Parceria entre UFC e universidade australiana realiza estudo que pode gerar novo tratamento anticâncer

SAÚDE

Parceria entre UFC e universidade australiana realiza estudo que pode gerar novo tratamento anticâncer

Pesquisadores estudam potencial farmacocinético de moléculas extraídas de planta e fungo existentes na biodiversidade brasileira

Por Tribuna do Ceará em Educação

26 de novembro de 2019 às 06:27

Há 4 meses
As moléculas advindas da biodiversidade brasileira podem ser as primeiras a serem estudadas contra câncer (FOTO: Viktor Braga/UFC)

As moléculas advindas da biodiversidade brasileira podem ser as primeiras a serem estudadas contra câncer (FOTO: Viktor Braga/UFC)

A parceria internacional entre a Universidade Federal do Ceará (UFC) e a Universidade Nacional da Austrália (ANU) pode resultar em uma nova possibilidade de tratamento contra o câncer. A partir da exploração do potencial terapêutico de moléculas originárias da biodiversidade brasileira, a pesquisa tem como foco a inibição de células de linhagem leucêmica e de tumores provenientes do câncer de próstata.

O estudo, que nasceu da atuação conjunta entre os Programas de Pós-Graduação em Química e em Farmacologia da UFC, por meio do Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento de Medicamentos (NPDM), avalia como as moléculas chamadas pterocarpano e pisosterol atuam para bloquear o crescimento e a proliferação de células neoplásicas (que sofreram alteração no código genético por conta da doença, perdendo suas características originais).

Tanto o pterocarpano quanto o pisosterol já eram objeto de estudo na UFC e as análises comprovavam a capacidade antitumoral das moléculas. A partir da parceria entre as universidades,, a pesquisa passará à fase de aplicação in vivo, com um modelo estabelecido na instituição australiana que replica a leucemia mieloide aguda em animais e permite validação da atividade das moléculas.

“[O modelo] usa células geneticamente modificadas dos animais, que expressam proteínas alteradas e translocações [anomalias] comuns nas leucemias humanas”, explica a doutoranda em Farmacologia Sarah Maranhão, que estudou o modelo durante doutorado na Austrália.

A ideia é não só validar as moléculas em modelo animal, mas também realizar transferência de conhecimento entre as duas instituições, uma vez que a ANU, no âmbito do John Curtin School of Medical Research, é referência nesse modelo de leucemia, o qual poderá ser implementado no Brasil.

“É um modelo nunca estabelecido no País, e nosso laboratório pode se tornar pioneiro em sua implementação por essa transferência de tecnologia. Dispomos de um biotério de referência que nos permite fazer isso”, lembra a professora Cláudia do Ó Pessoa, pesquisadora do Laboratório de Oncologia Experimental (LOE), do NPDM, onde a pesquisa é realizada.

Objetos de estudo

Uma característica marcante desse estudo é o fato de tanto o pterocarpano quanto o pisosterol serem moléculas isoladas de produtos da biodiversidade brasileira. O primeiro é proveniente da planta Platymiscium floribundum, conhecida pelos nomes populares de sacambu e jacarandá-do-litoral, típica dos ecossistemas caatinga, cerrado e mata atlântica.

Já o pisosterol é isolado do fungo da espécie Pisolithus tinctorius, comum em diversas partes do Brasil. Sua proliferação está associada a culturas de eucalipto, ocorrendo normalmente em época de chuva. A caracterização da molécula já era feita no Departamento de Química, e o potencial anticâncer passou a ser descoberto com o início da parceria com a Farmacologia.

Estudos do Laboratório

Os trabalhos com o pisosterol e com o pterocarpano não são os primeiros a ser realizados pelo LOE, que explora o potencial da biodiversidade brasileira há quase 20 anos. A beta-lapachona, extraída do ipê-roxo, é um exemplo de substância também estudada pelo Laboratório e que também tem potencial para tratamento de câncer de próstata, extraída do ipê-roxo, árvore comumente encontrada no Brasil.

Com informações de Kevin Alencar, da Agência UFC

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Parceria entre UFC e universidade australiana realiza estudo que pode gerar novo tratamento anticâncer

Pesquisadores estudam potencial farmacocinético de moléculas extraídas de planta e fungo existentes na biodiversidade brasileira

Por Tribuna do Ceará em Educação

26 de novembro de 2019 às 06:27

Há 4 meses
As moléculas advindas da biodiversidade brasileira podem ser as primeiras a serem estudadas contra câncer (FOTO: Viktor Braga/UFC)

As moléculas advindas da biodiversidade brasileira podem ser as primeiras a serem estudadas contra câncer (FOTO: Viktor Braga/UFC)

A parceria internacional entre a Universidade Federal do Ceará (UFC) e a Universidade Nacional da Austrália (ANU) pode resultar em uma nova possibilidade de tratamento contra o câncer. A partir da exploração do potencial terapêutico de moléculas originárias da biodiversidade brasileira, a pesquisa tem como foco a inibição de células de linhagem leucêmica e de tumores provenientes do câncer de próstata.

O estudo, que nasceu da atuação conjunta entre os Programas de Pós-Graduação em Química e em Farmacologia da UFC, por meio do Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento de Medicamentos (NPDM), avalia como as moléculas chamadas pterocarpano e pisosterol atuam para bloquear o crescimento e a proliferação de células neoplásicas (que sofreram alteração no código genético por conta da doença, perdendo suas características originais).

Tanto o pterocarpano quanto o pisosterol já eram objeto de estudo na UFC e as análises comprovavam a capacidade antitumoral das moléculas. A partir da parceria entre as universidades,, a pesquisa passará à fase de aplicação in vivo, com um modelo estabelecido na instituição australiana que replica a leucemia mieloide aguda em animais e permite validação da atividade das moléculas.

“[O modelo] usa células geneticamente modificadas dos animais, que expressam proteínas alteradas e translocações [anomalias] comuns nas leucemias humanas”, explica a doutoranda em Farmacologia Sarah Maranhão, que estudou o modelo durante doutorado na Austrália.

A ideia é não só validar as moléculas em modelo animal, mas também realizar transferência de conhecimento entre as duas instituições, uma vez que a ANU, no âmbito do John Curtin School of Medical Research, é referência nesse modelo de leucemia, o qual poderá ser implementado no Brasil.

“É um modelo nunca estabelecido no País, e nosso laboratório pode se tornar pioneiro em sua implementação por essa transferência de tecnologia. Dispomos de um biotério de referência que nos permite fazer isso”, lembra a professora Cláudia do Ó Pessoa, pesquisadora do Laboratório de Oncologia Experimental (LOE), do NPDM, onde a pesquisa é realizada.

Objetos de estudo

Uma característica marcante desse estudo é o fato de tanto o pterocarpano quanto o pisosterol serem moléculas isoladas de produtos da biodiversidade brasileira. O primeiro é proveniente da planta Platymiscium floribundum, conhecida pelos nomes populares de sacambu e jacarandá-do-litoral, típica dos ecossistemas caatinga, cerrado e mata atlântica.

Já o pisosterol é isolado do fungo da espécie Pisolithus tinctorius, comum em diversas partes do Brasil. Sua proliferação está associada a culturas de eucalipto, ocorrendo normalmente em época de chuva. A caracterização da molécula já era feita no Departamento de Química, e o potencial anticâncer passou a ser descoberto com o início da parceria com a Farmacologia.

Estudos do Laboratório

Os trabalhos com o pisosterol e com o pterocarpano não são os primeiros a ser realizados pelo LOE, que explora o potencial da biodiversidade brasileira há quase 20 anos. A beta-lapachona, extraída do ipê-roxo, é um exemplo de substância também estudada pelo Laboratório e que também tem potencial para tratamento de câncer de próstata, extraída do ipê-roxo, árvore comumente encontrada no Brasil.

Com informações de Kevin Alencar, da Agência UFC