Cearense dá volta ao mundo ensinando funk para outros povos

DE CABEÇA PRA BAIXO

Mochileiro raiz: Cearense dá volta ao mundo ensinando funk para outros povos

Davi Montenegro, de 30 anos, passou por 37 países em um ano e meio, ensinando outros povos a dançar o funk “Um morto muito louco”, do Bonde do Tigrão

Por William Barros em Perfil

21 de janeiro de 2020 às 06:55

Há 5 meses

A Namíbia foi um dos locais visitados pelo mochileiro funkeiro em sua volta ao mundo (FOTO: Arquivo pessoal)

Foi “no swingue da batida, como um morto muito louco”, que o cearense Davi Montenegro, de 30 anos, deu uma volta ao mundo. O mochileiro passou por 37 países em um ano e meio. Seja no calor do Egito ou no frio do Nepal, por onde passou, ele se dedicou a ensinar coreografias brasileiras a outros povos. Essa jornada foi embalada principalmente pelo funk “Um morto muito louco”, do Bonde do Tigrão.

A viagem iniciada em 2018, durante a Copa do Mundo da Rússia, foi documentada no Instagram @cabeca.pra.baixo. No perfil, estão retratados os pontos turísticos visitados, os amigos conquistados pelo caminho e as trocas culturais vivenciadas pelo cearense. A volta ao mundo de Davi já lhe rendeu um e-book com dicas para mochileiros e, em breve, deve virar um livro com relatos da jornada mais recente.

A ideia da viagem pelo mundo surgiu em 2010, após um intercâmbio para a Argentina. “Na época, fiz amigos de vários lugares do mundo e isso plantou em mim a semente de um dia querer viajar mais. Comecei a me planejar para isso”, relembra Montenegro. Parte desse plano foi economizar o salário de desenvolvedor de jogos. Oito anos depois, era hora de realizar a trip dos sonhos.

Davi começou a viagem apenas com amigos e familiares o seguindo no Instagram. Hoje, já são mais de 72 mil pessoas acompanhando seu perfil. Para ele, esse crescimento se deve à curiosidade do público. “Acho que as pessoas ficavam impressionadas e espalhavam para amigos e familiares. A galera se identificou com as dificuldades para economizar dinheiro, dicas que dava, lugares que visitei e que as pessoas nem escutam falar”, avalia.

Dança, gringo!

Em cada cidade visitada, Davi escolhia uma ponto e fixava uma placa com o convite: “Venha aprender danças brasileiras de graça”. De repente, apareciam os interessados e o brasileiro já estava ensinando coreografias de funk, axé ou sertanejo. Assim, surgiam os registros para o quadro “Dança, gringo!”, que pode ser conferido nos stories destacados no Instagram de Montenegro.

A ideia de ensinar danças brasileiras foi inspirada na experiência de um norte-americano. O mochileiro, que já dançava por diversão, afirma que reunir as primeiras pessoas era a parte mais difícil e que a receptividade era diferente, a depender do local. “Na África, era muito fácil juntar as pessoas. A dificuldade era organizá-las. Na Europa, dançar na rua é muito estranho. As pessoas ficavam com vergonha”, pondera.

Davi pode ser visto ensinado “Ai, se eu te pego”, de Michel Teló, “Renata”, do cantor Latino, ou até mesmo “Dança do ventre”, do grupo É o Tchan, em frente a um conjunto de pirâmides egípcias. Devido à complexidade de algumas coreografias, o mochileiro optou pela mais fácil: “Um morto muito louco”, funk lançado no início da década de 2000.

Mochileiro raiz

Davi acredita que o contato com povos nativos é o “melhor jeito de viajar” (FOTO: Arquivo pessoal)

Davi acredita que sua jornada está inserida em “um outro jeito de viajar”. Para ele, a imersão na cultura local fez diferença em sua jornada. “Para mim, viajar é conhecer pessoas e aprender com elas outros jeitos de viver. Tive que me adaptar à cultura deles e passava um pouco da minha, porque as pessoas têm muita curiosidade pela cultura brasileira. Acho que esse é o melhor jeito de viajar”, classifica o cearense.

Essa filosofia fez sucesso entre os seguidores do viajante, que recebia diversas mensagens com dúvidas e pedidos de dicas de viagens. Por isso, ele decidiu criar o e-book “O Guia Completo do Mochileiro Raiz”, onde dá conselhos sobre planejamento de rota, finanças e estilos de vida para mochileiros inciantes. Para ele, a dica mais importante está justamente na escolha dos destinos.

“As pessoas tendem a escolher sempre os mesmos destinos: EUA, Inglaterra, Itália e França. Geralmente, são destinos muito caros. Fica a imagem de que viajar para o exterior é caro. No e-book, eu dou dica de lugares que o custo de vida é mais barato do que no Brasil, que são incríveis em cultura e paisagens e a gente mal escuta falar”, explica.

Desde que voltou da viagem, em dezembro de 2019, Davi começou a planejar uma série de palestras sobre mochilões. Ele também tem se dedicado a escrever seu novo livro “O mundo de cabeça para baixo”, ainda sem previsão de lançamento. Da jornada, o viajante também trouxe um aprendizado: “O mundo é um lugar bem melhor do que a gente imagina”, garante o mochileiro raiz cearense.

Confira galeria com fotos da volta ao mundo de Davi Montenegro:

Cearense dá volta ao mundo
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Cearense dá volta ao mundo

Davi Montenegro, 30, ensinou funk em 37 países (FOTOS: Arquivo pessoal)

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Davi Montenegro, 30, ensinou funk em 37 países (FOTOS: Arquivo pessoal)

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Davi Montenegro, 30, ensinou funk em 37 países (FOTOS: Arquivo pessoal)

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Mochileiro raiz: Cearense dá volta ao mundo ensinando funk para outros povos

Davi Montenegro, de 30 anos, passou por 37 países em um ano e meio, ensinando outros povos a dançar o funk “Um morto muito louco”, do Bonde do Tigrão

Por William Barros em Perfil

21 de janeiro de 2020 às 06:55

Há 5 meses

A Namíbia foi um dos locais visitados pelo mochileiro funkeiro em sua volta ao mundo (FOTO: Arquivo pessoal)

Foi “no swingue da batida, como um morto muito louco”, que o cearense Davi Montenegro, de 30 anos, deu uma volta ao mundo. O mochileiro passou por 37 países em um ano e meio. Seja no calor do Egito ou no frio do Nepal, por onde passou, ele se dedicou a ensinar coreografias brasileiras a outros povos. Essa jornada foi embalada principalmente pelo funk “Um morto muito louco”, do Bonde do Tigrão.

A viagem iniciada em 2018, durante a Copa do Mundo da Rússia, foi documentada no Instagram @cabeca.pra.baixo. No perfil, estão retratados os pontos turísticos visitados, os amigos conquistados pelo caminho e as trocas culturais vivenciadas pelo cearense. A volta ao mundo de Davi já lhe rendeu um e-book com dicas para mochileiros e, em breve, deve virar um livro com relatos da jornada mais recente.

A ideia da viagem pelo mundo surgiu em 2010, após um intercâmbio para a Argentina. “Na época, fiz amigos de vários lugares do mundo e isso plantou em mim a semente de um dia querer viajar mais. Comecei a me planejar para isso”, relembra Montenegro. Parte desse plano foi economizar o salário de desenvolvedor de jogos. Oito anos depois, era hora de realizar a trip dos sonhos.

Davi começou a viagem apenas com amigos e familiares o seguindo no Instagram. Hoje, já são mais de 72 mil pessoas acompanhando seu perfil. Para ele, esse crescimento se deve à curiosidade do público. “Acho que as pessoas ficavam impressionadas e espalhavam para amigos e familiares. A galera se identificou com as dificuldades para economizar dinheiro, dicas que dava, lugares que visitei e que as pessoas nem escutam falar”, avalia.

Dança, gringo!

Em cada cidade visitada, Davi escolhia uma ponto e fixava uma placa com o convite: “Venha aprender danças brasileiras de graça”. De repente, apareciam os interessados e o brasileiro já estava ensinando coreografias de funk, axé ou sertanejo. Assim, surgiam os registros para o quadro “Dança, gringo!”, que pode ser conferido nos stories destacados no Instagram de Montenegro.

A ideia de ensinar danças brasileiras foi inspirada na experiência de um norte-americano. O mochileiro, que já dançava por diversão, afirma que reunir as primeiras pessoas era a parte mais difícil e que a receptividade era diferente, a depender do local. “Na África, era muito fácil juntar as pessoas. A dificuldade era organizá-las. Na Europa, dançar na rua é muito estranho. As pessoas ficavam com vergonha”, pondera.

Davi pode ser visto ensinado “Ai, se eu te pego”, de Michel Teló, “Renata”, do cantor Latino, ou até mesmo “Dança do ventre”, do grupo É o Tchan, em frente a um conjunto de pirâmides egípcias. Devido à complexidade de algumas coreografias, o mochileiro optou pela mais fácil: “Um morto muito louco”, funk lançado no início da década de 2000.

Mochileiro raiz

Davi acredita que o contato com povos nativos é o “melhor jeito de viajar” (FOTO: Arquivo pessoal)

Davi acredita que sua jornada está inserida em “um outro jeito de viajar”. Para ele, a imersão na cultura local fez diferença em sua jornada. “Para mim, viajar é conhecer pessoas e aprender com elas outros jeitos de viver. Tive que me adaptar à cultura deles e passava um pouco da minha, porque as pessoas têm muita curiosidade pela cultura brasileira. Acho que esse é o melhor jeito de viajar”, classifica o cearense.

Essa filosofia fez sucesso entre os seguidores do viajante, que recebia diversas mensagens com dúvidas e pedidos de dicas de viagens. Por isso, ele decidiu criar o e-book “O Guia Completo do Mochileiro Raiz”, onde dá conselhos sobre planejamento de rota, finanças e estilos de vida para mochileiros inciantes. Para ele, a dica mais importante está justamente na escolha dos destinos.

“As pessoas tendem a escolher sempre os mesmos destinos: EUA, Inglaterra, Itália e França. Geralmente, são destinos muito caros. Fica a imagem de que viajar para o exterior é caro. No e-book, eu dou dica de lugares que o custo de vida é mais barato do que no Brasil, que são incríveis em cultura e paisagens e a gente mal escuta falar”, explica.

Desde que voltou da viagem, em dezembro de 2019, Davi começou a planejar uma série de palestras sobre mochilões. Ele também tem se dedicado a escrever seu novo livro “O mundo de cabeça para baixo”, ainda sem previsão de lançamento. Da jornada, o viajante também trouxe um aprendizado: “O mundo é um lugar bem melhor do que a gente imagina”, garante o mochileiro raiz cearense.

Confira galeria com fotos da volta ao mundo de Davi Montenegro:

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Davi Montenegro, 30, ensinou funk em 37 países (FOTOS: Arquivo pessoal)

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