Ativistas recebem salário mínimo para segurar bandeira de candidatos nas ruas de Fortaleza


Ativistas recebem salário mínimo para segurar bandeira de candidatos nas ruas de Fortaleza

Faça chuva ou faça sol, os ativistas estão distribuídos em locais estratégicos

Por Hayanne Narlla em Política

15 de setembro de 2014 às 08:00

Há 5 anos
Pela segunda vez, Madalena trabalha durante campanha e garante votar em candidato (FOTO: Hayanne Narlla/ Tribuna do Ceará)

Pela segunda vez, Madalena trabalha durante campanha e garante votar em candidato (FOTO: Hayanne Narlla/ Tribuna do Ceará)

Ao passar pelas ruas de Fortaleza durante período eleitoral, é fácil notar um símbolo quase cultural deste momento: pessoas segurando bandeiras de candidatos. Faça chuva ou faça sol, de domingo a domingo, tais trabalhadores temporários estão distribuídos em locais estratégicos para fazer propaganda.

O Tribuna do Ceará apurou que cada ativista, como são chamados, ganha um salário mínimo por mês, ou seja, R$ 724. O horário é variável de partido para partido, e vai de cinco até oito horas por dia.

Em contato com os quatro partidos que lançaram candidatos ao governo do Estado, apenas o PSB (de Eliane Novaes) informou o número de ativistas contratados: 100. PMDB (de Eunício Oliveira) e PT (de Camilo Santana) não responderam até a publicação desta matéria. Já o Psol (de Aílton Lopes) afirmou que não contrata o serviço, pois é contra a conduta. Todas as pessoas que contribuem para sua campanha são militantes e simpatizantes.

Propaganda ultrapassada?

“Eu vejo como positiva essa ação para o candidato que tem o nome exposto”, considera o cientista político Horácio Frota, da Universidade Estadual do Ceará (Uece). Dessa forma, culturalmente, ao verem as bandeiras, os cearenses atribuem mais força política ao candidato que tem o nome aparecendo mais vezes.

“No interior, principalmente, o prefeito vai se unir a quem tem mais probabilidade de ganhar. Então, quem aparece mais é porque está investindo mais e dá impressão de força. Ainda mais agora, que diminuíram as formas de propaganda, por causa da legislação eleitoral”.

Curioso imaginar que, ainda em 2014, políticos utilizam ferramentas de propaganda semelhantes às das campanhas após o regime militar. “Essa tradição surgiu de forma voluntária, pelos militantes de partidos de esquerda. Outros partidos tinham dificuldade, porque não tinham militantes e passaram a contratar pessoas. Com o tempo, os partidos de esquerda chegam ao poder e perdem esses militantes, tendo também que contratar para suprir a necessidade”, explica.

Depoimentos

Maria Aparecida, 42 anos, já perdeu as contas de quantas vezes trabalhou nessa função durante as eleições. Viúva e dona de casa, ela arranja qualquer serviço para sustentar a filha de 11 anos. “É um dinheiro que faz muita diferença em casa”, desabafa.

Maria já perdeu as contas de quantas vezes trabalhou com tal função (FOTO: Hayanne Narlla/ Tribuna do Ceará)

Maria já perdeu as contas de quantas vezes trabalhou com tal função (FOTO: Hayanne Narlla/ Tribuna do Ceará)

Das 8h às 11h e das 16h às 20h, Maria veste a camisa amarela e vai até o ponto de encontro próximo a sua casa para pegar o ônibus especial, que vai buscar os ativistas. Ganha água e lanche durante as horas em que trabalha e não reclama de permanecer cerca de 3 horas em pé no mesmo local. Quanto ao voto, ela ressalta que escolheu aquele para quem trabalha: Camilo Santana. “Ele é legal, dá atenção”.

Madalena Costa Silva, 31 anos, trabalha literalmente ao lado do marido. Desempregados, ambos seguram a bandeira do Eunício Oliveira. Pela segunda vez trabalhando como ativista, ela foi contatada pela sobrinha de uma amiga, que está coordenando o serviço no comitê do candidato.

Diferente de Maria, Madalena trabalha somente das 16h às 21h. Outra diferença é que ela ganha um vale-transporte para se locomover até o comitê e, de lá, sair para o local escolhido. “Trabalhei da última vez na do Tasso [Jereissati, candidato ao Senado pelo PSDB]. Vou votar neles dois dessa vez, porque gosto muito do Tasso”.

Em uma rápida volta pela Avenida Barão de Studart, na Aldeota, o Tribuna do Ceará contou pelo menos 50 ativistas distribuídos pelos dois lados da via. Esse número foi registrado entre as avenidas Pontes Vieira e Antônio Sales. Em um trecho, bandeiras dos dois candidatos citados estavam lado a lado, já brigando e disputando a atenção dos eleitores.

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Ativistas recebem salário mínimo para segurar bandeira de candidatos nas ruas de Fortaleza

Faça chuva ou faça sol, os ativistas estão distribuídos em locais estratégicos

Por Hayanne Narlla em Política

15 de setembro de 2014 às 08:00

Há 5 anos
Pela segunda vez, Madalena trabalha durante campanha e garante votar em candidato (FOTO: Hayanne Narlla/ Tribuna do Ceará)

Pela segunda vez, Madalena trabalha durante campanha e garante votar em candidato (FOTO: Hayanne Narlla/ Tribuna do Ceará)

Ao passar pelas ruas de Fortaleza durante período eleitoral, é fácil notar um símbolo quase cultural deste momento: pessoas segurando bandeiras de candidatos. Faça chuva ou faça sol, de domingo a domingo, tais trabalhadores temporários estão distribuídos em locais estratégicos para fazer propaganda.

O Tribuna do Ceará apurou que cada ativista, como são chamados, ganha um salário mínimo por mês, ou seja, R$ 724. O horário é variável de partido para partido, e vai de cinco até oito horas por dia.

Em contato com os quatro partidos que lançaram candidatos ao governo do Estado, apenas o PSB (de Eliane Novaes) informou o número de ativistas contratados: 100. PMDB (de Eunício Oliveira) e PT (de Camilo Santana) não responderam até a publicação desta matéria. Já o Psol (de Aílton Lopes) afirmou que não contrata o serviço, pois é contra a conduta. Todas as pessoas que contribuem para sua campanha são militantes e simpatizantes.

Propaganda ultrapassada?

“Eu vejo como positiva essa ação para o candidato que tem o nome exposto”, considera o cientista político Horácio Frota, da Universidade Estadual do Ceará (Uece). Dessa forma, culturalmente, ao verem as bandeiras, os cearenses atribuem mais força política ao candidato que tem o nome aparecendo mais vezes.

“No interior, principalmente, o prefeito vai se unir a quem tem mais probabilidade de ganhar. Então, quem aparece mais é porque está investindo mais e dá impressão de força. Ainda mais agora, que diminuíram as formas de propaganda, por causa da legislação eleitoral”.

Curioso imaginar que, ainda em 2014, políticos utilizam ferramentas de propaganda semelhantes às das campanhas após o regime militar. “Essa tradição surgiu de forma voluntária, pelos militantes de partidos de esquerda. Outros partidos tinham dificuldade, porque não tinham militantes e passaram a contratar pessoas. Com o tempo, os partidos de esquerda chegam ao poder e perdem esses militantes, tendo também que contratar para suprir a necessidade”, explica.

Depoimentos

Maria Aparecida, 42 anos, já perdeu as contas de quantas vezes trabalhou nessa função durante as eleições. Viúva e dona de casa, ela arranja qualquer serviço para sustentar a filha de 11 anos. “É um dinheiro que faz muita diferença em casa”, desabafa.

Maria já perdeu as contas de quantas vezes trabalhou com tal função (FOTO: Hayanne Narlla/ Tribuna do Ceará)

Maria já perdeu as contas de quantas vezes trabalhou com tal função (FOTO: Hayanne Narlla/ Tribuna do Ceará)

Das 8h às 11h e das 16h às 20h, Maria veste a camisa amarela e vai até o ponto de encontro próximo a sua casa para pegar o ônibus especial, que vai buscar os ativistas. Ganha água e lanche durante as horas em que trabalha e não reclama de permanecer cerca de 3 horas em pé no mesmo local. Quanto ao voto, ela ressalta que escolheu aquele para quem trabalha: Camilo Santana. “Ele é legal, dá atenção”.

Madalena Costa Silva, 31 anos, trabalha literalmente ao lado do marido. Desempregados, ambos seguram a bandeira do Eunício Oliveira. Pela segunda vez trabalhando como ativista, ela foi contatada pela sobrinha de uma amiga, que está coordenando o serviço no comitê do candidato.

Diferente de Maria, Madalena trabalha somente das 16h às 21h. Outra diferença é que ela ganha um vale-transporte para se locomover até o comitê e, de lá, sair para o local escolhido. “Trabalhei da última vez na do Tasso [Jereissati, candidato ao Senado pelo PSDB]. Vou votar neles dois dessa vez, porque gosto muito do Tasso”.

Em uma rápida volta pela Avenida Barão de Studart, na Aldeota, o Tribuna do Ceará contou pelo menos 50 ativistas distribuídos pelos dois lados da via. Esse número foi registrado entre as avenidas Pontes Vieira e Antônio Sales. Em um trecho, bandeiras dos dois candidatos citados estavam lado a lado, já brigando e disputando a atenção dos eleitores.