Camilo se esquiva de confronto sobre segurança e responde ataques com propaganda de governo

DEBATE ENTRE CANDIDATOS

Camilo se esquiva de confronto sobre segurança e responde ataques com propaganda de governo

Camilo Santana é candidato à reeleição e lidera com folga as intenções de voto no Estado; ele foi questionado sobre área mais crítica de seu governo

Por Jéssica Welma em Eleições 2018

28 de setembro de 2018 às 00:25

Há 2 anos
Candidato à reeleição, Camilo Santana foi principal alvo do debate. (Foto: Reprodução)

Candidato à reeleição, Camilo Santana foi principal alvo do debate. (Foto: Reprodução)

Candidato à reeleição e líder isolado nas pesquisas, o governador do Ceará, Camilo Santana (PT), evitou discussões diretas sobre índices negativos da segurança e respondeu ataques com ações de governo em debate realizado pelo Grupo de Comunicação O POVO, na noite desta quinta-feira (27).

Participaram do evento os candidatos cujos partidos têm representação na Câmara dos Deputados: além de Camilo, General Theophilo (PSDB), Ailton Lopes (PSOL) e Hélio Góis (PSL). Esse foi o primeiro confronto de que o governador participou. Em agosto, ele não compareceu ao debate do Sistema Jangadeiro.

O formato do debate priorizou a sabatina entre os candidatos. Em cada bloco, segundo sorteio realizado previamente, um dos candidatos ficava ao centro e era questionado pelos adversários. Camilo foi o primeiro e principal alvo.

Os três oponentes elencaram índices da violência, como número de homicídios, crescimento de facções, chacinas, ausência de bloqueadores de celulares nos presídios, dentre outros. “O plano de governo do senhor resolve esses problemas?”, perguntou Theophilo.

Ao responder, Camilo saiu em defesa de sua gestão. “Assumi o governo em um período muito difícil do país, de crise econômica e política, seis anos de seca no Ceará, mas arregaçamos as mangas e o Ceará avançou em todas as áreas”, afirmou. Em seguida, elencou que o Ceará é “referência em gestão pública”, “faz concurso público”, “tem bons índices em educação” e “contrata profissionais da segurança”.

“Desafio um estado do Brasil que tenha feito mais investimento de segurança pública do que eu”, disse Camilo

“O problema da violência é um tema nacional pela falta da inoperância do Governo Federal de proteger as fronteiras brasileiras, do Exército Brasileiro de proteger as fronteiras para não entrar drogas no país”, criticou o governador.

Em contrapartida, Theophilo, que é general da reserva do Exército, negou a afirmação de Camilo de que a inoperância é dos militares. Ele atacou o adversário, dizendo ainda que Camilo apresenta o “Ceará da propaganda”, “em que não falta remédio”.

Na tréplica, o governador manteve o tom de defesa a sua gestão, ressaltou investimentos (“contratei 9 mil profissionais de segurança”) e voltou a apontar falta de planejamento e de repasses do Governo Federal.

Quatro candidatos participaram do debate. (Foto: Reprodução)

Quatro candidatos participaram do debate. (Foto: Reprodução)

Ailton Lopes questionou Camilo sobre a frase do secretário da Segurança Pública, André Costa, de que a chacina no Forró do Gago, em janeiro deste ano, havia sido “um fato isolado”. “Quantas vidas precisam ser ceifadas para vocês deixarem de dizer que é um fato isolado?”, disse Ailton.

“Você nunca me ouviu falar que foi um caso isolado”, respondeu Camilo, desautorizando a fala do secretário. Na época, um frase do governador também gerou problema, ao dizer que a situação estava “sob controle”. “O problema da violência é do pais inteiro”, afirmou Camilo no debate.

Diante da pressão, o governador manteve estratégia de “falar com a população” e apresentou ações de sua gestão, especialmente na área da educação, de recursos hídricos, de geração de empregos e de programas para juventude.

Já Hélio Góis perguntou a Camilo “como é receber ordem de dentro do presídio?”. “Não recebo ordens de ninguém”, rebateu o governador. O candidato do PSL tentou nacionalizar o debate, citando o governo federal e a gestão do PT. O petista disse que Góis “precisa estudar mais” e citou investimentos.

General Theophilo

O candidato do PSDB focou em temas na área da segurança, defendeu vigilância de fronteiras e uso de Scanners, tecnologia e cães farejadores para controlar tráfico de drogas.

Questionado por Ailton, ele disse que, se eleito, deve revogar medida de Camilo Santana que congela investimentos em saúde e educação por 10 anos no Estado. Na educação, o candidato defendeu padrão militar para o ensino médio.

Em resposta a Camilo sobre gestão de recursos hídricos, Theophilo prometeu investir em dessalinização e perfuração de poços. Ele criticou atrasos na obra de transposição do rio São Francisco e disse que, após visita ao canteiro de obras na cidade de Jati, percebeu que “a transposição não chega essa ano”, informação rebatida por Camilo.

> Leia também: Data Debate: Veja quais candidatos falaram mais vezes a palavra “segurança” durante programa

Ailton Lopes

O candidato do Psol fez críticas incisivas ao Governo. Ele lembrou que a termelétrica recebeu muitos recursos, mas gerou apenas 300 empregos. Ailton defendeu investimento em agricultura familiar e na vocação econômica de cada região.

Disse ainda que, se eleito, ampliará para até 30% o investimento em educação e em infraestrutura adequada para as escolas. Ailton e Theophilo criticaram calor na salas de aula.

Ailton lembrou ainda aliança de Camilo com o presidente do Senado Eunício Oliveira (MDB) sob o argumento de que iria receber recursos federais, mas “reclama da falta de verbas da União”. Ele ainda afirmou que Eunício entrou na aliança com Camilo “para salvar a própria pele”.

O candidato do Psol criticou o modelo econômico do governo e, após Camilo ressaltar investimentos no hub aéreo, com aumento no número de voos diários, disparou: “Temos voos para Paris, mas ainda temos esgoto a céu aberto”.

> Leia também: Confira como foi o debate dos candidatos ao Governo no Sistema Jangadeiro

Hélio Góis

O candidato do PSL fez questão de lembrar que é aliado ao presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) e apostou na polarização entre esquerda e direita em diversos momentos do debate.

Ele questionou a qualidade da educação no Ceará, mencionando dados do exame internacional do Pisa, criticou gastos com políticas públicas, especialmente voltadas às minorias, e defendeu redução do Estado. “Aquilo que dá para maquiar e mostrar como carro-chefe o governo explora”, disse Góis.

O advogado defendeu ainda que “educação se tem em casa, na escola tem ensino” e disse que não investirá em uma educação para passar no vestibular.

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DEBATE ENTRE CANDIDATOS

Camilo se esquiva de confronto sobre segurança e responde ataques com propaganda de governo

Camilo Santana é candidato à reeleição e lidera com folga as intenções de voto no Estado; ele foi questionado sobre área mais crítica de seu governo

Por Jéssica Welma em Eleições 2018

28 de setembro de 2018 às 00:25

Há 2 anos
Candidato à reeleição, Camilo Santana foi principal alvo do debate. (Foto: Reprodução)

Candidato à reeleição, Camilo Santana foi principal alvo do debate. (Foto: Reprodução)

Candidato à reeleição e líder isolado nas pesquisas, o governador do Ceará, Camilo Santana (PT), evitou discussões diretas sobre índices negativos da segurança e respondeu ataques com ações de governo em debate realizado pelo Grupo de Comunicação O POVO, na noite desta quinta-feira (27).

Participaram do evento os candidatos cujos partidos têm representação na Câmara dos Deputados: além de Camilo, General Theophilo (PSDB), Ailton Lopes (PSOL) e Hélio Góis (PSL). Esse foi o primeiro confronto de que o governador participou. Em agosto, ele não compareceu ao debate do Sistema Jangadeiro.

O formato do debate priorizou a sabatina entre os candidatos. Em cada bloco, segundo sorteio realizado previamente, um dos candidatos ficava ao centro e era questionado pelos adversários. Camilo foi o primeiro e principal alvo.

Os três oponentes elencaram índices da violência, como número de homicídios, crescimento de facções, chacinas, ausência de bloqueadores de celulares nos presídios, dentre outros. “O plano de governo do senhor resolve esses problemas?”, perguntou Theophilo.

Ao responder, Camilo saiu em defesa de sua gestão. “Assumi o governo em um período muito difícil do país, de crise econômica e política, seis anos de seca no Ceará, mas arregaçamos as mangas e o Ceará avançou em todas as áreas”, afirmou. Em seguida, elencou que o Ceará é “referência em gestão pública”, “faz concurso público”, “tem bons índices em educação” e “contrata profissionais da segurança”.

“Desafio um estado do Brasil que tenha feito mais investimento de segurança pública do que eu”, disse Camilo

“O problema da violência é um tema nacional pela falta da inoperância do Governo Federal de proteger as fronteiras brasileiras, do Exército Brasileiro de proteger as fronteiras para não entrar drogas no país”, criticou o governador.

Em contrapartida, Theophilo, que é general da reserva do Exército, negou a afirmação de Camilo de que a inoperância é dos militares. Ele atacou o adversário, dizendo ainda que Camilo apresenta o “Ceará da propaganda”, “em que não falta remédio”.

Na tréplica, o governador manteve o tom de defesa a sua gestão, ressaltou investimentos (“contratei 9 mil profissionais de segurança”) e voltou a apontar falta de planejamento e de repasses do Governo Federal.

Quatro candidatos participaram do debate. (Foto: Reprodução)

Quatro candidatos participaram do debate. (Foto: Reprodução)

Ailton Lopes questionou Camilo sobre a frase do secretário da Segurança Pública, André Costa, de que a chacina no Forró do Gago, em janeiro deste ano, havia sido “um fato isolado”. “Quantas vidas precisam ser ceifadas para vocês deixarem de dizer que é um fato isolado?”, disse Ailton.

“Você nunca me ouviu falar que foi um caso isolado”, respondeu Camilo, desautorizando a fala do secretário. Na época, um frase do governador também gerou problema, ao dizer que a situação estava “sob controle”. “O problema da violência é do pais inteiro”, afirmou Camilo no debate.

Diante da pressão, o governador manteve estratégia de “falar com a população” e apresentou ações de sua gestão, especialmente na área da educação, de recursos hídricos, de geração de empregos e de programas para juventude.

Já Hélio Góis perguntou a Camilo “como é receber ordem de dentro do presídio?”. “Não recebo ordens de ninguém”, rebateu o governador. O candidato do PSL tentou nacionalizar o debate, citando o governo federal e a gestão do PT. O petista disse que Góis “precisa estudar mais” e citou investimentos.

General Theophilo

O candidato do PSDB focou em temas na área da segurança, defendeu vigilância de fronteiras e uso de Scanners, tecnologia e cães farejadores para controlar tráfico de drogas.

Questionado por Ailton, ele disse que, se eleito, deve revogar medida de Camilo Santana que congela investimentos em saúde e educação por 10 anos no Estado. Na educação, o candidato defendeu padrão militar para o ensino médio.

Em resposta a Camilo sobre gestão de recursos hídricos, Theophilo prometeu investir em dessalinização e perfuração de poços. Ele criticou atrasos na obra de transposição do rio São Francisco e disse que, após visita ao canteiro de obras na cidade de Jati, percebeu que “a transposição não chega essa ano”, informação rebatida por Camilo.

> Leia também: Data Debate: Veja quais candidatos falaram mais vezes a palavra “segurança” durante programa

Ailton Lopes

O candidato do Psol fez críticas incisivas ao Governo. Ele lembrou que a termelétrica recebeu muitos recursos, mas gerou apenas 300 empregos. Ailton defendeu investimento em agricultura familiar e na vocação econômica de cada região.

Disse ainda que, se eleito, ampliará para até 30% o investimento em educação e em infraestrutura adequada para as escolas. Ailton e Theophilo criticaram calor na salas de aula.

Ailton lembrou ainda aliança de Camilo com o presidente do Senado Eunício Oliveira (MDB) sob o argumento de que iria receber recursos federais, mas “reclama da falta de verbas da União”. Ele ainda afirmou que Eunício entrou na aliança com Camilo “para salvar a própria pele”.

O candidato do Psol criticou o modelo econômico do governo e, após Camilo ressaltar investimentos no hub aéreo, com aumento no número de voos diários, disparou: “Temos voos para Paris, mas ainda temos esgoto a céu aberto”.

> Leia também: Confira como foi o debate dos candidatos ao Governo no Sistema Jangadeiro

Hélio Góis

O candidato do PSL fez questão de lembrar que é aliado ao presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) e apostou na polarização entre esquerda e direita em diversos momentos do debate.

Ele questionou a qualidade da educação no Ceará, mencionando dados do exame internacional do Pisa, criticou gastos com políticas públicas, especialmente voltadas às minorias, e defendeu redução do Estado. “Aquilo que dá para maquiar e mostrar como carro-chefe o governo explora”, disse Góis.

O advogado defendeu ainda que “educação se tem em casa, na escola tem ensino” e disse que não investirá em uma educação para passar no vestibular.