Quase metade das crianças e adolescentes de Fortaleza não se sente segura na escola

INSEGURANÇA

Quase metade das crianças e adolescentes de Fortaleza não se sente segura na escola

Além da falta de segurança, a pesquisa Visão Mundial também revelou que os alunos presenciam conflitos entre si e não sabem como agir em situações de risco

Por Tribuna do Ceará em Educação

16 de julho de 2019 às 07:00

Há 2 meses
Além de Fortaleza, a pesquisa foi feita em mais 66 cidades (FOTO: Arquivo)

Além de Fortaleza, a pesquisa foi feita em mais 66 cidades do Brasil (FOTO: Arquivo/Tribuna do Ceará)

A Pesquisa Infância [Des]Protegida, da Organização Não Governamental (ONG) Visão Mundial, mostrou que 48% de crianças e adolescentes de Fortaleza não se sentem protegidos na escola. A pesquisa foi lançada durante o Seminário da Rede Nacional de Enfrentamento ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, em Brasília, no primeiro semestre.

Em situações de risco, 1/3 dos entrevistados disse não ter orientação sobre como pedir ajuda. A existência de conflitos entre alunos também é uma realidade contada pelos entrevistados. Cerca de 1/3 deles responderam ter vivenciado situações de violência direta ou consequências da violência urbana.

Wilson Sampaio, vice-presidente da Associação dos Servidores da Secretaria de Educação do Estado do Ceará (Asseec), acredita que o percentual de 48% está dentro dos parâmetros. Para ele, o problema de insegurança das escolas municipais de Fortaleza existe porque elas são vulneráveis por existir periculosidade ao redor e dentro das próprias escolas.

Ele disse, ainda, que os porteiros das instituições não possuem capacitação e aperfeiçoamento, diferentemente de um vigilante, o que seria o ideal para as escolas, segundo ele. “Os porteiros não têm nenhum preparo profissional, nem para atender, nem para dar segurança”, destacou.

Em nota, a Secretaria Municipal de Educação (SME) de Fortaleza disse que promove uma política de proteção à criança e ao adolescente por meio do trabalho da Célula de Mediação Social e Cultura de Paz da SME. A célula atua para a resolução de conflitos e disseminação da cultura de paz, com ações como atendimento às escolas por uma equipe de mediadores e parceria entre rede de proteção da criança e do adolescente e órgãos públicos.

De acordo com a SME, uma Célula de Segurança Escolar também atua em conjunto com a Inspetoria de Segurança Escolar da Guarda Municipal (ISE), realizando um trabalho preventivo nas escolas, com viaturas e equipes treinadas. Essas equipes, segundo a Secretaria, prestam assistência, com patrulhamento ostensivo e rondas diárias.

A SME explicou que, no aspecto preventivo, são realizadas palestras, contação de histórias, rodas de conversa e teatro de fantoche, abordando diversas temáticas, como bullying e preconceito. “As escolas também recebem visitas técnicas para analisar o seu entorno do ponto de vista da segurança. Casos de insegurança são relatados à Célula para a adoção das medidas cabíveis”, afirmou.

Ainda sobre a sensação de segurança, alguns fatores individuais foram observados (FOTO: Freepik)

Fatores observados

Com a pesquisa, alguns fatores individuais das crianças e adolescentes sobre segurança foram observados. Por exemplo: meninas têm menos chances de se sentir seguras do que meninos. Crianças e adolescentes com alguma deficiência também se sentem menos seguros, assim como crianças e adolescentes negros.

Por outro lado, crianças e adolescentes que vivem em território rural têm mais chances de se sentirem seguros do que os que moram em área urbana. O estudo também mostrou que, quanto maior a idade, menor a chance de crianças e adolescentes se sentirem seguros.

O estudo foi feito em 67 cidades dos estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro, da Bahia, de Pernambuco e Alagoas, entre agosto e setembro de 2018. Para a realização da pesquisa, foram selecionados, por amostragem aleatória simples, 3.184 estudantes do 5° ao 9° ano, com idade entre 9 e 17 anos.

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Quase metade das crianças e adolescentes de Fortaleza não se sente segura na escola

Além da falta de segurança, a pesquisa Visão Mundial também revelou que os alunos presenciam conflitos entre si e não sabem como agir em situações de risco

Por Tribuna do Ceará em Educação

16 de julho de 2019 às 07:00

Há 2 meses
Além de Fortaleza, a pesquisa foi feita em mais 66 cidades (FOTO: Arquivo)

Além de Fortaleza, a pesquisa foi feita em mais 66 cidades do Brasil (FOTO: Arquivo/Tribuna do Ceará)

A Pesquisa Infância [Des]Protegida, da Organização Não Governamental (ONG) Visão Mundial, mostrou que 48% de crianças e adolescentes de Fortaleza não se sentem protegidos na escola. A pesquisa foi lançada durante o Seminário da Rede Nacional de Enfrentamento ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, em Brasília, no primeiro semestre.

Em situações de risco, 1/3 dos entrevistados disse não ter orientação sobre como pedir ajuda. A existência de conflitos entre alunos também é uma realidade contada pelos entrevistados. Cerca de 1/3 deles responderam ter vivenciado situações de violência direta ou consequências da violência urbana.

Wilson Sampaio, vice-presidente da Associação dos Servidores da Secretaria de Educação do Estado do Ceará (Asseec), acredita que o percentual de 48% está dentro dos parâmetros. Para ele, o problema de insegurança das escolas municipais de Fortaleza existe porque elas são vulneráveis por existir periculosidade ao redor e dentro das próprias escolas.

Ele disse, ainda, que os porteiros das instituições não possuem capacitação e aperfeiçoamento, diferentemente de um vigilante, o que seria o ideal para as escolas, segundo ele. “Os porteiros não têm nenhum preparo profissional, nem para atender, nem para dar segurança”, destacou.

Em nota, a Secretaria Municipal de Educação (SME) de Fortaleza disse que promove uma política de proteção à criança e ao adolescente por meio do trabalho da Célula de Mediação Social e Cultura de Paz da SME. A célula atua para a resolução de conflitos e disseminação da cultura de paz, com ações como atendimento às escolas por uma equipe de mediadores e parceria entre rede de proteção da criança e do adolescente e órgãos públicos.

De acordo com a SME, uma Célula de Segurança Escolar também atua em conjunto com a Inspetoria de Segurança Escolar da Guarda Municipal (ISE), realizando um trabalho preventivo nas escolas, com viaturas e equipes treinadas. Essas equipes, segundo a Secretaria, prestam assistência, com patrulhamento ostensivo e rondas diárias.

A SME explicou que, no aspecto preventivo, são realizadas palestras, contação de histórias, rodas de conversa e teatro de fantoche, abordando diversas temáticas, como bullying e preconceito. “As escolas também recebem visitas técnicas para analisar o seu entorno do ponto de vista da segurança. Casos de insegurança são relatados à Célula para a adoção das medidas cabíveis”, afirmou.

Ainda sobre a sensação de segurança, alguns fatores individuais foram observados (FOTO: Freepik)

Fatores observados

Com a pesquisa, alguns fatores individuais das crianças e adolescentes sobre segurança foram observados. Por exemplo: meninas têm menos chances de se sentir seguras do que meninos. Crianças e adolescentes com alguma deficiência também se sentem menos seguros, assim como crianças e adolescentes negros.

Por outro lado, crianças e adolescentes que vivem em território rural têm mais chances de se sentirem seguros do que os que moram em área urbana. O estudo também mostrou que, quanto maior a idade, menor a chance de crianças e adolescentes se sentirem seguros.

O estudo foi feito em 67 cidades dos estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro, da Bahia, de Pernambuco e Alagoas, entre agosto e setembro de 2018. Para a realização da pesquisa, foram selecionados, por amostragem aleatória simples, 3.184 estudantes do 5° ao 9° ano, com idade entre 9 e 17 anos.