Após 6 anos de vício com drogas, jovem reconstrói a vida fazendo desenhos realistas

NOVO TRAÇO

Após 6 anos de vício com drogas, jovem reconstrói a vida fazendo desenhos realistas

Eduardo Alves foi usuário de drogas por seis anos. Após reabilitação, o jovem recomeça a vida produzindo desenhos realistas

Por Daniel Rocha em Perfil

5 de março de 2019 às 07:00

Há 1 ano
Homem recomeça a vida graças a desenho

Os desenhos de Eduardo Alves impressionam (Foto: Thales Dídimo/Tribuna do Ceará)

Foram as animações infantis que inspiraram Eduardo Alves a desenhar. Quando criança, tentava reproduzir no papel os personagens do desenho animado Dragon Ball Z. As tentativas se transformaram em hobby. Hoje, aos 25 anos, tem outro significado. Eduardo era usuário de cocaína e passou seis meses em uma clínica de reabilitação. Após o tratamento, utiliza do talento adquirido na infância para recomeçar e mudar de vida.

Foram três anos de dependência da droga. Eduardo teve acesso à cocaína com amigos quando despertou a curiosidade em experimentar. Tinha apenas 18 anos.  Nos primeiros usos, o jovem cearense não apresentava nenhum sinal de vício. Acreditava que estava sob o controle da situação.

“No começo, é bem tranquilo, mas depois de um tempo você fica dependente. Isso varia de pessoa para pessoa”, ressalta. Após seis anos usando a droga, viu a sua vida mudar aos poucos mesmo não querendo aceitar o início da dependência. “Você até percebe a dependência, mas não quer acreditar naquilo que tem o controle. Mas, as pessoas ao seu redor percebem que você não está”, explica Eduardo.

Reabilitação

O vício durou seis anos, mas só aos 21 ele percebeu que já estava dependente.“Perdi emprego. Eu trabalhava como auxiliar de produção. Perdi também relacionamento, o apoio da família, amigos e os meus princípios”, relembra.

Ao perceber as perdas que estavam ocorrendo devido à droga, decidiu recorrer a uma clínica de reabilitação, no município de Maranguape, para ficar livre do vício. Passou seis meses internado. Foi lá onde ouviu histórias de outros dependentes que lhe incentivaram ainda mais a recomeçar. Conheceu pessoas que moraram na rua e até perderam familiares.

“Teve pessoas que perderam parentes da família após saberem que os filhos estavam usando drogas”, relembra. Eram situações que jamais chegou a vivenciar. Entretanto, caso continuasse com o vício, poderia cometer os mesmos erros. “Se você continuar, vai chegar um ponto que você vai fazer. É inevitável”, destaca.

View this post on Instagram

@aline.ingrid.73

A post shared by Eduardo Alves (@dudualves_insta) on

Recomeço

Há um ano Eduardo deixou ser dependente da droga. Atualmente, faz um curso para poder atuar como eletricista e voltar ao mercado. Entretanto, enquanto ainda não consegue um emprego, é pelo desenho que o jovem recomeça a sua vida.

O talento lhe ajuda a ocupar a mente nos momentos de ócio e também a conseguir uma renda extra. Ele reproduz fotos de clientes a lápis. As obras ficam idênticas às fotografias. “É meu hobby desenhar. Mesmo quando não tenho uma encomenda, eu desenho. É a minha válvula de escape”, afirma.

Com alguns meses de prática, decidiu vender os retratos de pessoas por encomenda. Cobra em média R$ 50 por desenho. Alguns podem ser mais caros ou mais baratos devido aos detalhes da fotografia. O cliente envia uma foto que deseja ser reproduzida a lápis. O tempo de produção varia conforme a complexidade da imagem.

Para aprimorar o talento, Eduardo fez um curso de desenho realista e acompanha vídeos no Youtube de outros profissionais. “Acho que ainda posso melhorar muito porque estamos em constante aprendizagem”, afirma.

Após esse período de recomeço, Eduardo visa continuar longe das drogas e, aos poucos, reconquistar o que perdeu durante os seis anos como usuário. “Reconquistar a minha família de volta, conseguir trabalhar de novo e voltar os estudos”, vislumbra.

Serviço:

Eduardo Alves

Publicidade

Dê sua opinião

NOVO TRAÇO

Após 6 anos de vício com drogas, jovem reconstrói a vida fazendo desenhos realistas

Eduardo Alves foi usuário de drogas por seis anos. Após reabilitação, o jovem recomeça a vida produzindo desenhos realistas

Por Daniel Rocha em Perfil

5 de março de 2019 às 07:00

Há 1 ano
Homem recomeça a vida graças a desenho

Os desenhos de Eduardo Alves impressionam (Foto: Thales Dídimo/Tribuna do Ceará)

Foram as animações infantis que inspiraram Eduardo Alves a desenhar. Quando criança, tentava reproduzir no papel os personagens do desenho animado Dragon Ball Z. As tentativas se transformaram em hobby. Hoje, aos 25 anos, tem outro significado. Eduardo era usuário de cocaína e passou seis meses em uma clínica de reabilitação. Após o tratamento, utiliza do talento adquirido na infância para recomeçar e mudar de vida.

Foram três anos de dependência da droga. Eduardo teve acesso à cocaína com amigos quando despertou a curiosidade em experimentar. Tinha apenas 18 anos.  Nos primeiros usos, o jovem cearense não apresentava nenhum sinal de vício. Acreditava que estava sob o controle da situação.

“No começo, é bem tranquilo, mas depois de um tempo você fica dependente. Isso varia de pessoa para pessoa”, ressalta. Após seis anos usando a droga, viu a sua vida mudar aos poucos mesmo não querendo aceitar o início da dependência. “Você até percebe a dependência, mas não quer acreditar naquilo que tem o controle. Mas, as pessoas ao seu redor percebem que você não está”, explica Eduardo.

Reabilitação

O vício durou seis anos, mas só aos 21 ele percebeu que já estava dependente.“Perdi emprego. Eu trabalhava como auxiliar de produção. Perdi também relacionamento, o apoio da família, amigos e os meus princípios”, relembra.

Ao perceber as perdas que estavam ocorrendo devido à droga, decidiu recorrer a uma clínica de reabilitação, no município de Maranguape, para ficar livre do vício. Passou seis meses internado. Foi lá onde ouviu histórias de outros dependentes que lhe incentivaram ainda mais a recomeçar. Conheceu pessoas que moraram na rua e até perderam familiares.

“Teve pessoas que perderam parentes da família após saberem que os filhos estavam usando drogas”, relembra. Eram situações que jamais chegou a vivenciar. Entretanto, caso continuasse com o vício, poderia cometer os mesmos erros. “Se você continuar, vai chegar um ponto que você vai fazer. É inevitável”, destaca.

View this post on Instagram

@aline.ingrid.73

A post shared by Eduardo Alves (@dudualves_insta) on

Recomeço

Há um ano Eduardo deixou ser dependente da droga. Atualmente, faz um curso para poder atuar como eletricista e voltar ao mercado. Entretanto, enquanto ainda não consegue um emprego, é pelo desenho que o jovem recomeça a sua vida.

O talento lhe ajuda a ocupar a mente nos momentos de ócio e também a conseguir uma renda extra. Ele reproduz fotos de clientes a lápis. As obras ficam idênticas às fotografias. “É meu hobby desenhar. Mesmo quando não tenho uma encomenda, eu desenho. É a minha válvula de escape”, afirma.

Com alguns meses de prática, decidiu vender os retratos de pessoas por encomenda. Cobra em média R$ 50 por desenho. Alguns podem ser mais caros ou mais baratos devido aos detalhes da fotografia. O cliente envia uma foto que deseja ser reproduzida a lápis. O tempo de produção varia conforme a complexidade da imagem.

Para aprimorar o talento, Eduardo fez um curso de desenho realista e acompanha vídeos no Youtube de outros profissionais. “Acho que ainda posso melhorar muito porque estamos em constante aprendizagem”, afirma.

Após esse período de recomeço, Eduardo visa continuar longe das drogas e, aos poucos, reconquistar o que perdeu durante os seis anos como usuário. “Reconquistar a minha família de volta, conseguir trabalhar de novo e voltar os estudos”, vislumbra.

Serviço:

Eduardo Alves