiza obras voluntárias e começa a aconselhar quem o procurava, motivo pelo qual ficou conhecido como “Antônio Conselheiro”. O carisma do cearense garantiu seguidores que, anos depois, construíram Canudos.

Todos os nomes foram incluídos no livro no final de 2018, com exceção de Antônio Conselheiro, que aguarda gravação no documento.

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ELES FIZERAM HISTÓRIA!

Quem são os cearenses “Heróis da Pátria”, que têm os nomes gravados no “Livro de Aço” de Brasília

O “Livro de Aço”, que fica na Praça dos Três Poderes, em Brasília, homenageia pessoas que tiveram influência para o desenvolvimento do país em episódios marcantes da história

Por Tribuna do Ceará em Cotidiano

7 de outubro de 2019 às 07:00

Há 1 mês
O "Livro de Aço" homenageia pessoas que tiveram papel fundamental na história do Brasil (FOTO: Reprodução/Agência Senado)

O “Livro de Aço” homenageia pessoas que tiveram papel fundamental na história do Brasil (FOTO: Reprodução/Agência Senado)

Homens e mulheres, nascidos ou não no Ceará, tornaram-se motivo de orgulho para o país tanto quanto para o estado. Todos esses têm o nome gravado no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria, também conhecido por “Livro de Aço”, que fica na Praça dos Três Poderes, em Brasília.

O livro homenageia pessoas que tiveram papel fundamental para o desenvolvimento do país em episódios marcantes da história. Para incluir um nome no livro, é necessário que o Senado Federal e a Câmara dos Deputados aprovem uma lei com o pedido de inclusão. Atualmente, 62 pessoas têm seus nomes gravados no livro.

Jovita Feitosa

Jovita Feitosa pretendia ser combatente do Exército brasileiro na Guerra do Paraguai (FOTO: Reprodução)

Jovita Feitosa pretendia ser combatente do Exército brasileiro na Guerra do Paraguai (FOTO: Reprodução)

Em Fortaleza, a Avenida Jovita Feitosa homenageia a cearense Antônia Alves Feitosa (apelidada de Jovita), que, disfarçada com roupas de homem, reivindicou o direito de lutar no Exército brasileiro na Guerra do Paraguai. A jovem combatente nasceu em 1848, no sertão dos Inhamuns, onde hoje está o município de Tauá.

Para unir-se aos “Voluntários da Pátria”, ainda adolescente, ela cortou os cabelos, disfarçou os seios com faixas de pano e vestiu roupas masculinas. Nesta época, Jovita já morava no Piauí, após a morte de sua mãe, no Ceará. Ela chegou a ser aceita como sargento do Corpo de Voluntários do Exército, mas os traços femininos lhe fizeram ser descoberta. O fato a tornou uma celebridade nacional em 1865.

Apesar da vontade de estar no front de batalha, Jovita foi impedida de lutar por seu gênero feminino, e não aceitou o papel de apoio que cabia na época às mulheres. Após uma desilusão amorosa, Jovita Feitosa cometeu suicídio, em 1867, no Rio de Janeiro.

Dragão do Mar

Dragão do Mar é considerado o maior abolicionista do Ceará (FOTO: Reprodução)

Dragão do Mar é considerado o maior abolicionista do Ceará (FOTO: Reprodução)

Francisco José do Nascimento, mais conhecido como “Dragão do Mar”, é considerado o maior abolicionista no Ceará. Antes mesmo que o Brasil assinasse a Lei Áurea para libertar os escravos, Chico da Matilde, como também era conhecido, iniciou uma revolução entre os jangadeiros e impediu o tráfico negreiro na província cearense. Dragão do Mar nasceu em Aracati, em 1839.

Além de pescador e marinheiro, Dragão do Mar trabalhou na Capitania dos Portos do Ceará, ajudando na atracação das embarcações no porto. O cearense formou um motim e liderou jangadeiros da província cearense para que não transportassem os escravos até os navios de tráfico negreiro para as províncias do sul. Como consequência do movimento, foi decretada a abolição da escravatura no Ceará, em 1884.

Martim Soares Moreno

Martim Soares Moreno era o capitão-mor que defendia os interesses da coroa portuguesa no Ceará FOTO: Reprodução)

Martim Soares Moreno era o capitão-mor que defendia os interesses da coroa portuguesa no Ceará FOTO: Reprodução)

Martim Soares Moreno, nascido em Santiago do Cacém, em Portugal, é considerado o “fundador” do Ceará. Martim era um militar, com cargo de Capitão-mor, que defendeu os interesses da coroa portuguesas no Brasil colônia, com o objetivo que todos os países europeus reconhecessem o Tratado de Tordesilhas.

Em 1603, juntamente com o explorador português Pero Coelho de Sousa, realizou uma expedição na capitania Siará Grande (Ceará) para desbravar e colonizar a região.

Após diversas experiências em expedições, Martim retornou para Portugal definitivamente em 1648, quando tinha 62 anos de idade.

Bárbara de Alencar

Bárbara de Alencar era conhecida como “Dona Bárbara do Crato” FOTO: Reprodução)

Bárbara de Alencar era conhecida como “Dona Bárbara do Crato” FOTO: Reprodução)

Bárbara Pereira Alencar, considerada uma mulher à frente do seu tempo, nasceu no sertão pernambucano, em 1760. Bárbara carrega o título de primeira presa política do país e foi uma das poucas mulheres a participar da Revolução Pernambucana de 1817, que queria a independência do Brasil de Portugal.

No Ceará, fincou história no Crato, onde viveu por muito tempo. Na cidade, casou e teve filhos, os revolucionários José Martiniano e Tristão Gonçalves de Alencar. Bárbara também é avó do escritor cearense José de Alencar.

Por apoiar as ideias republicanas que eclodiam em Pernambuco, “Dona Bárbara do Crato” teve os bens da família confiscados, foi presa e torturada em uma das celas do Forte de Nossa Senhora de Assunção, onde atualmente abriga a sede da 10ª Região Militar do Exército Brasileiro.

Antônio Conselheiro

Antônio Vicente Mendes Maciel, o Antônio Conselheiro, foi um líder religioso e fundador do arraial do Belo Monte, que ficou conhecido como Canudos, na Bahia. O cearense nasceu em 1830, na atual cidade de Quixeramobim. Na história do Brasil, ele ficou conhecido como um “fanático religioso” que liderou um dos maiores conflitos do país, a Guerra de Canudos.

O nome de Antônio Conselheiro está ligado a um dos maiores momentos históricos do Brasil, a Guerra de Canudos FOTO: Reprodução)

O nome de Antônio Conselheiro está ligado a um dos maiores momentos históricos do Brasil, a Guerra de Canudos FOTO: Reprodução)

Homem de boa formação cultural, o cearense tem sua vida marcada por perdas. Ainda criança, perdeu a mãe e anos depois, o pai. Há relatos de que sua esposa também o abandonou.

Diante disso, Antônio dá início à sua peregrinação no interior do Ceará e outros estados nordestinos. Durante as andanças, ele realiza obras voluntárias e começa a aconselhar quem o procurava, motivo pelo qual ficou conhecido como “Antônio Conselheiro”. O carisma do cearense garantiu seguidores que, anos depois, construíram Canudos.

Todos os nomes foram incluídos no livro no final de 2018, com exceção de Antônio Conselheiro, que aguarda gravação no documento.