Bairros pobres de Fortaleza sofrem com violência enquanto ricos estão 'seguros'


Bairros pobres de Fortaleza sofrem com violência enquanto ricos estão ‘seguros’

Para o coordenador do Laboratório de Estudos da Violência (LEV), César Barreira, há uma relação direta entre desigualdade social e violência

Por Tribuna do Ceará em Fortaleza

27 de março de 2013 às 16:46

Há 7 anos

*Alan Barros e Hayanne Narlla

A desigualdade social é notável pelas ruas de Fortaleza, não pelos muros das casas ou pelo comércio existente nos bairros. Propagandas, infraestrutura, até um asfalto mais “cuidado” são índices de que existem bairros mais ricos e mais pobres.

Além disso, a violência é um potencializador dessa desigualdade. Isso porque nos dez bairros com maior renda, durante os meses de janeiro e fevereiro de 2013, foram registrados dez homicídios, 36 armas de fogo apreendidas, 221 gramas em drogas apreendidas (75 gramas de cocaína, 81 gramas de crack e 104 gramas de maconha) e 93 veículos roubados, segundo a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS).

Já nos dez bairros com menor renda, durante o mesmo período, foram registrados 53 homicídios, 59 armas de fogo apreendidas, 2 quilos e 313 gramas em drogas apreendidas (312 gramas de cocaína, 108 gramas de crack e 1 quilo e 893 gramas de maconha) e 92 veículos furtados.

ARTE: Tiago Leite/Tribuna do Ceará

ARTE: Tiago Leite/Tribuna do Ceará

Lista dos dez mais

De acordo com o perfil socioeconômico de Fortaleza divulgado pelo Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece), os dez bairros com maior renda mensal são Meireles, Guararapes, Cocó, De Lourdes, Aldeota, Mucuripe, Dionísio Torres, Varjota, Praia de Iracema e Fátima.

Os dez bairros com menor renda mensal são Conjunto Palmeiras, Parque Presidente Vargas, Canindezinho, Siqueira, Genibaú, Granja Portugal, Pirambu, Granja Lisboa, Autran Nunes e Bom Jardim.

Análise do contexto

Para o coordenador do Laboratório de Estudos da Violência (LEV), César Barreira, há uma relação direta entre desigualdade social e violência. “Nesse sentido, os bairros com menor renda são lugares propícios para que hajam práticas violentas e disputa por determinados bens”, explicou. Já os bairros mais ricos possuem maior número de furtos e roubos.

“Essa questão está, de certa forma, mudando o cenário de relações sociais. Antes não tínhamos roubos e furtos onde as pessoas residem. Por exemplo: a pessoa da mesma favela, pessoa do mesmo bairro periférico, a vizinhança. Mas hoje está mudando, pois vamos presenciar cenas de furtos nesses bairros entre vizinhos”, relatou.

Sobre homicídios e apreensão de armas, Barreira declarou que tal questão é ligada à resolução de conflitos sociais com o usa da violência. “Em vez de usar diálogo e a fala, usa-se armas. A arma mais presente é a de fogo e ela é letal, diferente da arma branca que poderíamos classificar como “semiletal”.

Causas

Dentre as causas, o pesquisador apontou vários aspectos, sendo o principal o tráfico de drogas, seguido da circulação de armas de fogo. “Esses aspectos podem explicar o aumento de homicídios”, disse.

Outra aspecto seria a carência de políticas públicas específicas para solucionar cada problema. Já o quarto aspecto seria a dimensão cultural da resolução de conflitos sociais com o uso da violência. Barreira ressaltou que tal resolução não acontece somente no Ceará, mas em todo Brasil, quebrando com a aparente cordialidade do brasileiro.

O que a PM faz para combater a diferença?

O tenente-coronel Fernando Albano, relações públicas da Polícia Militar, defende que essa desigualdade é combatida com a presença ostensiva e preventiva do policiamento. Ele garante que a PM atua com base nos dados estatísticos para organizar as estratégias de combate à violência nesses bairros em que há maior incidência. “Mas o crime é migratório e a Polícia Militar se organiza com base nessas mudanças”, explica.

Albano também esclarece que a maior quantidade de apreensões de armas de fogo e drogas em alguns bairros se deve à maior presença da PM nessa região. “E estamos mais atuantes nesses bairros, porque as estatísticas revelam que esse tipo de crime é mais comum nessas áreas”, acrescenta.

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Bairros pobres de Fortaleza sofrem com violência enquanto ricos estão ‘seguros’

Para o coordenador do Laboratório de Estudos da Violência (LEV), César Barreira, há uma relação direta entre desigualdade social e violência

Por Tribuna do Ceará em Fortaleza

27 de março de 2013 às 16:46

Há 7 anos

*Alan Barros e Hayanne Narlla

A desigualdade social é notável pelas ruas de Fortaleza, não pelos muros das casas ou pelo comércio existente nos bairros. Propagandas, infraestrutura, até um asfalto mais “cuidado” são índices de que existem bairros mais ricos e mais pobres.

Além disso, a violência é um potencializador dessa desigualdade. Isso porque nos dez bairros com maior renda, durante os meses de janeiro e fevereiro de 2013, foram registrados dez homicídios, 36 armas de fogo apreendidas, 221 gramas em drogas apreendidas (75 gramas de cocaína, 81 gramas de crack e 104 gramas de maconha) e 93 veículos roubados, segundo a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS).

Já nos dez bairros com menor renda, durante o mesmo período, foram registrados 53 homicídios, 59 armas de fogo apreendidas, 2 quilos e 313 gramas em drogas apreendidas (312 gramas de cocaína, 108 gramas de crack e 1 quilo e 893 gramas de maconha) e 92 veículos furtados.

ARTE: Tiago Leite/Tribuna do Ceará

ARTE: Tiago Leite/Tribuna do Ceará

Lista dos dez mais

De acordo com o perfil socioeconômico de Fortaleza divulgado pelo Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece), os dez bairros com maior renda mensal são Meireles, Guararapes, Cocó, De Lourdes, Aldeota, Mucuripe, Dionísio Torres, Varjota, Praia de Iracema e Fátima.

Os dez bairros com menor renda mensal são Conjunto Palmeiras, Parque Presidente Vargas, Canindezinho, Siqueira, Genibaú, Granja Portugal, Pirambu, Granja Lisboa, Autran Nunes e Bom Jardim.

Análise do contexto

Para o coordenador do Laboratório de Estudos da Violência (LEV), César Barreira, há uma relação direta entre desigualdade social e violência. “Nesse sentido, os bairros com menor renda são lugares propícios para que hajam práticas violentas e disputa por determinados bens”, explicou. Já os bairros mais ricos possuem maior número de furtos e roubos.

“Essa questão está, de certa forma, mudando o cenário de relações sociais. Antes não tínhamos roubos e furtos onde as pessoas residem. Por exemplo: a pessoa da mesma favela, pessoa do mesmo bairro periférico, a vizinhança. Mas hoje está mudando, pois vamos presenciar cenas de furtos nesses bairros entre vizinhos”, relatou.

Sobre homicídios e apreensão de armas, Barreira declarou que tal questão é ligada à resolução de conflitos sociais com o usa da violência. “Em vez de usar diálogo e a fala, usa-se armas. A arma mais presente é a de fogo e ela é letal, diferente da arma branca que poderíamos classificar como “semiletal”.

Causas

Dentre as causas, o pesquisador apontou vários aspectos, sendo o principal o tráfico de drogas, seguido da circulação de armas de fogo. “Esses aspectos podem explicar o aumento de homicídios”, disse.

Outra aspecto seria a carência de políticas públicas específicas para solucionar cada problema. Já o quarto aspecto seria a dimensão cultural da resolução de conflitos sociais com o uso da violência. Barreira ressaltou que tal resolução não acontece somente no Ceará, mas em todo Brasil, quebrando com a aparente cordialidade do brasileiro.

O que a PM faz para combater a diferença?

O tenente-coronel Fernando Albano, relações públicas da Polícia Militar, defende que essa desigualdade é combatida com a presença ostensiva e preventiva do policiamento. Ele garante que a PM atua com base nos dados estatísticos para organizar as estratégias de combate à violência nesses bairros em que há maior incidência. “Mas o crime é migratório e a Polícia Militar se organiza com base nessas mudanças”, explica.

Albano também esclarece que a maior quantidade de apreensões de armas de fogo e drogas em alguns bairros se deve à maior presença da PM nessa região. “E estamos mais atuantes nesses bairros, porque as estatísticas revelam que esse tipo de crime é mais comum nessas áreas”, acrescenta.