Venda de alimentos no Centro é feita sem vigilância adequada


Venda de alimentos no Centro é feita sem vigilância adequada

Quem passa pelo Centro de Fortaleza não deixa de notar que os ambulantes vendedores de alimentos estão por toda parte

Por Renato Ferreira em Fortaleza

20 de dezembro de 2013 às 17:57

Há 6 anos
Ambulantes conseguem apurar até cerca de R$ 100 por dia (FOTO: Renato Ferreira)

Ambulantes conseguem apurar até cerca de R$ 100 por dia (FOTO: Renato Ferreira)

Quem passa pelo Centro de Fortaleza não deixa de notar que os ambulantes vendedores de alimentos estão por toda parte. Alguns já têm clientela fixa, mas a maior parte são pessoas que passam por ali e compram algo para comer na hora. Por serem de baixo preço, entre R$ 2 e R$ 5, os consumidores dependem da confiança passada por estas pessoas para adquirirem os produtos, já que a Vigilância Sanitária não tem o controle de qualidade devido à falta de um alvará de licença.

Alguns desses comerciantes relatam que existe uma fiscalização que funciona até 16h30. Antes desse horário, eles ficam saindo de um lugar para outro, para não serem pegos. Em seguida, fixam em algum ponto e ficam até 20h. A Secretaria Regional do Centro relatou que o trabalho de fiscalização de alimentos de rua fica por conta da pasta de saúde municipal, a Vigilância Sanitária.

Já a Vigilância informou que a metodologia de trabalho de inspeção só funciona com quem tem um alvará emitido, desconhecendo a vistoria de ambulantes.

Espetinho na esquina

O vendedor de espetinhos de carne, Willamy Júnior, 33, relata que começa o trabalho depois que a fiscalização fica mais tranquila, aproximadamente às 16h. Ele conta que sai todos os dias da semana de Caucaia, Região Metropolitana de Fortaleza, e vai para o Centro, onde o movimento é maior. A preparação da carne é feita por ele mesmo em casa. As bebidas, carvão e gelo, são compradas em depósito todos os dias.

Os lucros do comerciante rendem de R$ 70 a R$ 80 por dia. “Moro com meus pais, vou me casar mês que vem. É daqui que tenho tirado meu sustento, embora eu não pretenda permanecer para sempre neste ramo”, contou.

Segundo Francisco, as batatas são bem lavadas e descascadas em uma máquina própria para depois serem comercializadas (FOTO: Renato Ferreira)

Segundo Francisco, as batatas são bem lavadas e descascadas em uma máquina própria para depois serem comercializadas (FOTO: Renato Ferreira)

Já o batateiro Francisco Leandro Gonçalves da Silva, 42, relata que tem buscado uma permissão para obter um lugar. Ele comanda um dos dois carrinhos de batata frita, enquanto o outro fica por conta da esposa. Esse é o único meio de sustento da família, composta por seis membros. Segundo Francisco, as batatas são bem lavadas e descascadas em uma máquina própria, para depois serem comercializadas.

Os lucros de Francisco vão de R$ 30 a R$ 45 por dia. “Tenho quatro filhos que só estudam, e um carrinho só não dá lucros para sustentar uma casa. É cansativo ficar rodando pelo Centro quando a fiscalização vem, mas estamos buscando uma licença para funcionamento”, declarou.

Legalidade

Sivaldo afirma que os ambulantes em geral têm trazido mais dinheiro para o comércio (FOTO: Renato Ferreira)

Sivaldo afirma que os ambulantes em geral têm trazido mais dinheiro para o comércio (FOTO: Renato Ferreira)

O subgerente de um restaurante e lanchonete no redor da Praça do Ferreira, Tarcio Santos, 36, relata que esse meio de comércio atrapalha. O estabelecimento legal paga energia, Imposto Predial Territorial Urbano (IPTU), aluguel, funcionários e possui alvará de licença. Ele conta que o estabelecimento passou a ter um lucro menor pela concorrência que fica na porta e vende a alimentação mais barata. “Aqui nós trabalhamos com um padrão de qualidade, coisa que eles não fazem. A população tem que ficar de olho pra não se prejudicar”, destacou.

Já o vendedor de pastéis na praça do Teatro José de Alencar, Sivaldo Monteiro, 44, que é permissionário do local, disse que acredita que esses lancheiros têm trazido mais dinheiro para o comércio, se posicionando a favor. A banca de pastéis que ele está a frente é da família, que leva o sustento financeiro da casa.

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Venda de alimentos no Centro é feita sem vigilância adequada

Quem passa pelo Centro de Fortaleza não deixa de notar que os ambulantes vendedores de alimentos estão por toda parte

Por Renato Ferreira em Fortaleza

20 de dezembro de 2013 às 17:57

Há 6 anos
Ambulantes conseguem apurar até cerca de R$ 100 por dia (FOTO: Renato Ferreira)

Ambulantes conseguem apurar até cerca de R$ 100 por dia (FOTO: Renato Ferreira)

Quem passa pelo Centro de Fortaleza não deixa de notar que os ambulantes vendedores de alimentos estão por toda parte. Alguns já têm clientela fixa, mas a maior parte são pessoas que passam por ali e compram algo para comer na hora. Por serem de baixo preço, entre R$ 2 e R$ 5, os consumidores dependem da confiança passada por estas pessoas para adquirirem os produtos, já que a Vigilância Sanitária não tem o controle de qualidade devido à falta de um alvará de licença.

Alguns desses comerciantes relatam que existe uma fiscalização que funciona até 16h30. Antes desse horário, eles ficam saindo de um lugar para outro, para não serem pegos. Em seguida, fixam em algum ponto e ficam até 20h. A Secretaria Regional do Centro relatou que o trabalho de fiscalização de alimentos de rua fica por conta da pasta de saúde municipal, a Vigilância Sanitária.

Já a Vigilância informou que a metodologia de trabalho de inspeção só funciona com quem tem um alvará emitido, desconhecendo a vistoria de ambulantes.

Espetinho na esquina

O vendedor de espetinhos de carne, Willamy Júnior, 33, relata que começa o trabalho depois que a fiscalização fica mais tranquila, aproximadamente às 16h. Ele conta que sai todos os dias da semana de Caucaia, Região Metropolitana de Fortaleza, e vai para o Centro, onde o movimento é maior. A preparação da carne é feita por ele mesmo em casa. As bebidas, carvão e gelo, são compradas em depósito todos os dias.

Os lucros do comerciante rendem de R$ 70 a R$ 80 por dia. “Moro com meus pais, vou me casar mês que vem. É daqui que tenho tirado meu sustento, embora eu não pretenda permanecer para sempre neste ramo”, contou.

Segundo Francisco, as batatas são bem lavadas e descascadas em uma máquina própria para depois serem comercializadas (FOTO: Renato Ferreira)

Segundo Francisco, as batatas são bem lavadas e descascadas em uma máquina própria para depois serem comercializadas (FOTO: Renato Ferreira)

Já o batateiro Francisco Leandro Gonçalves da Silva, 42, relata que tem buscado uma permissão para obter um lugar. Ele comanda um dos dois carrinhos de batata frita, enquanto o outro fica por conta da esposa. Esse é o único meio de sustento da família, composta por seis membros. Segundo Francisco, as batatas são bem lavadas e descascadas em uma máquina própria, para depois serem comercializadas.

Os lucros de Francisco vão de R$ 30 a R$ 45 por dia. “Tenho quatro filhos que só estudam, e um carrinho só não dá lucros para sustentar uma casa. É cansativo ficar rodando pelo Centro quando a fiscalização vem, mas estamos buscando uma licença para funcionamento”, declarou.

Legalidade

Sivaldo afirma que os ambulantes em geral têm trazido mais dinheiro para o comércio (FOTO: Renato Ferreira)

Sivaldo afirma que os ambulantes em geral têm trazido mais dinheiro para o comércio (FOTO: Renato Ferreira)

O subgerente de um restaurante e lanchonete no redor da Praça do Ferreira, Tarcio Santos, 36, relata que esse meio de comércio atrapalha. O estabelecimento legal paga energia, Imposto Predial Territorial Urbano (IPTU), aluguel, funcionários e possui alvará de licença. Ele conta que o estabelecimento passou a ter um lucro menor pela concorrência que fica na porta e vende a alimentação mais barata. “Aqui nós trabalhamos com um padrão de qualidade, coisa que eles não fazem. A população tem que ficar de olho pra não se prejudicar”, destacou.

Já o vendedor de pastéis na praça do Teatro José de Alencar, Sivaldo Monteiro, 44, que é permissionário do local, disse que acredita que esses lancheiros têm trazido mais dinheiro para o comércio, se posicionando a favor. A banca de pastéis que ele está a frente é da família, que leva o sustento financeiro da casa.