Barbeiros raiz lutam para resistir ao crescimento das barbearias gourmet em Fortaleza

CONCORRÊNCIA

Barbeiros raiz lutam para resistir ao crescimento das barbearias gourmet em Fortaleza

Barbearias tradicionais apostam na fidelização de clientes antigos e pontos de grande movimento para sobreviverem à grande concorrência surgida com a onda de novas barbearias gourmet

Por Tribuna do Ceará em Negócios

3 de outubro de 2019 às 07:00

Há 8 meses

Os barbeiros mantém clientes fixos através dos anos. Cleirton Alves que costuma cortar os cabelos com Nilzete Oliveira desde a infância. (FOTO: Tribuna do Ceará / Paola Costa)

Por Paola Costa

A onda de serviços e produtos mais sofisticados tem ganhado espaço em toda parte, mas algumas pessoas continuam buscando opções tradicionais. As barbearias estão entre os mercados que passaram por um processo de modernização. Assim, não oferecem mais somente barba, cabelo e bigode – mais conhecidas como barbearias gourmet, disponibilizam cerveja, jogos e eventos.

Apesar do tempo em atividade e das modificações ocorridas nos serviços, algumas pessoas optam por um serviço mais tradicional. O taxista Luciano Gomes conta que prefere as barbearias raiz pelo valor.

Luiz Martins, cabeleireiro e enfermeiro, trabalha no ramo há cerca de 25 anos. Ele abriu a própria barbearia há 6 anos, na garagem de sua casa, onde trabalham ele e o filho Fábio Luiz Martins, de 25 anos.

Fábio cresceu acompanhando o pai no salão. Investiu em Administração, mas com a experiência negativa de alguns colegas na área, decidiu seguir os passos do pai. Já faz quatro anos que trabalha na barbearia. “Decidi começar e não me arrependo, aqui a gente passa menos estresse que em ambientes empresariais, me desgasto menos”.

O cabeleireiro constata que o movimento na sua barbearia diminuiu, e que a queda tem relação com a crise financeira no país. Para Luiz, as maiores dificuldades se devem a falta de planejamento.

“É necessário fazer uma projeção do seu salário. Eu, por exemplo, trabalho com atendimento, não sei quanto eu vou ganhar hoje, então não posso gastar o que eu não ganhei”, explica o cabeleireiro.

O proprietário afirma que se mantém com clientes de vários anos, e a localização do estabelecimento é favorável para o aparecimento de atendimentos avulsos, por ser próximo a empresas e pelo fluxo intenso de pessoas e veículos.

Anderson Soares é cliente de Luiz há mais de 20 anos, Quando criança era levado pela mãe. Hoje, com 27 anos, continua frequentando a barbearia pelo atendimento e carisma do cabeleireiro.

“Eu gosto do serviço dele, Seu Luiz também é muito simpático, pra você lidar com comércio tem que ser simpático, alto astral, comunicativo”.

Luiz não oferece e nem é de acordo com barbearias que servem bebidas alcoólicas. “A pessoa está em uma barbearia para fazer o cabelo ou a barba, não para consumir álcool”.

Luiz Martins abriu a barbearia na garagem de sua casa. Hoje trabalha com o filho Fábio Luiz Martins, juntos atendem em média 25 pessoas por dia. (FOTO: Tribuna do Ceará / Paola Costa)

Tesoura de ouro

Nilzete Oliveira, de 65 anos, também conhecida como Tesoura de ouro, é gerente do Salão Presidente há 30 anos, sendo barbeira há mais de 40. No início da sua carreira sofreu bastante preconceito por parte dos colegas de trabalho. Seus clientes ajudaram no processo de adaptação.

O Salão Presidente, no ofício há 50 anos, conta com 30 colaboradores atualmente. Eles prestam serviços para o salão, mas não são funcionários, alugando o espaço para trabalhar de forma autônoma.

Antes o salão atendia até as 22h, com grande fluxo de clientes. Hoje funciona em média até as 18h30 e atende aproximadamente 100 pessoas nos dias mais movimentados. Antes, chegava a 300. Segundo a gerente, o número de clientes diminuiu devido ao crescimento no ramo de barbearias no geral.

Sobre as barbearias gourmet, Nilzete afirma que disponibilizar outros produtos é a forma que os jovens encontraram de atrair clientes, mas isso descaracteriza a categoria. “Isso pra mim já não é barbearia”, defende.

Por estar há tanto tempo atuando no comércio central, muitos clientes além de apreciar o atendimento e serviço, tem envolvimento emocional. O analista judiciário Cleirton Alves começou a ir ao salão com 7 anos, acompanhado do pai, para ser atendido por Nilzete.

Cleirton, hoje com 39 anos, não tem interesse em frequentar outras barbearias. “A gente chega aqui sempre bem atendido, sempre tem uma conversa amistosa, a gente se sente acolhido, se sente bem tratado”.

O Salão Presidente chama atenção por se manter fiel à estrutura há anos. (FOTO: Tribuna do Ceará / Paola Costa)

Maia, o cabeleireiro maratonista

O cabeleireiro e maratonista Francisco Maia da Silva trabalha no Salão Presidente há 21 anos. É maratonista desde 1987, e já participou de oito edições da Corrida Internacional de São Silvestre.

Para o maratonista, as barbearias gourmet vieram para atender clientes que desejam cortes diferentes. “Esse estilo de barbearia são para cortes que estão na moda agora, corte degradê, que os artistas usam”.

A estrutura do Salão Presidente se mantém original. Esse é um dos aspectos levados em consideração pelos clientes. “O diferencial deles, além do atendimento, é se manter fiel como era há muito tempo, eles mantêm a tradição”, completa Cleirton.

As barbearias raiz perduram por aspectos específicos e tendem a continuar no mercado pelo mesmo motivo, acolhimento e atendimento que fideliza, cria vínculo com os clientes, e os fazem recomendar aos familiares e amigos os serviços dos barbeiros que resistem através dos anos.

Cliente
1/5

Cliente

Anderson Soares, cliente de Luiz há vários anos diz que retorna pelo bom atendimento e carisma do cabeleireiro (FOTO: Tribuna do Ceará / Paola Costa)

Parceria
2/5

Parceria

Fábio Luiz Martins, filho e funcionário de Luiz, optou por trabalhar na barbearia do pai por ser um ambiente menos estressante. (FOTO: Tribuna do Ceará / Paola Costa)

Maia, o maratonista
3/5

Maia, o maratonista

Francisco Maia é barbeiro há mais de 50 anos e alterna a atividade com a habilidade de correr. É maratonista há mais de 30 anos. (FOTO: Tribuna do Ceará / Paola Costa)

Salão Presidente
4/5

Salão Presidente

Ambiente para serviços mais direcionados ao público feminino. (FOTO: Tribuna do Ceará /Paola Costa)

Salão Presidente
5/5

Salão Presidente

Ambiente que oferece os serviços direcionados ao público masculino (FOTO: Tribuna do Ceará / Paola Costa)

Publicidade

Dê sua opinião

CONCORRÊNCIA

Barbeiros raiz lutam para resistir ao crescimento das barbearias gourmet em Fortaleza

Barbearias tradicionais apostam na fidelização de clientes antigos e pontos de grande movimento para sobreviverem à grande concorrência surgida com a onda de novas barbearias gourmet

Por Tribuna do Ceará em Negócios

3 de outubro de 2019 às 07:00

Há 8 meses

Os barbeiros mantém clientes fixos através dos anos. Cleirton Alves que costuma cortar os cabelos com Nilzete Oliveira desde a infância. (FOTO: Tribuna do Ceará / Paola Costa)

Por Paola Costa

A onda de serviços e produtos mais sofisticados tem ganhado espaço em toda parte, mas algumas pessoas continuam buscando opções tradicionais. As barbearias estão entre os mercados que passaram por um processo de modernização. Assim, não oferecem mais somente barba, cabelo e bigode – mais conhecidas como barbearias gourmet, disponibilizam cerveja, jogos e eventos.

Apesar do tempo em atividade e das modificações ocorridas nos serviços, algumas pessoas optam por um serviço mais tradicional. O taxista Luciano Gomes conta que prefere as barbearias raiz pelo valor.

Luiz Martins, cabeleireiro e enfermeiro, trabalha no ramo há cerca de 25 anos. Ele abriu a própria barbearia há 6 anos, na garagem de sua casa, onde trabalham ele e o filho Fábio Luiz Martins, de 25 anos.

Fábio cresceu acompanhando o pai no salão. Investiu em Administração, mas com a experiência negativa de alguns colegas na área, decidiu seguir os passos do pai. Já faz quatro anos que trabalha na barbearia. “Decidi começar e não me arrependo, aqui a gente passa menos estresse que em ambientes empresariais, me desgasto menos”.

O cabeleireiro constata que o movimento na sua barbearia diminuiu, e que a queda tem relação com a crise financeira no país. Para Luiz, as maiores dificuldades se devem a falta de planejamento.

“É necessário fazer uma projeção do seu salário. Eu, por exemplo, trabalho com atendimento, não sei quanto eu vou ganhar hoje, então não posso gastar o que eu não ganhei”, explica o cabeleireiro.

O proprietário afirma que se mantém com clientes de vários anos, e a localização do estabelecimento é favorável para o aparecimento de atendimentos avulsos, por ser próximo a empresas e pelo fluxo intenso de pessoas e veículos.

Anderson Soares é cliente de Luiz há mais de 20 anos, Quando criança era levado pela mãe. Hoje, com 27 anos, continua frequentando a barbearia pelo atendimento e carisma do cabeleireiro.

“Eu gosto do serviço dele, Seu Luiz também é muito simpático, pra você lidar com comércio tem que ser simpático, alto astral, comunicativo”.

Luiz não oferece e nem é de acordo com barbearias que servem bebidas alcoólicas. “A pessoa está em uma barbearia para fazer o cabelo ou a barba, não para consumir álcool”.

Luiz Martins abriu a barbearia na garagem de sua casa. Hoje trabalha com o filho Fábio Luiz Martins, juntos atendem em média 25 pessoas por dia. (FOTO: Tribuna do Ceará / Paola Costa)

Tesoura de ouro

Nilzete Oliveira, de 65 anos, também conhecida como Tesoura de ouro, é gerente do Salão Presidente há 30 anos, sendo barbeira há mais de 40. No início da sua carreira sofreu bastante preconceito por parte dos colegas de trabalho. Seus clientes ajudaram no processo de adaptação.

O Salão Presidente, no ofício há 50 anos, conta com 30 colaboradores atualmente. Eles prestam serviços para o salão, mas não são funcionários, alugando o espaço para trabalhar de forma autônoma.

Antes o salão atendia até as 22h, com grande fluxo de clientes. Hoje funciona em média até as 18h30 e atende aproximadamente 100 pessoas nos dias mais movimentados. Antes, chegava a 300. Segundo a gerente, o número de clientes diminuiu devido ao crescimento no ramo de barbearias no geral.

Sobre as barbearias gourmet, Nilzete afirma que disponibilizar outros produtos é a forma que os jovens encontraram de atrair clientes, mas isso descaracteriza a categoria. “Isso pra mim já não é barbearia”, defende.

Por estar há tanto tempo atuando no comércio central, muitos clientes além de apreciar o atendimento e serviço, tem envolvimento emocional. O analista judiciário Cleirton Alves começou a ir ao salão com 7 anos, acompanhado do pai, para ser atendido por Nilzete.

Cleirton, hoje com 39 anos, não tem interesse em frequentar outras barbearias. “A gente chega aqui sempre bem atendido, sempre tem uma conversa amistosa, a gente se sente acolhido, se sente bem tratado”.

O Salão Presidente chama atenção por se manter fiel à estrutura há anos. (FOTO: Tribuna do Ceará / Paola Costa)

Maia, o cabeleireiro maratonista

O cabeleireiro e maratonista Francisco Maia da Silva trabalha no Salão Presidente há 21 anos. É maratonista desde 1987, e já participou de oito edições da Corrida Internacional de São Silvestre.

Para o maratonista, as barbearias gourmet vieram para atender clientes que desejam cortes diferentes. “Esse estilo de barbearia são para cortes que estão na moda agora, corte degradê, que os artistas usam”.

A estrutura do Salão Presidente se mantém original. Esse é um dos aspectos levados em consideração pelos clientes. “O diferencial deles, além do atendimento, é se manter fiel como era há muito tempo, eles mantêm a tradição”, completa Cleirton.

As barbearias raiz perduram por aspectos específicos e tendem a continuar no mercado pelo mesmo motivo, acolhimento e atendimento que fideliza, cria vínculo com os clientes, e os fazem recomendar aos familiares e amigos os serviços dos barbeiros que resistem através dos anos.

Cliente
1/5

Cliente

Anderson Soares, cliente de Luiz há vários anos diz que retorna pelo bom atendimento e carisma do cabeleireiro (FOTO: Tribuna do Ceará / Paola Costa)

Parceria
2/5

Parceria

Fábio Luiz Martins, filho e funcionário de Luiz, optou por trabalhar na barbearia do pai por ser um ambiente menos estressante. (FOTO: Tribuna do Ceará / Paola Costa)

Maia, o maratonista
3/5

Maia, o maratonista

Francisco Maia é barbeiro há mais de 50 anos e alterna a atividade com a habilidade de correr. É maratonista há mais de 30 anos. (FOTO: Tribuna do Ceará / Paola Costa)

Salão Presidente
4/5

Salão Presidente

Ambiente para serviços mais direcionados ao público feminino. (FOTO: Tribuna do Ceará /Paola Costa)

Salão Presidente
5/5

Salão Presidente

Ambiente que oferece os serviços direcionados ao público masculino (FOTO: Tribuna do Ceará / Paola Costa)