Terapia Comunitária: Quando a palavra é a cura para os sofrimentos


Terapia Comunitária: Quando a palavra é a cura para os sofrimentos

O professor da UFC Adalberto Barreto desempenha a metodologia da Terapia Comunitária Integrativa, criada por ele, e aplicada no Projeto 4 varas

Por Matheus Ribeiro em Fortaleza

18 de novembro de 2012 às 07:43

Há 7 anos

“O remédio é a palavra”, é o que diz o professor da Universidade Federal do Ceará (UFC), doutor em psiquiatria e antropologia, Adalberto Barreto. Ele desempenha, há mais de 25 anos, a metodologia da Terapia Comunitária Integrativa, criada por ele, e aplicada no Projeto 4 varas, no Bairro Pirambu, em Fortaleza.

“Na Terapia Comunitária, a palavra é o remédio e a bússola para quem fala e para quem ouve. É da partilha de experiência entre as pessoas que se alivia o sofrimento das dores. A comunidade busca nela mesma as soluções para os seus problemas que, isoladamente, a pessoa, sua família e o poder público não foram capazes de sanar”, disse Adalberto Barreto.

Sobre a terapia

A Terapia Comunitária é reconhecida pelo Ministério da Saúde e, de acordo com Adalberto Barreto, consiste na troca de experiências, através de sessões de conversas, tendo um terapeuta comunitário como mediador que objetiva a valorização das histórias de vidas dos participantes, o resgate da identidade, a restauração da autoestima etc.

“Todos são convidados a serem responsáveis na busca da superação dos desafios do cotidiano ao sair da posição de vitimas, objetos para corresponsáveis, parceiros, sujeitos”, informou. Ainda segundo Adalberto, as sessões são um espaço de palavra, de escuta e de vínculo, permitindo a partir de uma situação problema, emergir de estratégias para enfrentar as inquietações.

Problemas que podem ser tratados

De acordo com Adalberto Barreto, as sessões são recomendadas para qualquer pessoa que esteja vivendo alguma preocupação ou inquietação diante da vida. ‘São pessoas que estão vivendo um sofrimento, que vivem um caos afetivo, relacional ou emocional. As partilhas ocorrem de forma circular, uma vez que o que é valorizado não são as diferenças entre os participantes, mas a variedade das experiências de vida’, pontuou.

Pesquisa realizada pela UFC, com o apoio da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad), identificou que 26% das pessoas que procuram as sessões da Terapia Comunitária por motivos de stress e emoções negativas. Os outros são por motivos de conflitos familiares, dependências de álcool e outras drogas, depressões e outros conflitos.

Como participar de uma sessão de terapia comunitária?

Em Fortaleza, as sessões da terapia acontecem em todas as regionais de Fortaleza através do Projeto 4 Varas. As reuniões acontecem todas as quintas-feiras, às 14 horas e é aberta ao publico. ‘As sessões são gratuitas, não precisa marcar e é só chegar e participar’, informou o professor.

Não há limite de participantes. ‘Normalmente participam das rodas de terapia comunitária 80 pessoas, mas já realizamos rodas de Terapia com mais de 200 pessoas, tudo vai depender do espaço’, completou.

O livro ‘Quando a boca cala os órgãos falam’

Em novembro, Adalberto lançou o livro ‘Quando a boca cala os órgãos falam’, que, segundo ele, é uma ferramenta para leigos e profissionais da saúde, que queiram se aprofundar e agregar valores a experiência de sofrer, ficar enfermo e cuidar. “Ele traz pistas importantes para que se possa explorar nas anamneses, aspectos específicos de determinadas enfermidades e sofrimentos”, disse.

O livro apresenta uma síntese das várias leituras psicoenergéticas e simbólicas dos sintomas gerados por diversas culturas, além de experiências de vários autores, enriquecida pela experiência do autor. “Ele nos convida a sermos decifradores de nós mesmos, das falas do nosso corpo, que com sua linguagem própria diz sobre nós, sobre o contexto vivido e sobre nossas heranças transgeracionais. Desta forma podemos transformar a doença numa oportunidade para rever valores, repensar relacionamentos e postura no mundo”, pontuou o autor.

Projeto 4 Varas

No Projeto 4 Varas, a aplicação da Terapia Comunitária visa lutar contra todo tipo de exclusão e promover a integração de pessoas no resgate da dignidade e da cidadania; Favorecer o desenvolvimento comunitário e valorizar as instituições tradicionais, portadoras de sabedoria popular e da identidade cultural entre outros objetivos.

“Nossa grande preocupação tem sido, por um lado, investir na prevenção e por outro, procurar criar um modelo de atendimento as pessoas em crise, que leve em conta os recursos e as peculiaridades da cultura local”, finalizou Adalberto.

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Terapia Comunitária: Quando a palavra é a cura para os sofrimentos

O professor da UFC Adalberto Barreto desempenha a metodologia da Terapia Comunitária Integrativa, criada por ele, e aplicada no Projeto 4 varas

Por Matheus Ribeiro em Fortaleza

18 de novembro de 2012 às 07:43

Há 7 anos

“O remédio é a palavra”, é o que diz o professor da Universidade Federal do Ceará (UFC), doutor em psiquiatria e antropologia, Adalberto Barreto. Ele desempenha, há mais de 25 anos, a metodologia da Terapia Comunitária Integrativa, criada por ele, e aplicada no Projeto 4 varas, no Bairro Pirambu, em Fortaleza.

“Na Terapia Comunitária, a palavra é o remédio e a bússola para quem fala e para quem ouve. É da partilha de experiência entre as pessoas que se alivia o sofrimento das dores. A comunidade busca nela mesma as soluções para os seus problemas que, isoladamente, a pessoa, sua família e o poder público não foram capazes de sanar”, disse Adalberto Barreto.

Sobre a terapia

A Terapia Comunitária é reconhecida pelo Ministério da Saúde e, de acordo com Adalberto Barreto, consiste na troca de experiências, através de sessões de conversas, tendo um terapeuta comunitário como mediador que objetiva a valorização das histórias de vidas dos participantes, o resgate da identidade, a restauração da autoestima etc.

“Todos são convidados a serem responsáveis na busca da superação dos desafios do cotidiano ao sair da posição de vitimas, objetos para corresponsáveis, parceiros, sujeitos”, informou. Ainda segundo Adalberto, as sessões são um espaço de palavra, de escuta e de vínculo, permitindo a partir de uma situação problema, emergir de estratégias para enfrentar as inquietações.

Problemas que podem ser tratados

De acordo com Adalberto Barreto, as sessões são recomendadas para qualquer pessoa que esteja vivendo alguma preocupação ou inquietação diante da vida. ‘São pessoas que estão vivendo um sofrimento, que vivem um caos afetivo, relacional ou emocional. As partilhas ocorrem de forma circular, uma vez que o que é valorizado não são as diferenças entre os participantes, mas a variedade das experiências de vida’, pontuou.

Pesquisa realizada pela UFC, com o apoio da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad), identificou que 26% das pessoas que procuram as sessões da Terapia Comunitária por motivos de stress e emoções negativas. Os outros são por motivos de conflitos familiares, dependências de álcool e outras drogas, depressões e outros conflitos.

Como participar de uma sessão de terapia comunitária?

Em Fortaleza, as sessões da terapia acontecem em todas as regionais de Fortaleza através do Projeto 4 Varas. As reuniões acontecem todas as quintas-feiras, às 14 horas e é aberta ao publico. ‘As sessões são gratuitas, não precisa marcar e é só chegar e participar’, informou o professor.

Não há limite de participantes. ‘Normalmente participam das rodas de terapia comunitária 80 pessoas, mas já realizamos rodas de Terapia com mais de 200 pessoas, tudo vai depender do espaço’, completou.

O livro ‘Quando a boca cala os órgãos falam’

Em novembro, Adalberto lançou o livro ‘Quando a boca cala os órgãos falam’, que, segundo ele, é uma ferramenta para leigos e profissionais da saúde, que queiram se aprofundar e agregar valores a experiência de sofrer, ficar enfermo e cuidar. “Ele traz pistas importantes para que se possa explorar nas anamneses, aspectos específicos de determinadas enfermidades e sofrimentos”, disse.

O livro apresenta uma síntese das várias leituras psicoenergéticas e simbólicas dos sintomas gerados por diversas culturas, além de experiências de vários autores, enriquecida pela experiência do autor. “Ele nos convida a sermos decifradores de nós mesmos, das falas do nosso corpo, que com sua linguagem própria diz sobre nós, sobre o contexto vivido e sobre nossas heranças transgeracionais. Desta forma podemos transformar a doença numa oportunidade para rever valores, repensar relacionamentos e postura no mundo”, pontuou o autor.

Projeto 4 Varas

No Projeto 4 Varas, a aplicação da Terapia Comunitária visa lutar contra todo tipo de exclusão e promover a integração de pessoas no resgate da dignidade e da cidadania; Favorecer o desenvolvimento comunitário e valorizar as instituições tradicionais, portadoras de sabedoria popular e da identidade cultural entre outros objetivos.

“Nossa grande preocupação tem sido, por um lado, investir na prevenção e por outro, procurar criar um modelo de atendimento as pessoas em crise, que leve em conta os recursos e as peculiaridades da cultura local”, finalizou Adalberto.