662 vidas interrompidas: homicídios em Fortaleza crescem 30%


662 vidas interrompidas: homicídios em Fortaleza crescem 30%

A Barra do Ceará aparece com um dos bairros mais perigosos de Fortaleza. Somente neste ano aconteceram 30 homicídios na região

Por Roberta Tavares em Fortaleza

15 de maio de 2013 às 12:40

Há 7 anos

O número de assassinatos em Fortaleza é assustador. Somente em 2013, 662 vidas foram interrompidas por homicídios dolosos (com intenção de matar) na capital cearense. Os dados da Secretaria de Segurança e Defesa Social do Ceará (SSPDS) apontam um aumento de 30,1% em relação aos quatro primeiros meses de 2012. O relatório dos homicídios acontecidos em 2013 indica que março foi o mês mais violento deste ano. Foram registrados 225 assassinatos.

A Barra do Ceará aparece com um dos bairros mais perigosos de Fortaleza. Somente neste ano aconteceram 30 homicídios na região. Em 2012, durante o 1º quadrimestre, foram registrados 22 assassinatos. No Bom Jardim, outro bairro com grande número de homicídios, aconteceram 22 crimes deste tipo em 2013. São 10 a mais do que no ano passado.

De acordo com o comandante da 3ª Companhia do 5º Batalhão da Polícia Militar, Major Océlio Alves, o grande contingente populacional da Barra do Ceará é o principal motivo de o bairro ser um dos mais violentos da capital. “O bairro é enorme e contempla muitas áreas carentes”.

Alves assegura que o número de homicídios vai diminuir na região devido à operação de ocupação que acontece desde abril. “Estamos ocupando os locais mais críticos com policiais do Raio [Ronda de Ações Intensivas e Ostensivas], Batalhão de Choque e Cavalaria”.

Segundo ele, em média, 15 viaturas trafegam diariamente na Barra do Ceará, cada uma com três policiais. “Daqui para o meio do ano com certeza os homicídios vão diminuir”, promete.

Medidas de combate

Conforme o coordenador do Laboratório de Estudos da Violência (LEV), da Universidade Federal do Ceará (UFC), professor e sociólogo César Barreira, ter uma “polícia de proximidade” implica investir na preparação dos policiais que estão nas ruas. “Precisamos ter um policial mais preparado para trabalhar com as complexidades do mundo contemporâneo. O policial deve compreender essas complexidades, que envolvem trabalhar com juventude, com questão de gênero e com questões de vizinhança”, diz o cientista social.

Já a professora e pesquisadora da área de conflitualidade e violência urbana, vinculada ao Laboratório de Estudos da Violência, da UFC, Celina Amália, é preciso maior integridade entre as diversas áreas. “A gente observa que é preciso ter uma maior integração de políticas públicas, entendo que segurança não pode ser vista de forma isolada, ela precisa ser vista com a educação, com a saúde, com as demais políticas públicas, e isso não ocorre”, finaliza.

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662 vidas interrompidas: homicídios em Fortaleza crescem 30%

A Barra do Ceará aparece com um dos bairros mais perigosos de Fortaleza. Somente neste ano aconteceram 30 homicídios na região

Por Roberta Tavares em Fortaleza

15 de maio de 2013 às 12:40

Há 7 anos

O número de assassinatos em Fortaleza é assustador. Somente em 2013, 662 vidas foram interrompidas por homicídios dolosos (com intenção de matar) na capital cearense. Os dados da Secretaria de Segurança e Defesa Social do Ceará (SSPDS) apontam um aumento de 30,1% em relação aos quatro primeiros meses de 2012. O relatório dos homicídios acontecidos em 2013 indica que março foi o mês mais violento deste ano. Foram registrados 225 assassinatos.

A Barra do Ceará aparece com um dos bairros mais perigosos de Fortaleza. Somente neste ano aconteceram 30 homicídios na região. Em 2012, durante o 1º quadrimestre, foram registrados 22 assassinatos. No Bom Jardim, outro bairro com grande número de homicídios, aconteceram 22 crimes deste tipo em 2013. São 10 a mais do que no ano passado.

De acordo com o comandante da 3ª Companhia do 5º Batalhão da Polícia Militar, Major Océlio Alves, o grande contingente populacional da Barra do Ceará é o principal motivo de o bairro ser um dos mais violentos da capital. “O bairro é enorme e contempla muitas áreas carentes”.

Alves assegura que o número de homicídios vai diminuir na região devido à operação de ocupação que acontece desde abril. “Estamos ocupando os locais mais críticos com policiais do Raio [Ronda de Ações Intensivas e Ostensivas], Batalhão de Choque e Cavalaria”.

Segundo ele, em média, 15 viaturas trafegam diariamente na Barra do Ceará, cada uma com três policiais. “Daqui para o meio do ano com certeza os homicídios vão diminuir”, promete.

Medidas de combate

Conforme o coordenador do Laboratório de Estudos da Violência (LEV), da Universidade Federal do Ceará (UFC), professor e sociólogo César Barreira, ter uma “polícia de proximidade” implica investir na preparação dos policiais que estão nas ruas. “Precisamos ter um policial mais preparado para trabalhar com as complexidades do mundo contemporâneo. O policial deve compreender essas complexidades, que envolvem trabalhar com juventude, com questão de gênero e com questões de vizinhança”, diz o cientista social.

Já a professora e pesquisadora da área de conflitualidade e violência urbana, vinculada ao Laboratório de Estudos da Violência, da UFC, Celina Amália, é preciso maior integridade entre as diversas áreas. “A gente observa que é preciso ter uma maior integração de políticas públicas, entendo que segurança não pode ser vista de forma isolada, ela precisa ser vista com a educação, com a saúde, com as demais políticas públicas, e isso não ocorre”, finaliza.