Fortalezenses contam vantagens de trocar o carro pela bicicleta na ida ao trabalho


Fortalezenses contam vantagens de trocar o carro pela bicicleta na ida ao trabalho

Em mais um passo da cultura das bicicletas em Fortaleza, cada vez mais profissionais deixam o carro em casa e optam pelas pedaladas no caminho até o trabalho

Por Renata Monte em Mobilidade Urbana

27 de abril de 2015 às 07:00

Há 4 anos
Humberto é servidor público e percorre 7km de bicicleta para ir ao trabalho (FOTO: Fernanda Moura/Tribuna do Ceará)

Humberto é servidor público e percorre 7km de bicicleta para ir ao trabalho (FOTO: Fernanda Moura/Tribuna do Ceará)

A cultura do uso das bicicletas vem crescendo cada vez mais, em Fortaleza, desde a implantação de ciclovias e ciclofaixas e a chegada do programa Bicicletar. Além do lazer, o modal passou a ser utilizado também como meio de transporte alternativo para ir ao trabalho. Cearenses como Humberto Quezado, Paulo Probo e Evaldo Lima resolveram deixar seus carros em casa e adotar a “magrela”. Eles garantem que é bem mais vantajoso pedalar do que dirigir.

Os comentários de que optou por usar bicicleta, geralmente, são os mesmos. O transporte não polui, não fica preso em engarrafamentos e ainda ajuda na saúde de quem pedala. O servidor público Humberto Quezado mudou de atitude há dois meses, mas já sente a diferença que o uso da bicicleta para ir trabalhar causou em sua vida. “Eu já pedalava antes, porque tenho diabetes e meu médico recomendou que eu praticasse exercícios. Resolvi ir de bike para o trabalho e não parei mais”, explica.

Humberto conta que, antes de pedalar, fazia caminhadas por conta de sua saúde, mas por um problema do pé, seu ortopedista recomendou que ele procurasse praticar outro exercício. “Foi então que eu decidi comprar minha bicicleta”. Para o servidor, é mais vantajoso ir de bicicleta ao trabalho, principalmente, porque gasta menos tempo no trânsito. Em um percurso de 7 km, o servidor pedala durante 25 minutos. Além disso, ele notou uma melhora considerável em sua saúde. “Hoje, eu fico bem mais disposto durante o dia”.

O percurso de Humberto é feito em apenas 15 minutos (FOTO: Fernanda Moura/Tribuna do Ceará)

O percurso de Humberto é feito em apenas 15 minutos (FOTO: Fernanda Moura/Tribuna do Ceará)

A desvantagem é somente pelo clima quente de Fortaleza. Nada que comprometa sua pedalada diária. Humberto leva outra roupa e troca ao chegar ao trabalho. “Se toda empresa tivesse um bom banheiro, onde os funcionários pudessem trocar de roupa, seria bem melhor”.

Paulo Probo é professor, guia turístico e ciclista “desde criancinha”, mas foi a situação cada vez mais caótica do trânsito da cidade que fez com que ele trocasse seu carro por bicicleta. Ele conta que hoje, de bike, realiza em 15 minutos um trajeto que costumava demorar até 40 minutos para fazer, quando estava de carro. “Eu sempre pedalei. Desde quando não tinha nada de ciclofaixa. As pessoas chegavam até a me olhar estranho, mas de uns tempos pra cá as coisas melhoraram imensamente”, conta o professor.

“Se toda empresa tivesse um bom banheiro, onde os funcionários pudessem trocar de roupa, seria bem melhor”. (Humberto Quezado)

Segundo Paulo, as condições climáticas de Fortaleza não devem ser usadas como desculpa para não sair de bicicleta. Ele diz que a dica é levar uma outra roupa na mochila e trocar no trabalho. “Mesmo com o nosso clima quente, ainda vale a pena fazer isso”, conta o integrante do grupo Ciclovida, que realiza passeios coletivos, ensina outras pessoas a pedalar e visita lugares históricos da cidade de bicicletas.

Quem também resolveu aderir à cultura de bicicletas foi o vereador Evaldo Lima (PCdoB), que diz manter uma relação muito mais próxima com a própria cidade depois que passou a utilizar o transporte alternativo. O político começou a pedalar em outubro do ano passado, quando decidiu pôr em prática sua relação teórica com os transportes não poluentes. “Fui relator do Plano Diretor Cicloviário, mas percebi que não bastava ficar tudo na teoria. Fiz da bicicleta uma ferramenta de aproximação com a cidade”, explica.

Evaldo explica que só não usa a bicicleta em dias de chuva (FOTO: Reprodução/Facebook)

Evaldo Lima explica que só não usa a bicicleta em dias de chuva (FOTO: Reprodução/Facebook)

Evaldo diz que o transporte o modificou de forma particular. Ele passou a enxergar a cidade de uma maneira diferente. “Você começa a observar as belezas e os problemas com maior atenção. Coisas que passam desapercebidas se você estiver em um carro”, conta, ressaltando que, de bicicleta, leva a metade do tempo que gastava para chegar ao trabalho de carro, num percurso de 5 km.

Na Câmara Municipal, a atitude do vereador ainda causa estranhamento. Evaldo vai com uma roupa comum e de mochila, chega ao trabalho, lava o rosto e veste sua “indumentária de trabalho”. Ele conta que, no começo, outros funcionários ficavam perplexos com o fato de um político andar de bicicleta. “Hoje o estranhamento vem se transformando em apoio. Outros funcionários da Câmara passaram a fazer o mesmo. Tem que dar o exemplo”, enfatiza. Lição que vale para profissionais de qualquer área.

“Fiz da bicicleta uma ferramenta de aproximação com a cidade”. (Evaldo Lima)

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Fortalezenses contam vantagens de trocar o carro pela bicicleta na ida ao trabalho

Em mais um passo da cultura das bicicletas em Fortaleza, cada vez mais profissionais deixam o carro em casa e optam pelas pedaladas no caminho até o trabalho

Por Renata Monte em Mobilidade Urbana

27 de abril de 2015 às 07:00

Há 4 anos
Humberto é servidor público e percorre 7km de bicicleta para ir ao trabalho (FOTO: Fernanda Moura/Tribuna do Ceará)

Humberto é servidor público e percorre 7km de bicicleta para ir ao trabalho (FOTO: Fernanda Moura/Tribuna do Ceará)

A cultura do uso das bicicletas vem crescendo cada vez mais, em Fortaleza, desde a implantação de ciclovias e ciclofaixas e a chegada do programa Bicicletar. Além do lazer, o modal passou a ser utilizado também como meio de transporte alternativo para ir ao trabalho. Cearenses como Humberto Quezado, Paulo Probo e Evaldo Lima resolveram deixar seus carros em casa e adotar a “magrela”. Eles garantem que é bem mais vantajoso pedalar do que dirigir.

Os comentários de que optou por usar bicicleta, geralmente, são os mesmos. O transporte não polui, não fica preso em engarrafamentos e ainda ajuda na saúde de quem pedala. O servidor público Humberto Quezado mudou de atitude há dois meses, mas já sente a diferença que o uso da bicicleta para ir trabalhar causou em sua vida. “Eu já pedalava antes, porque tenho diabetes e meu médico recomendou que eu praticasse exercícios. Resolvi ir de bike para o trabalho e não parei mais”, explica.

Humberto conta que, antes de pedalar, fazia caminhadas por conta de sua saúde, mas por um problema do pé, seu ortopedista recomendou que ele procurasse praticar outro exercício. “Foi então que eu decidi comprar minha bicicleta”. Para o servidor, é mais vantajoso ir de bicicleta ao trabalho, principalmente, porque gasta menos tempo no trânsito. Em um percurso de 7 km, o servidor pedala durante 25 minutos. Além disso, ele notou uma melhora considerável em sua saúde. “Hoje, eu fico bem mais disposto durante o dia”.

O percurso de Humberto é feito em apenas 15 minutos (FOTO: Fernanda Moura/Tribuna do Ceará)

O percurso de Humberto é feito em apenas 15 minutos (FOTO: Fernanda Moura/Tribuna do Ceará)

A desvantagem é somente pelo clima quente de Fortaleza. Nada que comprometa sua pedalada diária. Humberto leva outra roupa e troca ao chegar ao trabalho. “Se toda empresa tivesse um bom banheiro, onde os funcionários pudessem trocar de roupa, seria bem melhor”.

Paulo Probo é professor, guia turístico e ciclista “desde criancinha”, mas foi a situação cada vez mais caótica do trânsito da cidade que fez com que ele trocasse seu carro por bicicleta. Ele conta que hoje, de bike, realiza em 15 minutos um trajeto que costumava demorar até 40 minutos para fazer, quando estava de carro. “Eu sempre pedalei. Desde quando não tinha nada de ciclofaixa. As pessoas chegavam até a me olhar estranho, mas de uns tempos pra cá as coisas melhoraram imensamente”, conta o professor.

“Se toda empresa tivesse um bom banheiro, onde os funcionários pudessem trocar de roupa, seria bem melhor”. (Humberto Quezado)

Segundo Paulo, as condições climáticas de Fortaleza não devem ser usadas como desculpa para não sair de bicicleta. Ele diz que a dica é levar uma outra roupa na mochila e trocar no trabalho. “Mesmo com o nosso clima quente, ainda vale a pena fazer isso”, conta o integrante do grupo Ciclovida, que realiza passeios coletivos, ensina outras pessoas a pedalar e visita lugares históricos da cidade de bicicletas.

Quem também resolveu aderir à cultura de bicicletas foi o vereador Evaldo Lima (PCdoB), que diz manter uma relação muito mais próxima com a própria cidade depois que passou a utilizar o transporte alternativo. O político começou a pedalar em outubro do ano passado, quando decidiu pôr em prática sua relação teórica com os transportes não poluentes. “Fui relator do Plano Diretor Cicloviário, mas percebi que não bastava ficar tudo na teoria. Fiz da bicicleta uma ferramenta de aproximação com a cidade”, explica.

Evaldo explica que só não usa a bicicleta em dias de chuva (FOTO: Reprodução/Facebook)

Evaldo Lima explica que só não usa a bicicleta em dias de chuva (FOTO: Reprodução/Facebook)

Evaldo diz que o transporte o modificou de forma particular. Ele passou a enxergar a cidade de uma maneira diferente. “Você começa a observar as belezas e os problemas com maior atenção. Coisas que passam desapercebidas se você estiver em um carro”, conta, ressaltando que, de bicicleta, leva a metade do tempo que gastava para chegar ao trabalho de carro, num percurso de 5 km.

Na Câmara Municipal, a atitude do vereador ainda causa estranhamento. Evaldo vai com uma roupa comum e de mochila, chega ao trabalho, lava o rosto e veste sua “indumentária de trabalho”. Ele conta que, no começo, outros funcionários ficavam perplexos com o fato de um político andar de bicicleta. “Hoje o estranhamento vem se transformando em apoio. Outros funcionários da Câmara passaram a fazer o mesmo. Tem que dar o exemplo”, enfatiza. Lição que vale para profissionais de qualquer área.

“Fiz da bicicleta uma ferramenta de aproximação com a cidade”. (Evaldo Lima)