Insegurança: Carteiros são vítimas frequentes de assaltos em Fortaleza


Insegurança: carteiros são vítimas frequentes de assaltos em Fortaleza

Para evitar danos maiores, tanto Sindicato como Polícia Militar orientam que os servidores tomem algumas precauções na hora do serviço

Por Thalyta Martins em Polícia

2 de janeiro de 2014 às 19:42

Há 6 anos

Além de contas e pendências, ainda há quem receba cartas, presentes e notícias através do trabalho de profissionais dos Correios. No entanto, os carteiros têm enfrentado constantes problemas com a insegurança em Fortaleza. “Muito assalto, principalmente, nas agências. Quase todo dia a gente tem um caso, os profissionais tem uma dificuldade muito grande e é muito preocupante”, relata o diretor de assuntos jurídicos do Sindicato dos Trabalhadores em Correios e Telégrafos e Similares do Ceará (Sintect-CE), Marcílio Flávio.

Os carteiros do Ceará têm mais uma dificuldade para enfretar diariamente: a insegurança (FOTO: Flickr/ Creative Commons/ Thomás)

Os carteiros do Ceará têm mais uma dificuldade para enfretar diariamente: a insegurança (FOTO: Flickr/ Creative Commons/ Thomás)

Entre os bairros considerados como área de risco para os carteiros estão, por exemplo, Bom Jardim, Pirambu, São Miguel, Rosalina, José Walter e Planalto do Pici. Como as ocorrências estão cada vez mais recorrentes, para evitar danos maiores, tanto Sindicato como Polícia Militar orientam que os servidores tomem algumas precauções. “É uma orientação antiga para qualquer cidadão. Não levar objetos de valor como celular e carteira com dinheiro. Carregar somente o essencial, dinheiro do lanche, e se for abordado pelo marginal, não reagir e entregar”, aponta Marcílio.

A área de segurança e monitoramento dos Correios realiza levantamentos constantes sobre os casos de assaltos, porém não divulga estatísticas sobre o assunto para preservar os funcionários. Como medida de segurança, a empresa informou que mantêm contato permanente com os órgãos de segurança pública estaduais e com a Polícia Federal.

Essa falta de segurança mudou a rotina de muitos servidores, inclusive dos que realizam trabalhos internos, como a do Orimar Santos, funcionário dos Correios no município da Pacatuba. Ele presenciou um assalto à agência no último mês de novembro. “Depois desse assalto, eu venho todo dia trabalhar, mas com medo de voltar para casa. Quando chego dentro da dependência, escondo meu celular e carteira, fico só com o crachá no peito”.

De acordo com os Correios, a empresa presta assistência médica e psicológica para os empregados que sofrem algum tipo de violência em serviço. Porém, segundo Orimar, não houve nenhum auxílio após o assalto na agência em que trabalha.

“De forma alguma, assim que aconteceu o assalto, a empresa veio com o representante para contar quanto que o ladrão levou”. Reclamação que também é recorrente no sindicato. “Na prática não acontece, quando acontece um assalto ao funcionário, se o sindicato não vai ao encontro do profissional, ele fica à própria sorte”, afirma Marcílio Flávio.

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O diretor do sindicato aponta que a violência é geral e há processos judiciais cobrando melhorias para a categoria em todo o Brasil e lembra que é uma situação nova para os servidores. “Já foi uma profissão mais segura, a população, até um tempo atrás, tinha o prazer de receber a gente em sua residência como se fosse alguém da família. Hoje a própria população tem medo de receber o profissional”, relaciona com a situação complicada vivida pelos agentes de endemias, que tem dificuldade de entrar na casa das pessoas.

Segundo a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), todos os bairros da capital cearense são atendidos pelos serviços da empresa, porém em alguns logradouros (ruas e travessas) a distribuição é feita com restrições ou está suspensa para garantir a segurança dos empregados da estatal. Nesses casos, regidos por uma Portaria do Ministério das Comunicações, os serviços são prestados nas unidades da empresa mais próximas de cada localidade ou via caixa postal comunitária.

Solicitação

Os sindicatos da categoria entraram com uma ação judicial, solicitando que as agências postais que também funcionam como agências do Banco do Brasil, passem a ter o mesmo sistema dos bancos. “Segurança armada, detector de metais, porta giratória, para tentar dificultar ao máximo a ação dos bandidos” explica Marcílio Flávio.

Multa

Devido ao grande número de assaltos sofridos pelos servidores no bairro Bom Jardim, os Correios passou a entregar as correspondências dos moradores na associação do bairro, e não no endereço indicado. Medida esta que gerou uma multa de R$152 mil à estatal no último mês de novembro, já que, para o Programa Estadual de Proteção e Defesa do Consumidor (Decon), é de responsabilidade da empresa que todos os usuários recebam suas correspondências domiciliares de forma ininterrupta e intacta.

Em nota, a estatal informou que recorreu contra a multa aplicada pelo Decon, e que a entrega de objetos postais básicos é realizada desde que haja condições de segurança para os empregados postais.

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Insegurança: carteiros são vítimas frequentes de assaltos em Fortaleza

Para evitar danos maiores, tanto Sindicato como Polícia Militar orientam que os servidores tomem algumas precauções na hora do serviço

Por Thalyta Martins em Polícia

2 de janeiro de 2014 às 19:42

Há 6 anos

Além de contas e pendências, ainda há quem receba cartas, presentes e notícias através do trabalho de profissionais dos Correios. No entanto, os carteiros têm enfrentado constantes problemas com a insegurança em Fortaleza. “Muito assalto, principalmente, nas agências. Quase todo dia a gente tem um caso, os profissionais tem uma dificuldade muito grande e é muito preocupante”, relata o diretor de assuntos jurídicos do Sindicato dos Trabalhadores em Correios e Telégrafos e Similares do Ceará (Sintect-CE), Marcílio Flávio.

Os carteiros do Ceará têm mais uma dificuldade para enfretar diariamente: a insegurança (FOTO: Flickr/ Creative Commons/ Thomás)

Os carteiros do Ceará têm mais uma dificuldade para enfretar diariamente: a insegurança (FOTO: Flickr/ Creative Commons/ Thomás)

Entre os bairros considerados como área de risco para os carteiros estão, por exemplo, Bom Jardim, Pirambu, São Miguel, Rosalina, José Walter e Planalto do Pici. Como as ocorrências estão cada vez mais recorrentes, para evitar danos maiores, tanto Sindicato como Polícia Militar orientam que os servidores tomem algumas precauções. “É uma orientação antiga para qualquer cidadão. Não levar objetos de valor como celular e carteira com dinheiro. Carregar somente o essencial, dinheiro do lanche, e se for abordado pelo marginal, não reagir e entregar”, aponta Marcílio.

A área de segurança e monitoramento dos Correios realiza levantamentos constantes sobre os casos de assaltos, porém não divulga estatísticas sobre o assunto para preservar os funcionários. Como medida de segurança, a empresa informou que mantêm contato permanente com os órgãos de segurança pública estaduais e com a Polícia Federal.

Essa falta de segurança mudou a rotina de muitos servidores, inclusive dos que realizam trabalhos internos, como a do Orimar Santos, funcionário dos Correios no município da Pacatuba. Ele presenciou um assalto à agência no último mês de novembro. “Depois desse assalto, eu venho todo dia trabalhar, mas com medo de voltar para casa. Quando chego dentro da dependência, escondo meu celular e carteira, fico só com o crachá no peito”.

De acordo com os Correios, a empresa presta assistência médica e psicológica para os empregados que sofrem algum tipo de violência em serviço. Porém, segundo Orimar, não houve nenhum auxílio após o assalto na agência em que trabalha.

“De forma alguma, assim que aconteceu o assalto, a empresa veio com o representante para contar quanto que o ladrão levou”. Reclamação que também é recorrente no sindicato. “Na prática não acontece, quando acontece um assalto ao funcionário, se o sindicato não vai ao encontro do profissional, ele fica à própria sorte”, afirma Marcílio Flávio.

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O diretor do sindicato aponta que a violência é geral e há processos judiciais cobrando melhorias para a categoria em todo o Brasil e lembra que é uma situação nova para os servidores. “Já foi uma profissão mais segura, a população, até um tempo atrás, tinha o prazer de receber a gente em sua residência como se fosse alguém da família. Hoje a própria população tem medo de receber o profissional”, relaciona com a situação complicada vivida pelos agentes de endemias, que tem dificuldade de entrar na casa das pessoas.

Segundo a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), todos os bairros da capital cearense são atendidos pelos serviços da empresa, porém em alguns logradouros (ruas e travessas) a distribuição é feita com restrições ou está suspensa para garantir a segurança dos empregados da estatal. Nesses casos, regidos por uma Portaria do Ministério das Comunicações, os serviços são prestados nas unidades da empresa mais próximas de cada localidade ou via caixa postal comunitária.

Solicitação

Os sindicatos da categoria entraram com uma ação judicial, solicitando que as agências postais que também funcionam como agências do Banco do Brasil, passem a ter o mesmo sistema dos bancos. “Segurança armada, detector de metais, porta giratória, para tentar dificultar ao máximo a ação dos bandidos” explica Marcílio Flávio.

Multa

Devido ao grande número de assaltos sofridos pelos servidores no bairro Bom Jardim, os Correios passou a entregar as correspondências dos moradores na associação do bairro, e não no endereço indicado. Medida esta que gerou uma multa de R$152 mil à estatal no último mês de novembro, já que, para o Programa Estadual de Proteção e Defesa do Consumidor (Decon), é de responsabilidade da empresa que todos os usuários recebam suas correspondências domiciliares de forma ininterrupta e intacta.

Em nota, a estatal informou que recorreu contra a multa aplicada pelo Decon, e que a entrega de objetos postais básicos é realizada desde que haja condições de segurança para os empregados postais.