Única recicladora de pneus do Ceará retira de circulação material que demora 600 anos para se decompor

#CEARÁRECICLA

Única recicladora de pneus do Ceará retira de circulação material que demora 600 anos para se decompor

A Reciplanet, aberta em 2016, opera abaixo da capacidade, por falta de material para ser reciclado. Esta é uma das reportagens da série “Ceará Recicla”, sobre negócios que atuam sozinhos num setor da reciclagem no estado

Por William Barros em Negócios

11 de maio de 2019 às 07:02

Há 3 meses

Todos os pneus entregues à Reciplanet devem estar vinculados a uma nota fiscal, para controle do Ibama. (FOTO: Reprodução / Wytalon Araújo)

Por William Barros

Quando descartados nas ruas, pneus podem acumular água da chuva e favorecer o desenvolvimento dos transmissores de doenças, como dengue, zika e chikungunya. Nos oceanos, eles podem provocar a morte da fauna marinha. Para solucionar esses problemas, surgiu a Reciplanet, única empresa a atuar com a reciclagem de pneumáticos no Ceará, desde 2016.

Na 1ª reportagem da série “Ceará Recicla”, sobre negócios que atuam sozinhos num setor específico da reciclagem no estado, o Tribuna do Ceará traça o perfil da instituição, que faz parte da rede de associados ao Sindicato das Empresas de Reciclagem de Resíduos Sólidos Domésticos e Industriais do Estado do Ceará (Sindiverde).

Mônica Tributino, uma das três sócias da Reciplanet, conta que o papel da organização é receber os pneus descartados por lojas e demais empreendimentos do ramo automobilístico. “Fazemos a logística reversa de pneus, para que o pneu volte para o fabricante e para o importador. As lojas têm a obrigatoriedade de fazer o descarte. E fazem para a gente”, explica.

A oferta, no entanto, é inferior à procura, como revela a administradora da empresa sediada em Eusébio, a 25 quilômetros da capital.

“É complicadíssimo. Temos capacidade de receber 30 toneladas em um só dia, mas não chega nem 15 toneladas a cada dez dias. A empresa chega a ficar ociosa”, lamenta Mônica. Ela acredita que essa ociosidade é causada pela persistência do descarte irregular de pneumáticos.

Mônica também conta que a empresa deveria ter de 20 a 30 funcionários. Contudo, atualmente, cinco trabalhadores já são mais do que suficientes para suprir a demanda diária. Os profissionais são responsáveis por operar a máquina que fragmenta os pneus.

Todos os arcos de borracha que chegam à Reciplanet devem estar vinculados a uma nota fiscal. Desde o recebimento à tritura do material, a recicladora precisa notificar o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Em seguida, o pneu triturado pode seguir para duas fábricas que o utilizam na fabricação de cimento.

A acirrada fiscalização dos órgãos públicos se justifica quando Mônica apresenta um dado alarmante: “O pneu dura em torno de 600 anos. O primeiro pneu feito na história, se não tiver sido incinerado ou passado por algum procedimento, ainda vai estar no meio ambiente até hoje”.

A solução encontrada pela Reciplanet para essa questão está de acordo com a Política Nacional de Resíduos Sólidos. Instituída pela Lei nº 12.305/10, a resolução prevê a logística reversa, um conjunto de ações que viabilizam a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial.

Atenta a essa questão, Mônica conta que a procura pelo Sindiverde aconteceu antes da formalização da empresa. A intenção da empreendedora era manter-se atualizada sobre as novidades do setor de reciclagem. “O sindicato nos deixa totalmente em conhecimento do que vem de fora, do que surge de novidade”, reflete a administradora.

Apesar das dificuldades provenientes da pouca procura pelo serviço, Mônica acredita na continuidade da empresa. As expectativas da sócia-administradora se depositam sobre uma trágica constatação: “Daqui para frente, tudo tem que ser reciclado. Se não fizermos isso, a gente vai viver no lixo”.

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Depois de passar pela máquina, o pneu já sai completamente triturado. (FOTO: Reprodução / Wytalon Araújo)

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Depois de passar pela máquina, o pneu já sai completamente triturado. (FOTO: Reprodução / Wytalon Araújo)

*A reportagem foi realizada sob supervisão e edição do coordenador do Tribuna do Ceará, Rafael Luís Azevedo.

Confira as reportagens da série “Ceará Recicla”:

1 – Empresas lançam iniciativas inovadoras na reciclagem no estado
2 – Única recicladora de pneus do Ceará retira de circulação material que demora 600 anos para se decompor
3 – Pioneira na reciclagem de gesso no Ceará busca destino correto a materiais descartados por construtoras
4 – “O que uns chamam de lixo pode ser matéria prima para outros”, constata especialista

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#CEARÁRECICLA

Única recicladora de pneus do Ceará retira de circulação material que demora 600 anos para se decompor

A Reciplanet, aberta em 2016, opera abaixo da capacidade, por falta de material para ser reciclado. Esta é uma das reportagens da série “Ceará Recicla”, sobre negócios que atuam sozinhos num setor da reciclagem no estado

Por William Barros em Negócios

11 de maio de 2019 às 07:02

Há 3 meses

Todos os pneus entregues à Reciplanet devem estar vinculados a uma nota fiscal, para controle do Ibama. (FOTO: Reprodução / Wytalon Araújo)

Por William Barros

Quando descartados nas ruas, pneus podem acumular água da chuva e favorecer o desenvolvimento dos transmissores de doenças, como dengue, zika e chikungunya. Nos oceanos, eles podem provocar a morte da fauna marinha. Para solucionar esses problemas, surgiu a Reciplanet, única empresa a atuar com a reciclagem de pneumáticos no Ceará, desde 2016.

Na 1ª reportagem da série “Ceará Recicla”, sobre negócios que atuam sozinhos num setor específico da reciclagem no estado, o Tribuna do Ceará traça o perfil da instituição, que faz parte da rede de associados ao Sindicato das Empresas de Reciclagem de Resíduos Sólidos Domésticos e Industriais do Estado do Ceará (Sindiverde).

Mônica Tributino, uma das três sócias da Reciplanet, conta que o papel da organização é receber os pneus descartados por lojas e demais empreendimentos do ramo automobilístico. “Fazemos a logística reversa de pneus, para que o pneu volte para o fabricante e para o importador. As lojas têm a obrigatoriedade de fazer o descarte. E fazem para a gente”, explica.

A oferta, no entanto, é inferior à procura, como revela a administradora da empresa sediada em Eusébio, a 25 quilômetros da capital.

“É complicadíssimo. Temos capacidade de receber 30 toneladas em um só dia, mas não chega nem 15 toneladas a cada dez dias. A empresa chega a ficar ociosa”, lamenta Mônica. Ela acredita que essa ociosidade é causada pela persistência do descarte irregular de pneumáticos.

Mônica também conta que a empresa deveria ter de 20 a 30 funcionários. Contudo, atualmente, cinco trabalhadores já são mais do que suficientes para suprir a demanda diária. Os profissionais são responsáveis por operar a máquina que fragmenta os pneus.

Todos os arcos de borracha que chegam à Reciplanet devem estar vinculados a uma nota fiscal. Desde o recebimento à tritura do material, a recicladora precisa notificar o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Em seguida, o pneu triturado pode seguir para duas fábricas que o utilizam na fabricação de cimento.

A acirrada fiscalização dos órgãos públicos se justifica quando Mônica apresenta um dado alarmante: “O pneu dura em torno de 600 anos. O primeiro pneu feito na história, se não tiver sido incinerado ou passado por algum procedimento, ainda vai estar no meio ambiente até hoje”.

A solução encontrada pela Reciplanet para essa questão está de acordo com a Política Nacional de Resíduos Sólidos. Instituída pela Lei nº 12.305/10, a resolução prevê a logística reversa, um conjunto de ações que viabilizam a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial.

Atenta a essa questão, Mônica conta que a procura pelo Sindiverde aconteceu antes da formalização da empresa. A intenção da empreendedora era manter-se atualizada sobre as novidades do setor de reciclagem. “O sindicato nos deixa totalmente em conhecimento do que vem de fora, do que surge de novidade”, reflete a administradora.

Apesar das dificuldades provenientes da pouca procura pelo serviço, Mônica acredita na continuidade da empresa. As expectativas da sócia-administradora se depositam sobre uma trágica constatação: “Daqui para frente, tudo tem que ser reciclado. Se não fizermos isso, a gente vai viver no lixo”.

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Depois de passar pela máquina, o pneu já sai completamente triturado. (FOTO: Reprodução / Wytalon Araújo)

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Depois de passar pela máquina, o pneu já sai completamente triturado. (FOTO: Reprodução / Wytalon Araújo)

*A reportagem foi realizada sob supervisão e edição do coordenador do Tribuna do Ceará, Rafael Luís Azevedo.

Confira as reportagens da série “Ceará Recicla”:

1 – Empresas lançam iniciativas inovadoras na reciclagem no estado
2 – Única recicladora de pneus do Ceará retira de circulação material que demora 600 anos para se decompor
3 – Pioneira na reciclagem de gesso no Ceará busca destino correto a materiais descartados por construtoras
4 – “O que uns chamam de lixo pode ser matéria prima para outros”, constata especialista