Taxistas apontam má educação de motoristas como pior problema do trânsito de Fortaleza


Taxistas apontam má educação de motoristas como pior problema do trânsito de Fortaleza

Taxistas com 20 anos de experiência opinam sobre desafios diários que enfrentam. Para eles, faixas para táxis e ônibus mudaram a rotina

Por Rosana Romão em Mobilidade Urbana

4 de julho de 2015 às 07:00

Há 5 anos
Entre as iniciativas elogiadas estão as implantações das faixas exclusivas e ciclofaixas. (FOTO: Tribuna do Ceará)

Entre as iniciativas elogiadas estão as implantações das faixas exclusivas e ciclofaixas. (FOTO: Tribuna do Ceará)

Seja qual for o dia e horário, quando você sai de casa já sabe que vai enfrentar congestionamento no trânsito de Fortaleza. Agora imagine quem trabalha mais de 10 horas por dia dirigindo… não é fácil. Essa rotina faz parte da vida de três taxistas entrevistados pelo Tribuna do Ceará. Os profissionais usam a experiência, de cerca de 20 anos, para apontar os principais problemas e sugestões de melhorias do trânsito da capital cearense.

Entre as melhorias, há uma unanimidade: as faixas exclusivas para ônibus e táxis. Antes dessa iniciativa, o taxista demorava uma hora para realizar um percurso que hoje ele consegue fazer em apenas 25 minutos. A rapidez no transporte beneficia também os passageiros, que chegam ao destino antes do esperado. Já o que eles apontam como o pior problema é a má educação dos motoristas. Mas, além disso, opinam sobre ciclofaixas, BRT, motoqueiros, alargamento de vias, novos viadutos e sinalizações.

Vias

“Nós não somos uma cidade do interior, somos uma metrópole, precisamos de mais túneis e viadutos. E não só nessa região nobre, tem que ter na Parangaba e outros bairros que têm grande movimentação”, opina o taxista Ribamar Ribeiro, com 20 anos de profissão. Apesar de elogiar as faixas exclusivas, ele ainda acha o número insuficiente e aponta que há urgência em uma iniciativa dessas nas ruas Gomes de Matos e Alberto Magno, no Bairro Montese. Todavia, indica que deveria haver maior educação por parte dos motoristas de carros para que evitem parar e estacionar nessas vias principais. A solução seria uma orientação por parte da Prefeitura, para que esses motoristas priorizem estacionar nas vias secundárias.

BRT da Bezerra de Menezes

De acordo com o taxista Ribamar Ribeiro, a inovação melhorou o trânsito, mas ainda precisa ser aperfeiçoada. “Eu só acho que aqueles gelos baianos podem trazer problemas. Primeiro porque deixaram duas ‘mãos’ só para ônibus, acredito que bastava uma, e duas mãos para os demais veículos. Como vai caber carro, moto, entre outros em apenas duas mãos? E outra, se houver um acidente o congestionamento vai ser grande porque o veículo não vai ter espaço para desviar do trânsito”, explica. A solução, segundo ele, seria uma sinalização menor, como as famosas “tartarugas”, assim o desvio seria possível. A crítica é a falta de fiscalização dos veículos não autorizados que insistem em trafegar pelas faixas exclusivas.

Ciclistas

“Uma das melhores ideias foi a implantação das ciclovias. Melhorou o trânsito porque eu já ouvi muita gente dizer que evita sair de carro, assim sobra mais espaço. Agora eles precisam ter uma capacitação. Tem aqueles que entendem o que é a ciclofaixa, a sua função no trânsito e sabem pedalar direito, mas tem outros, aqueles mais humildes, que usam a bicicleta para ir  e voltar ao trabalho e não entendem bem as regras, não andam na ciclofaixa, e às vezes ficam até do lado dos ônibus. É perigoso para eles e para nós”, destaca Ribamar Ribeiro.

Motoqueiros

“Eu já vi motoqueiro levando criança entre ele e o carona, isso é um absurdo. Normalmente eles não respeitam a sinalização e sempre acham que a preferência é deles. Por ser um veículo rápido, eles não conseguem esperar e às vezes fazem malabarismos que são muito arriscados. É ruim porque a gente não consegue adivinhar qual a atitude que eles vão tomar, daí surgem os acidentes”, exemplifica o taxista Raimundo Bastos, de 65 anos. Por dia, ele vê cerca de dois a três acidentes em uma única via. Já aconteceu também de, em apenas um dia, presenciar 7 acidentes.

Motoristas

A unanimidade é que os motoristas de carros não têm educação. Falta atenção e paciência no trânsito. Sinalização errada e o não respeito à preferencial além de prejudiciais, podem ocasionar acidentes. Com 25 anos de taxista, Raimundo Barros já sofreu 5 acidentes em colisão com motos e 2 em colisão com carros. Segundo ele, todos poderiam ter sido evitados se houvesse mais educação. “Particularmente eu não gosto de andar na Aldeota. Lá, a grande maioria não respeita as faixas exclusivas, param em qualquer lugar, você precisa ter muita paciência. Por terem um poder aquisitivo maior eles acham que podem superar o direito dos outros. Mas se houver educação e respeito, dá pra conviver com todo mundo porque tem espaço para todos”, reclama Raimundo Bastos.

Cirleuda Xavier supera diariamente o preconceito contra motoristas mulheres. (FOTO: Arquivo Pessoal)

Cirleuda Xavier supera diariamente o preconceito contra motoristas mulheres. (FOTO: Arquivo Pessoal)

Preconceito contra mulheres motoristas

Cirleuda Caraúba Xavier é taxista há 19 anos. De lá para cá vem superando o preconceito que sofre diariamente por ser mulher e trabalhar como motorista. Todavia ela discorda de quem reclama de mulher no trânsito e revela que é bastante cautelosa e atenciosa. “Como eu trabalho em um ponto de táxi é muito engraçado. Tem gente que quando vê que é uma mulher, desiste, e já tem outros que preferem ir comigo por eu ser mulher. É chato esse preconceito mas eu encaro com muito bom humor”, confessa.

Por sempre andar arrumada, tem pessoas que nem acreditam quando ela diz que é taxista. E na hora do congestionamento ela consegue driblar o estresse respirando fundo, através de música, orações e brincadeiras com o cliente. “Olha, eu me realizei nessa profissão, apesar das dificuldades eu gosto. Mas enquanto o pessoal da elite fizer o que bem quer no trânsito, enquanto as pessoas não respeitarem as mulheres e não tiverem educação uns com os outros, o que poderia ser um trajeto tranquilo vai continuar sendo uma atividade estressante”, conclui.


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Taxistas apontam má educação de motoristas como pior problema do trânsito de Fortaleza

Taxistas com 20 anos de experiência opinam sobre desafios diários que enfrentam. Para eles, faixas para táxis e ônibus mudaram a rotina

Por Rosana Romão em Mobilidade Urbana

4 de julho de 2015 às 07:00

Há 5 anos
Entre as iniciativas elogiadas estão as implantações das faixas exclusivas e ciclofaixas. (FOTO: Tribuna do Ceará)

Entre as iniciativas elogiadas estão as implantações das faixas exclusivas e ciclofaixas. (FOTO: Tribuna do Ceará)

Seja qual for o dia e horário, quando você sai de casa já sabe que vai enfrentar congestionamento no trânsito de Fortaleza. Agora imagine quem trabalha mais de 10 horas por dia dirigindo… não é fácil. Essa rotina faz parte da vida de três taxistas entrevistados pelo Tribuna do Ceará. Os profissionais usam a experiência, de cerca de 20 anos, para apontar os principais problemas e sugestões de melhorias do trânsito da capital cearense.

Entre as melhorias, há uma unanimidade: as faixas exclusivas para ônibus e táxis. Antes dessa iniciativa, o taxista demorava uma hora para realizar um percurso que hoje ele consegue fazer em apenas 25 minutos. A rapidez no transporte beneficia também os passageiros, que chegam ao destino antes do esperado. Já o que eles apontam como o pior problema é a má educação dos motoristas. Mas, além disso, opinam sobre ciclofaixas, BRT, motoqueiros, alargamento de vias, novos viadutos e sinalizações.

Vias

“Nós não somos uma cidade do interior, somos uma metrópole, precisamos de mais túneis e viadutos. E não só nessa região nobre, tem que ter na Parangaba e outros bairros que têm grande movimentação”, opina o taxista Ribamar Ribeiro, com 20 anos de profissão. Apesar de elogiar as faixas exclusivas, ele ainda acha o número insuficiente e aponta que há urgência em uma iniciativa dessas nas ruas Gomes de Matos e Alberto Magno, no Bairro Montese. Todavia, indica que deveria haver maior educação por parte dos motoristas de carros para que evitem parar e estacionar nessas vias principais. A solução seria uma orientação por parte da Prefeitura, para que esses motoristas priorizem estacionar nas vias secundárias.

BRT da Bezerra de Menezes

De acordo com o taxista Ribamar Ribeiro, a inovação melhorou o trânsito, mas ainda precisa ser aperfeiçoada. “Eu só acho que aqueles gelos baianos podem trazer problemas. Primeiro porque deixaram duas ‘mãos’ só para ônibus, acredito que bastava uma, e duas mãos para os demais veículos. Como vai caber carro, moto, entre outros em apenas duas mãos? E outra, se houver um acidente o congestionamento vai ser grande porque o veículo não vai ter espaço para desviar do trânsito”, explica. A solução, segundo ele, seria uma sinalização menor, como as famosas “tartarugas”, assim o desvio seria possível. A crítica é a falta de fiscalização dos veículos não autorizados que insistem em trafegar pelas faixas exclusivas.

Ciclistas

“Uma das melhores ideias foi a implantação das ciclovias. Melhorou o trânsito porque eu já ouvi muita gente dizer que evita sair de carro, assim sobra mais espaço. Agora eles precisam ter uma capacitação. Tem aqueles que entendem o que é a ciclofaixa, a sua função no trânsito e sabem pedalar direito, mas tem outros, aqueles mais humildes, que usam a bicicleta para ir  e voltar ao trabalho e não entendem bem as regras, não andam na ciclofaixa, e às vezes ficam até do lado dos ônibus. É perigoso para eles e para nós”, destaca Ribamar Ribeiro.

Motoqueiros

“Eu já vi motoqueiro levando criança entre ele e o carona, isso é um absurdo. Normalmente eles não respeitam a sinalização e sempre acham que a preferência é deles. Por ser um veículo rápido, eles não conseguem esperar e às vezes fazem malabarismos que são muito arriscados. É ruim porque a gente não consegue adivinhar qual a atitude que eles vão tomar, daí surgem os acidentes”, exemplifica o taxista Raimundo Bastos, de 65 anos. Por dia, ele vê cerca de dois a três acidentes em uma única via. Já aconteceu também de, em apenas um dia, presenciar 7 acidentes.

Motoristas

A unanimidade é que os motoristas de carros não têm educação. Falta atenção e paciência no trânsito. Sinalização errada e o não respeito à preferencial além de prejudiciais, podem ocasionar acidentes. Com 25 anos de taxista, Raimundo Barros já sofreu 5 acidentes em colisão com motos e 2 em colisão com carros. Segundo ele, todos poderiam ter sido evitados se houvesse mais educação. “Particularmente eu não gosto de andar na Aldeota. Lá, a grande maioria não respeita as faixas exclusivas, param em qualquer lugar, você precisa ter muita paciência. Por terem um poder aquisitivo maior eles acham que podem superar o direito dos outros. Mas se houver educação e respeito, dá pra conviver com todo mundo porque tem espaço para todos”, reclama Raimundo Bastos.

Cirleuda Xavier supera diariamente o preconceito contra motoristas mulheres. (FOTO: Arquivo Pessoal)

Cirleuda Xavier supera diariamente o preconceito contra motoristas mulheres. (FOTO: Arquivo Pessoal)

Preconceito contra mulheres motoristas

Cirleuda Caraúba Xavier é taxista há 19 anos. De lá para cá vem superando o preconceito que sofre diariamente por ser mulher e trabalhar como motorista. Todavia ela discorda de quem reclama de mulher no trânsito e revela que é bastante cautelosa e atenciosa. “Como eu trabalho em um ponto de táxi é muito engraçado. Tem gente que quando vê que é uma mulher, desiste, e já tem outros que preferem ir comigo por eu ser mulher. É chato esse preconceito mas eu encaro com muito bom humor”, confessa.

Por sempre andar arrumada, tem pessoas que nem acreditam quando ela diz que é taxista. E na hora do congestionamento ela consegue driblar o estresse respirando fundo, através de música, orações e brincadeiras com o cliente. “Olha, eu me realizei nessa profissão, apesar das dificuldades eu gosto. Mas enquanto o pessoal da elite fizer o que bem quer no trânsito, enquanto as pessoas não respeitarem as mulheres e não tiverem educação uns com os outros, o que poderia ser um trajeto tranquilo vai continuar sendo uma atividade estressante”, conclui.