Fernanda Quinderé tem obra vetada por família de Vinícius de Moraes


Fernanda Quinderé tem obra vetada por família de Vinícius de Moraes

A atriz e escritora carioca recebeu o título de cidadã cearense em 2002

Por Thalyta Martins em Fortaleza

29 de outubro de 2013 às 07:29

Há 6 anos
Com 140 páginas e um contrato assinado com a Editora Sonora, o livro "Vinicius cheio de graças" foi feito a partir da interpretação da autora nas entrelinhas da obra do músico (FOTO: Divulgação)

Com 140 páginas e um contrato assinado com a Editora Sonora, o livro “Vinicius cheio de graças” foi feito a partir da interpretação da autora nas entrelinhas da obra do músico (FOTO: Divulgação)

“Viniciana de carteirinha”, a atriz e escritora carioca que recebeu título de cidadã cearense em 2002, Fernanda Quinderé, escreveu um livro sobre a ironia na obra de Vinícius de Moraes, mas não teve autorização para publicá-lo. Em entrevista ao programa Tribuna Band News Edição da Noite nesta segunda-feira (28), a escritora falou sobre a polêmica em torno da proibição de sua obra e das biografias no cenário nacional.

Com 140 páginas e um contrato assinado com a Editora Sonora, o livro “Vinicius cheio de graças” foi feito a partir da interpretação da autora nas entrelinhas da obra do músico. “Não seria uma biografia, seria uma utilização da obra. Eu fui buscando nas entrelinhas essa ironia e essa graça, por mais lírico que ele seja eu acho que tem uma certa ironia em tudo isso, fiz o meu trabalho” explica.

Fernanda conta que a ideia de escrever sobre as poesias do poetinha surgiu na última vez que viajou ao Rio de Janeiro, há cerca de um ano, e conversou com a amiga, Georgiana de Moraes, filha do artista. “Liguei para Georgiana e lembrei que faz 30 anos que a gente fez o espetáculo (Viva o Vina) em comemoração aos 70 anos dele. Disse ‘tenho muita vontade de tirar do texto de Vinicius a ironia e a graça dele’ e ela me deu corda pra fazer. Desde então fiquei interessada.”

A escritora disse ainda que a amiga achou a iniciativa original e aprovou o resultado, já que a grande maioria de trabalhos sobre a obra de Vinicius são coletâneas ou pacotes específicos. Mesmo com o aval de uma das filhas, a publicação do trabalho de Quinderé foi negado pela família do escritor. “Depois do livro pronto, eles leram. Foi demorado e depois disseram que não autorizam.”

Quando questionada sobre o motivo da proibição ela é categórica. “Por que que eu tenho que perguntar se eles só me disseram que não autorizaram? Não tem o que perguntar, não é não.” E mostra incompreensão aos critérios da decisão pois não escreveu sobre a vida íntima do artista, mas de sua obra. “Eu acho que a legislação atual diz que pode publicar mediante um acerto entre as pessoas e se houver inverdades, eu sou a favor que ele tenha o direito de reclamar, não no sentido da prévia censura. É impossível deixar de fazer determinadas citações como onde ele nasceu e morreu. Não falei das mulheres que ele teve, das bobagens que ele falou, só falei da obra dele.”

Sobre a polêmica das biografias, Fernanda não escondeu a frustração de ter uma obra censurada e desabafou. “Eu acho que é falta do que fazer, acho melhor que eles calem a boca e vão fazer as composições deles. O Chico (Buarque) é eclético, um grande compositor, uma bobagem ele dizer que é contra. Eu acho que é uma questão financeira, meu editor disse ‘Liga pra lá e oferece 50% dos royalties’ e eu neguei. Tenho dignidade, eu não vou negociar, não sou mercantilista. Para mim não interessa, deixa o Paulo Coelho ganhar dinheiro.”

Procure Saber

A Associação Procure Saber, liderada por Roberto Carlos, e da qual fazem parte grandes nomes da música brasileira como Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, entre outro, apoia o Projeto de Lei do Senado 129 e defende a criação do Instituto Brasileiro de Direito Autoral para fiscalizar as publicações, regular e mediar conflitos entre biografados e biógrafos.

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Fernanda Quinderé tem obra vetada por família de Vinícius de Moraes

A atriz e escritora carioca recebeu o título de cidadã cearense em 2002

Por Thalyta Martins em Fortaleza

29 de outubro de 2013 às 07:29

Há 6 anos
Com 140 páginas e um contrato assinado com a Editora Sonora, o livro "Vinicius cheio de graças" foi feito a partir da interpretação da autora nas entrelinhas da obra do músico (FOTO: Divulgação)

Com 140 páginas e um contrato assinado com a Editora Sonora, o livro “Vinicius cheio de graças” foi feito a partir da interpretação da autora nas entrelinhas da obra do músico (FOTO: Divulgação)

“Viniciana de carteirinha”, a atriz e escritora carioca que recebeu título de cidadã cearense em 2002, Fernanda Quinderé, escreveu um livro sobre a ironia na obra de Vinícius de Moraes, mas não teve autorização para publicá-lo. Em entrevista ao programa Tribuna Band News Edição da Noite nesta segunda-feira (28), a escritora falou sobre a polêmica em torno da proibição de sua obra e das biografias no cenário nacional.

Com 140 páginas e um contrato assinado com a Editora Sonora, o livro “Vinicius cheio de graças” foi feito a partir da interpretação da autora nas entrelinhas da obra do músico. “Não seria uma biografia, seria uma utilização da obra. Eu fui buscando nas entrelinhas essa ironia e essa graça, por mais lírico que ele seja eu acho que tem uma certa ironia em tudo isso, fiz o meu trabalho” explica.

Fernanda conta que a ideia de escrever sobre as poesias do poetinha surgiu na última vez que viajou ao Rio de Janeiro, há cerca de um ano, e conversou com a amiga, Georgiana de Moraes, filha do artista. “Liguei para Georgiana e lembrei que faz 30 anos que a gente fez o espetáculo (Viva o Vina) em comemoração aos 70 anos dele. Disse ‘tenho muita vontade de tirar do texto de Vinicius a ironia e a graça dele’ e ela me deu corda pra fazer. Desde então fiquei interessada.”

A escritora disse ainda que a amiga achou a iniciativa original e aprovou o resultado, já que a grande maioria de trabalhos sobre a obra de Vinicius são coletâneas ou pacotes específicos. Mesmo com o aval de uma das filhas, a publicação do trabalho de Quinderé foi negado pela família do escritor. “Depois do livro pronto, eles leram. Foi demorado e depois disseram que não autorizam.”

Quando questionada sobre o motivo da proibição ela é categórica. “Por que que eu tenho que perguntar se eles só me disseram que não autorizaram? Não tem o que perguntar, não é não.” E mostra incompreensão aos critérios da decisão pois não escreveu sobre a vida íntima do artista, mas de sua obra. “Eu acho que a legislação atual diz que pode publicar mediante um acerto entre as pessoas e se houver inverdades, eu sou a favor que ele tenha o direito de reclamar, não no sentido da prévia censura. É impossível deixar de fazer determinadas citações como onde ele nasceu e morreu. Não falei das mulheres que ele teve, das bobagens que ele falou, só falei da obra dele.”

Sobre a polêmica das biografias, Fernanda não escondeu a frustração de ter uma obra censurada e desabafou. “Eu acho que é falta do que fazer, acho melhor que eles calem a boca e vão fazer as composições deles. O Chico (Buarque) é eclético, um grande compositor, uma bobagem ele dizer que é contra. Eu acho que é uma questão financeira, meu editor disse ‘Liga pra lá e oferece 50% dos royalties’ e eu neguei. Tenho dignidade, eu não vou negociar, não sou mercantilista. Para mim não interessa, deixa o Paulo Coelho ganhar dinheiro.”

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A Associação Procure Saber, liderada por Roberto Carlos, e da qual fazem parte grandes nomes da música brasileira como Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, entre outro, apoia o Projeto de Lei do Senado 129 e defende a criação do Instituto Brasileiro de Direito Autoral para fiscalizar as publicações, regular e mediar conflitos entre biografados e biógrafos.