Projeto de lei que torna obrigatório ensino de Libras em escolas públicas está parado há quase 1 ano

AGUARDANDO VOTAÇÃO

Projeto de lei que torna obrigatório ensino de Libras em escolas públicas está parado há quase 1 ano

O projeto aguarda votação no plenário da Câmara dos Deputados. Enquanto isso, os pais que têm filho com deficiência auditiva sofrem pra conseguir uma matrícula nas unidades de ensino

Por Tribuna do Ceará em Educação

3 de novembro de 2019 às 06:20

Há 2 semanas
(FOTO: Reprodução/ TV Jangadeiro)

No Ceará, em 2019, foram matriculados em escolas da rede pública de ensino apenas 803 alunos com deficiência, segundo a Secretaria de Educação do estado (FOTO: Reprodução/ TV Jangadeiro)

O projeto de lei que torna obrigatório o ensino de conhecimento básico de libras nas escolas públicas está parado há quase um ano, aguardando a votação no plenário da Câmara dos Deputados. Enquanto isso, os pais que têm filho com deficiência auditiva sofrem pra conseguir uma matrícula nas unidades de ensino. Realidade enfrentada aqui também no Ceará.

A dona de casa Edilane Carneiro é mãe da pequena Maria Isadora, 5 anos. A menina é portadora de deficiência auditiva. Elas moram na Barra do Ceará, zona oeste de Fortaleza. Segundo Edilane, é muito difícil encontrar escolas especializadas no ensino para crianças surdas.

Este é o primeiro ano que a menina frequenta um estabelecimento de ensino, pois todas as vezes em que a mãe tentou matricular a filha em escola pública ou particular, se deparou com a rejeição. “É o primeiro ano que ela estuda só pela dificuldade de encontrar colégio. Todas as escolas deviam aceitar ela, mas não tem o estudo de libras”.

De acordo com o último levantamento divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2013, cerca de 2 milhões de pessoas possuíam deficiência auditiva no Brasil. E parte deste grupo não possuía instrução ou o ensino fundamental completo.

Em novembro de 2018, foi aprovada pela Comissão de Educação, da Câmara dos Deputados, a proposta que torna obrigatório que as escolas públicas brasileiras ofereçam o ensino de Língua Brasileira de Sinais (Libras), desde a educação básica. O texto aprovado é do relator deputado Diego Garcia, do Podemos do Paraná, em substituição ao projeto semelhante ao do Senado, que torna obrigatório o ensino de Libras apenas para os alunos surdos.

Agora, o regulamento deve tratar do acesso da comunidade estudantil em geral e dos pais de alunos com deficiência auditiva ao aprendizado da língua. Para o professor de Libras Paulo Victor Villela, a medida vai gerar impacto positivo para que essas crianças e adolescentes possam ter acesso à educação de forma inclusiva e de qualidade.

Entretanto a medida não resolve por completo a problemática. De acordo com ele, é necessária uma capacitação dos profissionais para atuar nas escolas. “Tem que ter cuidado para que não aconteça improvisos como a gente já viu em outras disciplinas, que acabam sendo dadas por pessoas que não tem preparação. Na área atual eu não vejo um número suficiente de profissionais capacitados pra dar a disciplina de libras em nível nacional”.

No Ceará, em 2019, foram matriculados em escolas da rede pública de ensino apenas 803 alunos com deficiência, segundo a Secretaria de Educação do estado. Para esses alunos o atendimento ocorre da Educação Infantil apenas nas comunidades indígenas, e no Ensino Médio, em escolas regulares e especializadas, como o Instituto Cearense de Educação de Surdos.

Confira áudios de Tatiana Dias para Tribuna Band News FM:

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Projeto de lei que torna obrigatório ensino de Libras em escolas públicas está parado há quase 1 ano

O projeto aguarda votação no plenário da Câmara dos Deputados. Enquanto isso, os pais que têm filho com deficiência auditiva sofrem pra conseguir uma matrícula nas unidades de ensino

Por Tribuna do Ceará em Educação

3 de novembro de 2019 às 06:20

Há 2 semanas
(FOTO: Reprodução/ TV Jangadeiro)

No Ceará, em 2019, foram matriculados em escolas da rede pública de ensino apenas 803 alunos com deficiência, segundo a Secretaria de Educação do estado (FOTO: Reprodução/ TV Jangadeiro)

O projeto de lei que torna obrigatório o ensino de conhecimento básico de libras nas escolas públicas está parado há quase um ano, aguardando a votação no plenário da Câmara dos Deputados. Enquanto isso, os pais que têm filho com deficiência auditiva sofrem pra conseguir uma matrícula nas unidades de ensino. Realidade enfrentada aqui também no Ceará.

A dona de casa Edilane Carneiro é mãe da pequena Maria Isadora, 5 anos. A menina é portadora de deficiência auditiva. Elas moram na Barra do Ceará, zona oeste de Fortaleza. Segundo Edilane, é muito difícil encontrar escolas especializadas no ensino para crianças surdas.

Este é o primeiro ano que a menina frequenta um estabelecimento de ensino, pois todas as vezes em que a mãe tentou matricular a filha em escola pública ou particular, se deparou com a rejeição. “É o primeiro ano que ela estuda só pela dificuldade de encontrar colégio. Todas as escolas deviam aceitar ela, mas não tem o estudo de libras”.

De acordo com o último levantamento divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2013, cerca de 2 milhões de pessoas possuíam deficiência auditiva no Brasil. E parte deste grupo não possuía instrução ou o ensino fundamental completo.

Em novembro de 2018, foi aprovada pela Comissão de Educação, da Câmara dos Deputados, a proposta que torna obrigatório que as escolas públicas brasileiras ofereçam o ensino de Língua Brasileira de Sinais (Libras), desde a educação básica. O texto aprovado é do relator deputado Diego Garcia, do Podemos do Paraná, em substituição ao projeto semelhante ao do Senado, que torna obrigatório o ensino de Libras apenas para os alunos surdos.

Agora, o regulamento deve tratar do acesso da comunidade estudantil em geral e dos pais de alunos com deficiência auditiva ao aprendizado da língua. Para o professor de Libras Paulo Victor Villela, a medida vai gerar impacto positivo para que essas crianças e adolescentes possam ter acesso à educação de forma inclusiva e de qualidade.

Entretanto a medida não resolve por completo a problemática. De acordo com ele, é necessária uma capacitação dos profissionais para atuar nas escolas. “Tem que ter cuidado para que não aconteça improvisos como a gente já viu em outras disciplinas, que acabam sendo dadas por pessoas que não tem preparação. Na área atual eu não vejo um número suficiente de profissionais capacitados pra dar a disciplina de libras em nível nacional”.

No Ceará, em 2019, foram matriculados em escolas da rede pública de ensino apenas 803 alunos com deficiência, segundo a Secretaria de Educação do estado. Para esses alunos o atendimento ocorre da Educação Infantil apenas nas comunidades indígenas, e no Ensino Médio, em escolas regulares e especializadas, como o Instituto Cearense de Educação de Surdos.

Confira áudios de Tatiana Dias para Tribuna Band News FM: