Camilo completa 100 dias de governo, com estilo menos midiático que o de Cid e foco em seca e segurança


Camilo completa 100 dias de governo, com estilo menos midiático que o de Cid e foco em seca e segurança

Além da discrição, o governador vem buscando imprimir a marca do diálogo como estilo na condução dos três desafios pinçados na campanha: saúde, seca, segurança

Por Tribuna do Ceará em Política

10 de abril de 2015 às 10:00

Há 5 anos
Governador do Ceará, Camilo Santana, completa 100 dias de mandato (FOTO: Renata Monte/Tribuna do Ceará)

Governador do Ceará, Camilo Santana, completa 100 dias de mandato (FOTO: Renata Monte/Tribuna do Ceará)

O governador Camilo Santana, do PT, alcança nesta sexta-feira (10) o primeiro marco simbólico da gestão: a marca dos cem dias. Além da discrição, vem buscando imprimir a marca do diálogo como estilo na condução dos três desafios pinçados na campanha e reafirmados na posse: saúde, seca, segurança, os chamados três ‘esses’. Em todas essas áreas, o estado continua enfrentando velhos problemas.

Eleito com a bandeira de continuidade, não promoveu reforma administrativa. A primeira realização de seu governo foi pôr fim a uma greve de mais de dois meses dos professores das universidades estaduais porque a negociação com a gestão anterior havia se esgotado.

Em compensação, a oficialização por parte do Governo Federal de que a Refinaria Premium II não sairá do papel foi o primeiro baque no governo de Camilo vindo de um aliado, deixando prejuízo de mais de R$ 650 milhões ao Estado.

Herdeiro de uma máquina que viu os custos incharem na gestão anterior, puxados por exemplo pela construção e implantação de hospitais regionais, Camilo foi forçado pela crise econômica a impor ao seu governo uma redução de 25% dos gastos com custeio. Num cenário que recomenda a contenção, o Estado enfrenta o quarto ano consecutivo de seca. Em fevereiro, o governador lançou um plano de ações de enfrentamento às consequências da seca, no valor de R$ 5,5 bilhões, mas que dependem em grande parte de recursos federais, também sujeitos a cortes em função da crise.

Camilo apresentou à Assembleia Legislativa o Plano Estadual de Convivência com a Seca, com ações de reforço de carros-pipa, construção de cisternas, adutoras e poços; com investimentos em benefícios sociais e obras de transferência hídrica.

O governador também assinou a Ordem de Serviço do programa “Água Doce”, para a implantação de 222 dessalinizadores em comunidades rurais de 45 municípios do sertão cearense. Foram inaugurados também novos sistemas de abastecimento, dentro do Programa “Água para Todos” em municípios como Missão Velha, Cruz, Bela Cruz, Barbalha, Campos Sales, Brejo Santo, Crato e Assaré. Outros 600 sistemas estão em execução.

Segurança pública

É justamente no maior calo do governo seu antecessor Cid Gomes (Pros) que Camilo tem amealhado algumas boas notícias, como a redução de crimes violentos, em Fortaleza, em quase 20% (19,9%) no primeiro trimestre desse ano, segundo a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS). Ainda assim, de janeiro a março desse ano foram registrados 1.082 homicídios no Ceará.

Nesta semana, rebatizou de Novo Ronda o programa de policiamento lançado no governo passado e duramente criticado pela oposição pelo alto custo de implantação com, por exemplo, carros de luxo Hilux. Camilo anunciou a criação de unidades integradas, que reunirão companhias do Ronda, da Polícia Militar e uma delegacia da Polícia Civil funcionando 24 horas. Será possível ainda registrar Boletim de Ocorrências com os policiais, nas próprias viaturas. Quando a reformulação estiver plenamente implantada, deverão ser 25 Unidades Integradas de Segurança (Unisegs) espalhadas pela Capital, envolvendo 2,2 mil policiais. A estrutura de cada uma delas incluirá uma van, seis viaturas, duas motos e equipamentos de comunicação.

“O Ronda é um programa importantíssimo e que precisa ser aprimorado. Essa reestruturação fará com que a polícia fique ainda mais próxima da população, o que é, na verdade, a essência do programa. Em paralelo a isso, é fundamental que o policial esteja motivado para desempenhar a função”, frisa Camilo.

“O Ronda é um programa importantíssimo e que precisa ser aprimorado”. (Camilo Santana)

Outro compromisso de campanha do governador foi a realização de um novo sistema de promoções para a Polícia Militar, no intuito de corrigir distorções. E ainda equiparar os salários dos PMs cearenses à média dos profissionais dos demais estados nordestinos. Também está prevista a realização de novo concurso público. Os dois últimos pontos ainda estão no papel, e não fazem parte das promessas postas em prática nesses 100 dias de governo.

Evandro Leitão (PDT), líder do governo na Assembleia Legislativa, analisa a questão da segurança de forma otimista. Para ele, houve avanço na área justamente pela abertura de diálogo com as polícias Civil e Militar. Além disso, ressaltou que o texto sobre as promoções está sendo finalizado para ser enviado à Assembleia. “Os índices de redução de violência estão satisfatórios, já estão repercutindo”, acrescentou.

Mas a oposição já faz críticas. O deputado estadual Danniel Oliveira (PMDB) lembrou a promessa de aumento do número de equipes do Ronda de Ações Intensivas e Ostensivas (Raio), que até o momento não foi cumprida. Atualmente, são 45 equipes, e Camilo Santana prometeu chegar a 1.050, para a realização do policiamento ostensivo no interior do Estado. “Até agora, não temos nem o vislumbre desse aumento, assim como não temos uma moto do Raio circulando no interior. A marca de Camilo Santana não foi percebida em nenhuma esfera do governo”, sustenta.

Apesar das críticas, já se reuniu com a bancada federal e estadual, incluindo o deputado capitão Wagner, que já foi considerado inimigo da gestão anterior e apontado até como o responsável pela greve que paralisou Fortaleza em janeiro de 2012.

Saúde

Na saúde, o desafio de manter e botar para funcionar a estrutura da rede hospitalar recebida da gestão anterior tem dado dor de cabeça até para o secretário da Fazenda, Mauro Filho. O hospital Regional de Quixeramobim – já inaugurado por Cid Gomes e ainda por ser finalizado – nem sequer pode começar a funcionar também pela crise de abastecimento de água do município. Mesmo assim, para manter promessa de campanha, o governador Camilo Santana deve anunciar ainda essa semana a construção de mais um hospital regional, o do Vale do Jaguaribe.

Nesses 100 dias, foi instituída a Lei do Piso dos Agentes de Saúde, que ajustou os rendimentos em R$ 1.014, além de equiparar o reajuste ao dos agentes federais. Houve ainda a integração de 514 novos médicos ao programa “Mais Médicos”, com atuação exclusiva em 113 municípios do Ceará.

Outra medida de Camilo foi o anúncio de concurso para 249 professores efetivos para as universidades estaduais, sendo 120 para a Universidade Estadual do Ceará (Uece), 67 para a Universidade Vale do Acaraú (Uva) e 62 para a Universidade Regional do Cariri (Urca).

Veja as principais promessas de campanha de Camilo Santana:

(ARTE: Tiago Leite)

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Camilo completa 100 dias de governo, com estilo menos midiático que o de Cid e foco em seca e segurança

Além da discrição, o governador vem buscando imprimir a marca do diálogo como estilo na condução dos três desafios pinçados na campanha: saúde, seca, segurança

Por Tribuna do Ceará em Política

10 de abril de 2015 às 10:00

Há 5 anos
Governador do Ceará, Camilo Santana, completa 100 dias de mandato (FOTO: Renata Monte/Tribuna do Ceará)

Governador do Ceará, Camilo Santana, completa 100 dias de mandato (FOTO: Renata Monte/Tribuna do Ceará)

O governador Camilo Santana, do PT, alcança nesta sexta-feira (10) o primeiro marco simbólico da gestão: a marca dos cem dias. Além da discrição, vem buscando imprimir a marca do diálogo como estilo na condução dos três desafios pinçados na campanha e reafirmados na posse: saúde, seca, segurança, os chamados três ‘esses’. Em todas essas áreas, o estado continua enfrentando velhos problemas.

Eleito com a bandeira de continuidade, não promoveu reforma administrativa. A primeira realização de seu governo foi pôr fim a uma greve de mais de dois meses dos professores das universidades estaduais porque a negociação com a gestão anterior havia se esgotado.

Em compensação, a oficialização por parte do Governo Federal de que a Refinaria Premium II não sairá do papel foi o primeiro baque no governo de Camilo vindo de um aliado, deixando prejuízo de mais de R$ 650 milhões ao Estado.

Herdeiro de uma máquina que viu os custos incharem na gestão anterior, puxados por exemplo pela construção e implantação de hospitais regionais, Camilo foi forçado pela crise econômica a impor ao seu governo uma redução de 25% dos gastos com custeio. Num cenário que recomenda a contenção, o Estado enfrenta o quarto ano consecutivo de seca. Em fevereiro, o governador lançou um plano de ações de enfrentamento às consequências da seca, no valor de R$ 5,5 bilhões, mas que dependem em grande parte de recursos federais, também sujeitos a cortes em função da crise.

Camilo apresentou à Assembleia Legislativa o Plano Estadual de Convivência com a Seca, com ações de reforço de carros-pipa, construção de cisternas, adutoras e poços; com investimentos em benefícios sociais e obras de transferência hídrica.

O governador também assinou a Ordem de Serviço do programa “Água Doce”, para a implantação de 222 dessalinizadores em comunidades rurais de 45 municípios do sertão cearense. Foram inaugurados também novos sistemas de abastecimento, dentro do Programa “Água para Todos” em municípios como Missão Velha, Cruz, Bela Cruz, Barbalha, Campos Sales, Brejo Santo, Crato e Assaré. Outros 600 sistemas estão em execução.

Segurança pública

É justamente no maior calo do governo seu antecessor Cid Gomes (Pros) que Camilo tem amealhado algumas boas notícias, como a redução de crimes violentos, em Fortaleza, em quase 20% (19,9%) no primeiro trimestre desse ano, segundo a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS). Ainda assim, de janeiro a março desse ano foram registrados 1.082 homicídios no Ceará.

Nesta semana, rebatizou de Novo Ronda o programa de policiamento lançado no governo passado e duramente criticado pela oposição pelo alto custo de implantação com, por exemplo, carros de luxo Hilux. Camilo anunciou a criação de unidades integradas, que reunirão companhias do Ronda, da Polícia Militar e uma delegacia da Polícia Civil funcionando 24 horas. Será possível ainda registrar Boletim de Ocorrências com os policiais, nas próprias viaturas. Quando a reformulação estiver plenamente implantada, deverão ser 25 Unidades Integradas de Segurança (Unisegs) espalhadas pela Capital, envolvendo 2,2 mil policiais. A estrutura de cada uma delas incluirá uma van, seis viaturas, duas motos e equipamentos de comunicação.

“O Ronda é um programa importantíssimo e que precisa ser aprimorado. Essa reestruturação fará com que a polícia fique ainda mais próxima da população, o que é, na verdade, a essência do programa. Em paralelo a isso, é fundamental que o policial esteja motivado para desempenhar a função”, frisa Camilo.

“O Ronda é um programa importantíssimo e que precisa ser aprimorado”. (Camilo Santana)

Outro compromisso de campanha do governador foi a realização de um novo sistema de promoções para a Polícia Militar, no intuito de corrigir distorções. E ainda equiparar os salários dos PMs cearenses à média dos profissionais dos demais estados nordestinos. Também está prevista a realização de novo concurso público. Os dois últimos pontos ainda estão no papel, e não fazem parte das promessas postas em prática nesses 100 dias de governo.

Evandro Leitão (PDT), líder do governo na Assembleia Legislativa, analisa a questão da segurança de forma otimista. Para ele, houve avanço na área justamente pela abertura de diálogo com as polícias Civil e Militar. Além disso, ressaltou que o texto sobre as promoções está sendo finalizado para ser enviado à Assembleia. “Os índices de redução de violência estão satisfatórios, já estão repercutindo”, acrescentou.

Mas a oposição já faz críticas. O deputado estadual Danniel Oliveira (PMDB) lembrou a promessa de aumento do número de equipes do Ronda de Ações Intensivas e Ostensivas (Raio), que até o momento não foi cumprida. Atualmente, são 45 equipes, e Camilo Santana prometeu chegar a 1.050, para a realização do policiamento ostensivo no interior do Estado. “Até agora, não temos nem o vislumbre desse aumento, assim como não temos uma moto do Raio circulando no interior. A marca de Camilo Santana não foi percebida em nenhuma esfera do governo”, sustenta.

Apesar das críticas, já se reuniu com a bancada federal e estadual, incluindo o deputado capitão Wagner, que já foi considerado inimigo da gestão anterior e apontado até como o responsável pela greve que paralisou Fortaleza em janeiro de 2012.

Saúde

Na saúde, o desafio de manter e botar para funcionar a estrutura da rede hospitalar recebida da gestão anterior tem dado dor de cabeça até para o secretário da Fazenda, Mauro Filho. O hospital Regional de Quixeramobim – já inaugurado por Cid Gomes e ainda por ser finalizado – nem sequer pode começar a funcionar também pela crise de abastecimento de água do município. Mesmo assim, para manter promessa de campanha, o governador Camilo Santana deve anunciar ainda essa semana a construção de mais um hospital regional, o do Vale do Jaguaribe.

Nesses 100 dias, foi instituída a Lei do Piso dos Agentes de Saúde, que ajustou os rendimentos em R$ 1.014, além de equiparar o reajuste ao dos agentes federais. Houve ainda a integração de 514 novos médicos ao programa “Mais Médicos”, com atuação exclusiva em 113 municípios do Ceará.

Outra medida de Camilo foi o anúncio de concurso para 249 professores efetivos para as universidades estaduais, sendo 120 para a Universidade Estadual do Ceará (Uece), 67 para a Universidade Vale do Acaraú (Uva) e 62 para a Universidade Regional do Cariri (Urca).

Veja as principais promessas de campanha de Camilo Santana:

(ARTE: Tiago Leite)