Blogueiras de moda cearenses já começam a sobreviver com publicidade em suas páginas


Blogueiras de moda cearenses já começam a sobreviver com publicidade em suas páginas

Influentes sobre um mercado consumidor de moda feminina, as páginas de blogueiras se tornaram espaço para publicidade das marcas do setor

Por Hayanne Narlla em Negócios

16 de setembro de 2015 às 06:00

Há 4 anos

Mais democrática e personalizada. Se antes a moda era tida como “de massa”, em que atrizes e atores novelas eram copiados, a internet veio e bagunçou tudo isso. Não importa como a celebridade se veste, o mais importante é  gostar e se sentir confortável.

Aline (Penteadeira Amarela), Natasha Brígido e Ellen (Nuwem) falam sobre a profissão blogueira (FOTO: Reprodução Instagram)

Aline (Penteadeira Amarela), Natasha Brígido e Ellen (Nuwem) falam sobre a profissão blogueira (FOTO: Reprodução Instagram)

Araguacy Filgueiras, coordenadora do curso Design-Moda da Universidade Federal do Ceará (UFC), acredita que a internet possibilitou uma pluralidade de possibilidades, enfatizando os variados nichos. “Na década de 1990 houve uma época de massa, que teve uma acelerada alteração no consumo. Houve mais divulgação do número de ofertas e os canais de distribuição foram muito ampliados. Isso despertou nas pessoas o estímulo de consumo”.

Em outras palavras, a internet proporcionou à moda um lugar no dia a dia das pessoas, nas rodas de conversas ou na maneira de se expressar. Pessoas comuns passaram a ser referência no assunto, tornando-se os conhecidos “bloggers”. “As blogueiras fizeram parte dessa mudança. A influência delas ocorreu em escala crescente, em que elas funcionaram como atrativo de venda. Elas eram o meio de divulgação do objeto, estimulando o desejo. E muitas empresas viram nisso um espaço de publicidade e marketing”.

Blogueiras assumem espaços de celebridades, como influência de consumo. Na foto, Ellen do Nuwem grava entrevista (FOTO: Reprodução Instagram)

Blogueiras assumem espaços de celebridades, como é o caso de Ellen, do Nuwem. (FOTO: Reprodução Instagram)


Blogueiras

O que os blogueiros de moda trouxeram ao público foi a proximidade e interação. Garantiram lugar não só entre consumidores, mas entre o mercado conceituado, como em desfiles de grifes. Muitos passaram a vender estilo de vida e ganharam muito dinheiro com isso.

No Ceará, não é diferente. Muitas pessoas apostam nas redes sociais para serem influência sobre o mundo da moda. Em média, uma postagem patrocinada, dependendo da audiência da plataforma – que é medida por um sistema online –, pode ser negociado por R$ 3 mil. Mesmo assim, o mercado ainda é incerto para os cearenses.

Natasha Brígido é psicóloga por formação, mas se dedica ao blog sobre moda há dois anos. Hoje, sua principal fonte de renda vem do site administrado, que leva seu nome. “Também faço alguns trabalhos como modelo. No início, trabalhei por permuta, mas hoje não mais. O valor de cada tipo de ação difere de cada blogger, até porque cada uma tem uma forma diferente de trabalhar. No início pedi ajuda para algumas bloggers que já estavam há mais tempo no mercado e depois fui adaptando a partir do que fui conhecendo e do resultado que dava”.

Carlinha do Equilíbrio Sempre trabalha há 8 anos como blogueira (FOTO: Reprodução Instagram)

Carlinha do Equilíbrio Sempre trabalha há 8 anos como blogueira (FOTO: Reprodução Instagram)

Ellen Medeiros administra o Nuwen – parceiro do Tribuna do Ceará -, mas já lida com blogs há 12 anos. Ela explica que há muitas blogueiras no Ceará que vivem só “do blog” e que há formas de pagamentos negociavéis. “Mas elas não vivem só com o publieditorial e conteúdo de moda, vivem como modelos mesmo, então acho que esse é o rumo mais rentável através de um blog aqui, fazer looks e representar marcas nessa parte especificamente”.

Já Aline Montenegro, do Penteadeira Amarela – também parceiro do Tribuna do Ceará -, enfatiza que ela e suas duas sócias ainda não conseguem “sobreviver” somente como blogueiras em Fortaleza, tendo que administrar sua própria empresa. Mesmo assim, ela se dedica ao blog há três anos e acredita no potencial do mercado local.

“O Ceará está crescendo no setor da moda e tem potencial para ir muito mais além. Movimento legal que podemos enxergar é a surgimento de novas marcas locais. Esse pessoal está fazendo moda com a cara da nossa cidade, pensando nas mulheres de Fortaleza na hora de construir coleções e buscando inspirações na nossa cultura. Isso também é extremamente importante para a construção de uma identidade moda ainda mais forte no nosso Estado”.

Carlinha Fernandes administra o Equilíbrio Sempre há 8 anos. Com um filho e uma casa para sustentar, confessa que é muito difícil levar a vida somente como blogueira, por isso também é administradora de uma empresa. “Uma blogueira mais jovem, que não tenha tantas responsabilidades, não precise um valor muito alto, pode sobreviver sim”, garante.

Desafios

Aline, do Penteadeira Amarela, acredita que é necessário produzir conteúdo de qualidade para ter destaque (FOTO: Reprodução Penteadeira Amarela)

Aline, do Penteadeira Amarela, avalia que é necessário produzir conteúdo de qualidade para ter destaque. (FOTO: Reprodução Penteadeira Amarela)

Entretanto nem tudo são flores. Aline considera que é necessário qualidade do conteúdo é de extrema relevância, já que o mercado acaba selecionando e dando relevância a quem realmente faz um conteúdo de qualidade. “Outro fator importante é que o blogueiro ‘teoricamente’ expressa a opinião dele, deixando a mensagem mais pessoal. Muitos bloggers fazem sucesso justamente por trazer essa essência mais real”.

Natasha ressalta que há muito preconceito ainda com trabalho de uma blogger. “Pensam que é fácil e fútil. Então muitas pessoas ingressam nesse mundo, mas veem que manter não é tão fácil assim. Gerar conteúdo demanda muito tempo e pesquisa”.

Por isso, é necessário saber como lidar como comentários que não trazem nenhum tipo de elogio, feito pelos conhecidos “haters”. “Temos que lidar com os mais variados tipos de pessoas que nos leem e comentam na nossa página. No começo é tudo bem difícil, não dá para entender por que algumas pessoas comentam coisas que não sabem ou dão palpites que ofendem, mas a gente precisa saber que faz parte”, pontua Ellen.

Carlinha pontua que outro problema acontece com as empresas cearenses. É que elas ainda não sabem lidar com investimentos em blogueiras, já que tentam negociar basicamente com permutas. “Em dinheiro mesmo, as empresas do Rio e de São Paulo é que já chegam negociando”.

Um desafio superado no Ceará é a resistência aos estilos próprios. As blogueiras contribuíram para que os cearenses aproveitassem a liberdade para se vestir de acordo com sua personalidade, sem que outras pessoas criticassem. “Pode até existir, mas acho que isso já foi superado. Há liberdade de se provar e se vestir de acordo com seu grupo e ainda se diferenciar dentro dele”, explica Araguacy. Então, experimente!

Para acompanhar o trabalho das meninas (site e Instagram):

Equilíbrio Sempre – @equilibriosempre

Natasha Brígido – @natashabrigido

Nuwem – @nuwemblog

Penteadeira Amarela – @blogpenteadeira

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Blogueiras de moda cearenses já começam a sobreviver com publicidade em suas páginas

Influentes sobre um mercado consumidor de moda feminina, as páginas de blogueiras se tornaram espaço para publicidade das marcas do setor

Por Hayanne Narlla em Negócios

16 de setembro de 2015 às 06:00

Há 4 anos

Mais democrática e personalizada. Se antes a moda era tida como “de massa”, em que atrizes e atores novelas eram copiados, a internet veio e bagunçou tudo isso. Não importa como a celebridade se veste, o mais importante é  gostar e se sentir confortável.

Aline (Penteadeira Amarela), Natasha Brígido e Ellen (Nuwem) falam sobre a profissão blogueira (FOTO: Reprodução Instagram)

Aline (Penteadeira Amarela), Natasha Brígido e Ellen (Nuwem) falam sobre a profissão blogueira (FOTO: Reprodução Instagram)

Araguacy Filgueiras, coordenadora do curso Design-Moda da Universidade Federal do Ceará (UFC), acredita que a internet possibilitou uma pluralidade de possibilidades, enfatizando os variados nichos. “Na década de 1990 houve uma época de massa, que teve uma acelerada alteração no consumo. Houve mais divulgação do número de ofertas e os canais de distribuição foram muito ampliados. Isso despertou nas pessoas o estímulo de consumo”.

Em outras palavras, a internet proporcionou à moda um lugar no dia a dia das pessoas, nas rodas de conversas ou na maneira de se expressar. Pessoas comuns passaram a ser referência no assunto, tornando-se os conhecidos “bloggers”. “As blogueiras fizeram parte dessa mudança. A influência delas ocorreu em escala crescente, em que elas funcionaram como atrativo de venda. Elas eram o meio de divulgação do objeto, estimulando o desejo. E muitas empresas viram nisso um espaço de publicidade e marketing”.

Blogueiras assumem espaços de celebridades, como influência de consumo. Na foto, Ellen do Nuwem grava entrevista (FOTO: Reprodução Instagram)

Blogueiras assumem espaços de celebridades, como é o caso de Ellen, do Nuwem. (FOTO: Reprodução Instagram)


Blogueiras

O que os blogueiros de moda trouxeram ao público foi a proximidade e interação. Garantiram lugar não só entre consumidores, mas entre o mercado conceituado, como em desfiles de grifes. Muitos passaram a vender estilo de vida e ganharam muito dinheiro com isso.

No Ceará, não é diferente. Muitas pessoas apostam nas redes sociais para serem influência sobre o mundo da moda. Em média, uma postagem patrocinada, dependendo da audiência da plataforma – que é medida por um sistema online –, pode ser negociado por R$ 3 mil. Mesmo assim, o mercado ainda é incerto para os cearenses.

Natasha Brígido é psicóloga por formação, mas se dedica ao blog sobre moda há dois anos. Hoje, sua principal fonte de renda vem do site administrado, que leva seu nome. “Também faço alguns trabalhos como modelo. No início, trabalhei por permuta, mas hoje não mais. O valor de cada tipo de ação difere de cada blogger, até porque cada uma tem uma forma diferente de trabalhar. No início pedi ajuda para algumas bloggers que já estavam há mais tempo no mercado e depois fui adaptando a partir do que fui conhecendo e do resultado que dava”.

Carlinha do Equilíbrio Sempre trabalha há 8 anos como blogueira (FOTO: Reprodução Instagram)

Carlinha do Equilíbrio Sempre trabalha há 8 anos como blogueira (FOTO: Reprodução Instagram)

Ellen Medeiros administra o Nuwen – parceiro do Tribuna do Ceará -, mas já lida com blogs há 12 anos. Ela explica que há muitas blogueiras no Ceará que vivem só “do blog” e que há formas de pagamentos negociavéis. “Mas elas não vivem só com o publieditorial e conteúdo de moda, vivem como modelos mesmo, então acho que esse é o rumo mais rentável através de um blog aqui, fazer looks e representar marcas nessa parte especificamente”.

Já Aline Montenegro, do Penteadeira Amarela – também parceiro do Tribuna do Ceará -, enfatiza que ela e suas duas sócias ainda não conseguem “sobreviver” somente como blogueiras em Fortaleza, tendo que administrar sua própria empresa. Mesmo assim, ela se dedica ao blog há três anos e acredita no potencial do mercado local.

“O Ceará está crescendo no setor da moda e tem potencial para ir muito mais além. Movimento legal que podemos enxergar é a surgimento de novas marcas locais. Esse pessoal está fazendo moda com a cara da nossa cidade, pensando nas mulheres de Fortaleza na hora de construir coleções e buscando inspirações na nossa cultura. Isso também é extremamente importante para a construção de uma identidade moda ainda mais forte no nosso Estado”.

Carlinha Fernandes administra o Equilíbrio Sempre há 8 anos. Com um filho e uma casa para sustentar, confessa que é muito difícil levar a vida somente como blogueira, por isso também é administradora de uma empresa. “Uma blogueira mais jovem, que não tenha tantas responsabilidades, não precise um valor muito alto, pode sobreviver sim”, garante.

Desafios

Aline, do Penteadeira Amarela, acredita que é necessário produzir conteúdo de qualidade para ter destaque (FOTO: Reprodução Penteadeira Amarela)

Aline, do Penteadeira Amarela, avalia que é necessário produzir conteúdo de qualidade para ter destaque. (FOTO: Reprodução Penteadeira Amarela)

Entretanto nem tudo são flores. Aline considera que é necessário qualidade do conteúdo é de extrema relevância, já que o mercado acaba selecionando e dando relevância a quem realmente faz um conteúdo de qualidade. “Outro fator importante é que o blogueiro ‘teoricamente’ expressa a opinião dele, deixando a mensagem mais pessoal. Muitos bloggers fazem sucesso justamente por trazer essa essência mais real”.

Natasha ressalta que há muito preconceito ainda com trabalho de uma blogger. “Pensam que é fácil e fútil. Então muitas pessoas ingressam nesse mundo, mas veem que manter não é tão fácil assim. Gerar conteúdo demanda muito tempo e pesquisa”.

Por isso, é necessário saber como lidar como comentários que não trazem nenhum tipo de elogio, feito pelos conhecidos “haters”. “Temos que lidar com os mais variados tipos de pessoas que nos leem e comentam na nossa página. No começo é tudo bem difícil, não dá para entender por que algumas pessoas comentam coisas que não sabem ou dão palpites que ofendem, mas a gente precisa saber que faz parte”, pontua Ellen.

Carlinha pontua que outro problema acontece com as empresas cearenses. É que elas ainda não sabem lidar com investimentos em blogueiras, já que tentam negociar basicamente com permutas. “Em dinheiro mesmo, as empresas do Rio e de São Paulo é que já chegam negociando”.

Um desafio superado no Ceará é a resistência aos estilos próprios. As blogueiras contribuíram para que os cearenses aproveitassem a liberdade para se vestir de acordo com sua personalidade, sem que outras pessoas criticassem. “Pode até existir, mas acho que isso já foi superado. Há liberdade de se provar e se vestir de acordo com seu grupo e ainda se diferenciar dentro dele”, explica Araguacy. Então, experimente!

Para acompanhar o trabalho das meninas (site e Instagram):

Equilíbrio Sempre – @equilibriosempre

Natasha Brígido – @natashabrigido

Nuwem – @nuwemblog

Penteadeira Amarela – @blogpenteadeira