Com mais de 6,7 milhões de votos em 2014, Psol se torna a voz da esquerda no Brasil


Com mais de 6,7 milhões de votos em 2014, Psol se torna a voz da esquerda no Brasil

Ceará elegeu Renato Roseno como o primeiro deputado estadual da sigla, que passou de quatro para 12 deputados estaduais, e de três para cinco federais no Brasil

Por Daniel Herculano em Política

9 de outubro de 2014 às 14:00

Há 5 anos
PSOL 50

Luciana Genro, Renato Roseno, Aílton Lopes e Jean Wyllys (Foto: Psol)

“1% é uma ova!”, bradou Luciana Genro, candidata do Psol à presidência da República, em um dos debates numa rede nacional de TV, semanas antes da votação. A psolista estava certa. Ao final da apuração, ela realmente tinha mais do que isso. Com 1.612.186 milhão de votos nas eleições do último domingo (5), o total corresponde a cerca de 1,55% dos votos válidos, colocando a candidata em 4º lugar, logo atrás dos três principais candidatos.

Ampliando o fato, o tamanho do Psol no Brasil mostra que uma nova voz na política começa a ganhar corpo. Com um total de 6.778.107 milhões de votos, o Partido Socialismo e Liberdade (Psol) aumentou sua bancada consideravelmente. Na Câmara dos deputados federais, subiu de três para cinco, e nos estados, a sigla cresceu de quatro para 12 deputados estaduais eleitos.

“1% é uma ova!” Luciana Genro

O Psol ganha corpo e voz mesmo sem tantos eleitos. E os números do Ceará comprovam a eclosão do partido no Brasil. Em 2010, a então candidata ao governo Soraya Tupinambá teve 38.599 votos. Quatro ano depois, Aílton Lopes conquistou 102.394 votos, atingindo um crescimento que passa dos 165%. Na Câmara Municipal, o partido possui dois vereadores (Toinha Rocha e João Alfredo), número significativo frente ao PT local, que possui apenas quatro nomes. E com a eleição de Renato Roseno para a Assembleia Legislativa, a sigla também possui a metade de petistas da casa.

“Nosso crescimento representa que um novo segmento social vê no Psol como uma possibilidade de alternativa, nos consolidamos como oposição desde o início do governo do PT, mas não oposição por ser oposição, mas para fazer uma crítica pelo endireitamento do PT e de suas alianças pela manutenção da governabilidade”, dispara Cecília Feitoza, presidente do partido no Ceará.

Com mais de 100 mil votos, Aílton Lopes sai da corrida pelo governo feliz e acredita que sua campanha se pautou pela recuperação do sentido da política como algo baseado na convicção de valores, na luta do dia a dia, dos direitos, na transformação da sociedade.

Ainda na esfera estadual, Renato Roseno é o primeiro nome do partido no Ceará a conseguir uma cadeira na Assembleia Legislativa. Eleito com 58.887 votos, o nome já se candidatou aos cargos de governador por uma vez e de prefeito por duas vezes. Em 2010 conseguiu 113.705 votos para a cadeira de deputado federal, mas a vaga não veio pelo quociente eleitoral.

“No meio de tanta descrença e do uso abusivo do poder econômico e político, nós enfrentamos o bloqueio midiático e conseguiu quase 60 mil votos de uma consciência livre e engajada. Infelizmente o nosso congresso que foi eleito é muito conservador e ainda não fará a reforma política que o Brasil precisa”, profetiza o agora deputado estadual.

Vendo a eleição como um momento de visibilidade, o partido acredita ter se consolidado como a voz da esquerda não apenas no Ceará, mas no Brasil. Segundo a própria direção do partido no Estado, seus eleitores vêm de um segmento social que ocupou as ruas e que visualiza a necessidade de lutar, e que entende o projeto uma chance de transformação. Para Roseno, é muito importante ter esse desenvolvimento político e eleitoral, comprovando ser uma esquerda ideológica, de ideias e convicções, sem alianças meramente eleitoreiras, e para assim crescer também socialmente.

“Nós queremos convocar as pessoas a fazer política todos os dias” Aílton Lopes

Aílton vereador?

Apesar de garantirem que o aumento significativo do partido não se trata simplesmente da campanha política e que seu futuro será determinado somente por seu enraizamento social e numa política praticada no dia a dia, os psolistas já pensam em 2016, mesmo que com parcimônia.

Para o deputado estadual eleito, Renato Roseno, o nome de Aílton é forte, mas até ele se tornar candidato à vaga de vereador, muito depende da disposição dele. “Aílton, sem dúvida, se consolida como um novo porta-voz do partido”, crava a presidente do PSOL no Ceará, Cecília Feitoza, que garante ter muito orgulho do papel que o psolista cumpriu e da campanha que fez. “É um nome que sai fortalecido sim para novas possíveis disputas”, comemora a presidente, já de olho em 2016.

Já o próprio Aílton Lopes ainda não tem a menor ideia do que vai acontecer em 2016, mas não descarta colocar seu nome à disposição da legenda. “Minha história de lutas vem desde o movimento estudantil, na pastoral da juventude, no movimento sindical… Já fui do PT, deixei para ser um dos fundadores do Psol, pois o partido não mais me representava. Sempre estive à serviço da nossa militância e do que o nosso projeto político defende, então, eu me disponho, desde que o desejo coletivo prevaleça”.

PSOL-NO-BRASIL-info

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Com mais de 6,7 milhões de votos em 2014, Psol se torna a voz da esquerda no Brasil

Ceará elegeu Renato Roseno como o primeiro deputado estadual da sigla, que passou de quatro para 12 deputados estaduais, e de três para cinco federais no Brasil

Por Daniel Herculano em Política

9 de outubro de 2014 às 14:00

Há 5 anos
PSOL 50

Luciana Genro, Renato Roseno, Aílton Lopes e Jean Wyllys (Foto: Psol)

“1% é uma ova!”, bradou Luciana Genro, candidata do Psol à presidência da República, em um dos debates numa rede nacional de TV, semanas antes da votação. A psolista estava certa. Ao final da apuração, ela realmente tinha mais do que isso. Com 1.612.186 milhão de votos nas eleições do último domingo (5), o total corresponde a cerca de 1,55% dos votos válidos, colocando a candidata em 4º lugar, logo atrás dos três principais candidatos.

Ampliando o fato, o tamanho do Psol no Brasil mostra que uma nova voz na política começa a ganhar corpo. Com um total de 6.778.107 milhões de votos, o Partido Socialismo e Liberdade (Psol) aumentou sua bancada consideravelmente. Na Câmara dos deputados federais, subiu de três para cinco, e nos estados, a sigla cresceu de quatro para 12 deputados estaduais eleitos.

“1% é uma ova!” Luciana Genro

O Psol ganha corpo e voz mesmo sem tantos eleitos. E os números do Ceará comprovam a eclosão do partido no Brasil. Em 2010, a então candidata ao governo Soraya Tupinambá teve 38.599 votos. Quatro ano depois, Aílton Lopes conquistou 102.394 votos, atingindo um crescimento que passa dos 165%. Na Câmara Municipal, o partido possui dois vereadores (Toinha Rocha e João Alfredo), número significativo frente ao PT local, que possui apenas quatro nomes. E com a eleição de Renato Roseno para a Assembleia Legislativa, a sigla também possui a metade de petistas da casa.

“Nosso crescimento representa que um novo segmento social vê no Psol como uma possibilidade de alternativa, nos consolidamos como oposição desde o início do governo do PT, mas não oposição por ser oposição, mas para fazer uma crítica pelo endireitamento do PT e de suas alianças pela manutenção da governabilidade”, dispara Cecília Feitoza, presidente do partido no Ceará.

Com mais de 100 mil votos, Aílton Lopes sai da corrida pelo governo feliz e acredita que sua campanha se pautou pela recuperação do sentido da política como algo baseado na convicção de valores, na luta do dia a dia, dos direitos, na transformação da sociedade.

Ainda na esfera estadual, Renato Roseno é o primeiro nome do partido no Ceará a conseguir uma cadeira na Assembleia Legislativa. Eleito com 58.887 votos, o nome já se candidatou aos cargos de governador por uma vez e de prefeito por duas vezes. Em 2010 conseguiu 113.705 votos para a cadeira de deputado federal, mas a vaga não veio pelo quociente eleitoral.

“No meio de tanta descrença e do uso abusivo do poder econômico e político, nós enfrentamos o bloqueio midiático e conseguiu quase 60 mil votos de uma consciência livre e engajada. Infelizmente o nosso congresso que foi eleito é muito conservador e ainda não fará a reforma política que o Brasil precisa”, profetiza o agora deputado estadual.

Vendo a eleição como um momento de visibilidade, o partido acredita ter se consolidado como a voz da esquerda não apenas no Ceará, mas no Brasil. Segundo a própria direção do partido no Estado, seus eleitores vêm de um segmento social que ocupou as ruas e que visualiza a necessidade de lutar, e que entende o projeto uma chance de transformação. Para Roseno, é muito importante ter esse desenvolvimento político e eleitoral, comprovando ser uma esquerda ideológica, de ideias e convicções, sem alianças meramente eleitoreiras, e para assim crescer também socialmente.

“Nós queremos convocar as pessoas a fazer política todos os dias” Aílton Lopes

Aílton vereador?

Apesar de garantirem que o aumento significativo do partido não se trata simplesmente da campanha política e que seu futuro será determinado somente por seu enraizamento social e numa política praticada no dia a dia, os psolistas já pensam em 2016, mesmo que com parcimônia.

Para o deputado estadual eleito, Renato Roseno, o nome de Aílton é forte, mas até ele se tornar candidato à vaga de vereador, muito depende da disposição dele. “Aílton, sem dúvida, se consolida como um novo porta-voz do partido”, crava a presidente do PSOL no Ceará, Cecília Feitoza, que garante ter muito orgulho do papel que o psolista cumpriu e da campanha que fez. “É um nome que sai fortalecido sim para novas possíveis disputas”, comemora a presidente, já de olho em 2016.

Já o próprio Aílton Lopes ainda não tem a menor ideia do que vai acontecer em 2016, mas não descarta colocar seu nome à disposição da legenda. “Minha história de lutas vem desde o movimento estudantil, na pastoral da juventude, no movimento sindical… Já fui do PT, deixei para ser um dos fundadores do Psol, pois o partido não mais me representava. Sempre estive à serviço da nossa militância e do que o nosso projeto político defende, então, eu me disponho, desde que o desejo coletivo prevaleça”.

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