Presidente do BNB faz um balanço de 2019 e revela planos para 2020

AVALIAÇÃO POSITIVA

Do alfinete ao foguete

Usando metáfora bem humorada, presidente do Banco do Nordeste comemora o crescimento dos volumes de contração de crédito e o balanço positivo do carro-chefe dos microcréditos: o Crediamigo urbano e rural

Por Tribuna do Ceará em Negócios

27 de dezembro de 2019 às 10:23

Há 6 meses

Romildo Rolim está à frente do BNB desde 2017 (FOTO: Tribuna do Ceará)

O Banco do Nordeste (BNB) deve encerrar 2019 com 2,5 milhões de clientes ativos em seu programa de financiamento por microcrédito urbano, o Crediamigo, de acordo com Romildo Rolim, presidente da instituição. Em entrevista ao Sistema Jangadeiro, o gestor do banco fez uma avaliação positiva sobre os últimos 12 meses, ressaltando o lucro superior ao de 2018.

À frente do BNB há dois anos, Rolim também apontou o interesse do banco em reforçar a digitalização de suas atividades em 2020, com foco nas plataformas eletrônicas de atendimento aos clientes. O presidente também falou sobre a programação orçamentária para o novo ano, destacou a relação com o Porto do Pecém e revelou os bons índices de adimplência no Crediamigo em 2019.

Confira abaixo a conversa com Romildo Rolim, presidente do Banco do Nordeste:

Sistema Jangadeiro O ano de 2019 está terminando. Qual é a avaliação que o senhor faz com relação ao banco e à atuação dele?

Romildo Rolim – Nós fazemos uma avaliação muito positiva. O Banco do Nordeste vai cumprir com sua programação orçamentária, tanto do Crédito Produtivo de Longo Prazo, que é o FNE (Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste), através do qual a gente financia o agronegócio, indústria, serviço, comércio, infraestrutura, como também a gente vai superar – e muito – as nossas metas do Crediamigo, que é nosso programa de microcrédito urbano, através do qual a gente financia o microempreendedor urbano.

Vamos cumprir nosso orçamento, principalmente com foco nos micro e pequenos produtores, tanto urbanos quanto rurais. E fazendo todas nossas atividades com relação a todos os segmentos. Então, isso é muito importante, porque nós vamos cumprir a nossa missão de ser banco de desenvolvimento, gerando oportunidades de emprego, renda. Estamos cada vez mais perto dos nossos clientes, através dos nossos canais digitais, que estão dando velocidade à operação. Isso é muito importante para a gente.

JangadeiroEm relação ao FNE, que é um meio importante para a nossa região, no próximo ano, como é que deve ser?

Romildo – Com relação ao FNE, a gente teve a programação orçamentária aprovada há duas semanas pelo Conselho Deliberativo da Sudene (Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste). Serão em torno de R$ 30 bilhões – mais precisamente, R$ 29,6 bilhões – distribuídos nos estabelecimentos tradicionais e na infraestrutura.

Teremos foco na micro e pequena empresa, micro e pequeno produtor rural. 72% desse orçamento a gente vai focar nos portes de clientes menores. Mas também para clientes maiores, estaremos financiando a infraestrutura, focando no saneamento, que é muito importante. Já temos operações feitas neste ano e no ano passado.

Romildo apontou o interesse do banco em reforçar a digitalização de suas atividades em 2020 (FOTO: Tribuna do Ceará)

JangadeiroEsse investimento em saneamento é com as companhias estatais ou é um outro tipo de investimento inédito? Como seria?

Romildo – São através das companhias estatais, aquelas que têm receita própria, companhias estaduais ou sociedades de economia mista, que têm receita própria, a exemplo da Cagece (Companhia de Água e Esgoto do Ceará) aqui no Ceará. A gente precisa ter essa característica. Não financiamos diretamente aos estados ou aos municípios. A gente já fez muitos negócios, em época de contratação e também de desembolso.

JangadeiroEm relação ao Ceará, como o senhor projeta o próximo? Há algum projeto específico que o banco deverá financiar aqui no estado?

Romildo – A gente já vem fazendo planejamento, sobretudo na grande âncora do Porto do Pecém, que teve esse convênio com o Porto de Roterdã [na Holanda]. O entorno vai gerar muitos negócios para o banco. Já estamos presentes, já financiamos algumas operações para algumas empresas. Estamos próximos do que tem sido feito.

JangadeiroEm relação à atuação do banco, teve uma expansão de agências para o interior. Como está essa situação agora do acesso do cidadão ao Banco do Nordeste?

Romildo – Nós temos hoje 292 agências distribuídas em todas as nossas áreas de atuação. Não temos plano de fechar agências e, sim, de dar eficiência a essas agências, através dos nossos canais, das nossas formas de fazer banco de desenvolvimento, das agências itinerantes. A gente tem trabalhado também nas plataformas digitais. Queremos consolidar o Banco do Nordeste como um banco digital.

JangadeiroO senhor se referiu ao Crediamigo, que é um meio bastante popular. Em relação à adimplência e à inadimplência, como ele tem se comportado?

Romildo – A adimplência é muito boa e a inadimplência é muito baixa, porque temos uma metodologia específica de fazer microcrédito. Somos líderes no Brasil: 75% do microcrédito feito no Brasil é originado no Banco do Nordeste. E a gente trabalha para ampliar cada vez mais. A gente tem agora 2,5 milhões de clientes ativos. Então, vamos passar para 5 milhões de clientes ativos em 2022.

Rolim revelou os bons índices de adimplência no Crediamigo em 2019 (FOTO: TV Jangadeiro/SBT)

JangadeiroNesse cenário atual da economia, a gente tem o empreendedorismo acentuado. O banco abraça sempre essa questão do empreendedorismo. Qual é a realidade do pequeno empreendedor no Banco do Nordeste?

Romildo – A quantidade de clientes no microcrédito é muito expressiva. Neste ano, nós fizemos 4,3 milhões de operações. O microcrédito vai crescer 20%. Na nossa área de atuação, temos em torno de 4 milhões de desempregados, mas 2,5 milhões de clientes ativos só no microcrédito. As pessoas não têm emprego formal, mas têm uma ocupação, uma atividade. Isso faz com que elas tenham dignidade e possam levar sustento para suas famílias.

Jangadeiro O Banco do Nordeste só deve fechar em 2020 o balanço de 2019. Mas a olho nu, qual é o balanço financeiro que se tem hoje?

Romildo – No primeiro semestre de 2019, houve um lucro superior ao ano de 2018 inteiro. Foi R$ 744 milhões. Estamos trabalhando para dar toda eficiência e autossustentabilidade. A gente tem feito isso com a melhor gestão dos riscos de crédito, maior velocidade de contratação e desembolso, um grande programa de redução de despesas administrativas.

JangadeiroEm relação à sustentabilidade do banco, tem previsão de lançamento de papel ou algo nesse sentido?

Romildo – Não, não existe. O banco tem todos os seus indicadores equilibrados, bons. Nos indicadores de eficiência, estamos dentro da curva normal, até acima. Estamos fazendo papel de banco de desenvolvimento e mantendo a sustentabilidade do banco em níveis empresariais.

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AVALIAÇÃO POSITIVA

Do alfinete ao foguete

Usando metáfora bem humorada, presidente do Banco do Nordeste comemora o crescimento dos volumes de contração de crédito e o balanço positivo do carro-chefe dos microcréditos: o Crediamigo urbano e rural

Por Tribuna do Ceará em Negócios

27 de dezembro de 2019 às 10:23

Há 6 meses

Romildo Rolim está à frente do BNB desde 2017 (FOTO: Tribuna do Ceará)

O Banco do Nordeste (BNB) deve encerrar 2019 com 2,5 milhões de clientes ativos em seu programa de financiamento por microcrédito urbano, o Crediamigo, de acordo com Romildo Rolim, presidente da instituição. Em entrevista ao Sistema Jangadeiro, o gestor do banco fez uma avaliação positiva sobre os últimos 12 meses, ressaltando o lucro superior ao de 2018.

À frente do BNB há dois anos, Rolim também apontou o interesse do banco em reforçar a digitalização de suas atividades em 2020, com foco nas plataformas eletrônicas de atendimento aos clientes. O presidente também falou sobre a programação orçamentária para o novo ano, destacou a relação com o Porto do Pecém e revelou os bons índices de adimplência no Crediamigo em 2019.

Confira abaixo a conversa com Romildo Rolim, presidente do Banco do Nordeste:

Sistema Jangadeiro O ano de 2019 está terminando. Qual é a avaliação que o senhor faz com relação ao banco e à atuação dele?

Romildo Rolim – Nós fazemos uma avaliação muito positiva. O Banco do Nordeste vai cumprir com sua programação orçamentária, tanto do Crédito Produtivo de Longo Prazo, que é o FNE (Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste), através do qual a gente financia o agronegócio, indústria, serviço, comércio, infraestrutura, como também a gente vai superar – e muito – as nossas metas do Crediamigo, que é nosso programa de microcrédito urbano, através do qual a gente financia o microempreendedor urbano.

Vamos cumprir nosso orçamento, principalmente com foco nos micro e pequenos produtores, tanto urbanos quanto rurais. E fazendo todas nossas atividades com relação a todos os segmentos. Então, isso é muito importante, porque nós vamos cumprir a nossa missão de ser banco de desenvolvimento, gerando oportunidades de emprego, renda. Estamos cada vez mais perto dos nossos clientes, através dos nossos canais digitais, que estão dando velocidade à operação. Isso é muito importante para a gente.

JangadeiroEm relação ao FNE, que é um meio importante para a nossa região, no próximo ano, como é que deve ser?

Romildo – Com relação ao FNE, a gente teve a programação orçamentária aprovada há duas semanas pelo Conselho Deliberativo da Sudene (Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste). Serão em torno de R$ 30 bilhões – mais precisamente, R$ 29,6 bilhões – distribuídos nos estabelecimentos tradicionais e na infraestrutura.

Teremos foco na micro e pequena empresa, micro e pequeno produtor rural. 72% desse orçamento a gente vai focar nos portes de clientes menores. Mas também para clientes maiores, estaremos financiando a infraestrutura, focando no saneamento, que é muito importante. Já temos operações feitas neste ano e no ano passado.

Romildo apontou o interesse do banco em reforçar a digitalização de suas atividades em 2020 (FOTO: Tribuna do Ceará)

JangadeiroEsse investimento em saneamento é com as companhias estatais ou é um outro tipo de investimento inédito? Como seria?

Romildo – São através das companhias estatais, aquelas que têm receita própria, companhias estaduais ou sociedades de economia mista, que têm receita própria, a exemplo da Cagece (Companhia de Água e Esgoto do Ceará) aqui no Ceará. A gente precisa ter essa característica. Não financiamos diretamente aos estados ou aos municípios. A gente já fez muitos negócios, em época de contratação e também de desembolso.

JangadeiroEm relação ao Ceará, como o senhor projeta o próximo? Há algum projeto específico que o banco deverá financiar aqui no estado?

Romildo – A gente já vem fazendo planejamento, sobretudo na grande âncora do Porto do Pecém, que teve esse convênio com o Porto de Roterdã [na Holanda]. O entorno vai gerar muitos negócios para o banco. Já estamos presentes, já financiamos algumas operações para algumas empresas. Estamos próximos do que tem sido feito.

JangadeiroEm relação à atuação do banco, teve uma expansão de agências para o interior. Como está essa situação agora do acesso do cidadão ao Banco do Nordeste?

Romildo – Nós temos hoje 292 agências distribuídas em todas as nossas áreas de atuação. Não temos plano de fechar agências e, sim, de dar eficiência a essas agências, através dos nossos canais, das nossas formas de fazer banco de desenvolvimento, das agências itinerantes. A gente tem trabalhado também nas plataformas digitais. Queremos consolidar o Banco do Nordeste como um banco digital.

JangadeiroO senhor se referiu ao Crediamigo, que é um meio bastante popular. Em relação à adimplência e à inadimplência, como ele tem se comportado?

Romildo – A adimplência é muito boa e a inadimplência é muito baixa, porque temos uma metodologia específica de fazer microcrédito. Somos líderes no Brasil: 75% do microcrédito feito no Brasil é originado no Banco do Nordeste. E a gente trabalha para ampliar cada vez mais. A gente tem agora 2,5 milhões de clientes ativos. Então, vamos passar para 5 milhões de clientes ativos em 2022.

Rolim revelou os bons índices de adimplência no Crediamigo em 2019 (FOTO: TV Jangadeiro/SBT)

JangadeiroNesse cenário atual da economia, a gente tem o empreendedorismo acentuado. O banco abraça sempre essa questão do empreendedorismo. Qual é a realidade do pequeno empreendedor no Banco do Nordeste?

Romildo – A quantidade de clientes no microcrédito é muito expressiva. Neste ano, nós fizemos 4,3 milhões de operações. O microcrédito vai crescer 20%. Na nossa área de atuação, temos em torno de 4 milhões de desempregados, mas 2,5 milhões de clientes ativos só no microcrédito. As pessoas não têm emprego formal, mas têm uma ocupação, uma atividade. Isso faz com que elas tenham dignidade e possam levar sustento para suas famílias.

Jangadeiro O Banco do Nordeste só deve fechar em 2020 o balanço de 2019. Mas a olho nu, qual é o balanço financeiro que se tem hoje?

Romildo – No primeiro semestre de 2019, houve um lucro superior ao ano de 2018 inteiro. Foi R$ 744 milhões. Estamos trabalhando para dar toda eficiência e autossustentabilidade. A gente tem feito isso com a melhor gestão dos riscos de crédito, maior velocidade de contratação e desembolso, um grande programa de redução de despesas administrativas.

JangadeiroEm relação à sustentabilidade do banco, tem previsão de lançamento de papel ou algo nesse sentido?

Romildo – Não, não existe. O banco tem todos os seus indicadores equilibrados, bons. Nos indicadores de eficiência, estamos dentro da curva normal, até acima. Estamos fazendo papel de banco de desenvolvimento e mantendo a sustentabilidade do banco em níveis empresariais.