"Foi uma aberração à democracia", diz sobrinha de Frei Tito sobre declaração de Bolsonaro

DITADURA MILITAR

“Foi uma aberração à democracia”, diz sobrinha de Frei Tito sobre declaração de Bolsonaro

O presidente afirmou, nesta segunda-feira (29), que “um dia” vai contar ao presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, como o pai do jurista desapareceu na ditadura militar

Por Tribuna Bandnews FM em Política

30 de julho de 2019 às 18:24

Há 10 meses
O presidente deu a declaração ao comentar o desfecho do processo judicial de Adélio Bispo, que lhe deu uma faca durante campanha eleitoral (FOTO: Reprodução/Site Jair Bolsonaro)

O presidente deu a declaração ao comentar o desfecho do processo judicial de Adélio Bispo (FOTO: Reprodução/Site Jair Bolsonaro)

As declarações do presidente Jair Bolsonaro (PSL) sobre o pai de Felipe Santa Cruz, presidente da OAB, gerou reações no Ceará. Bolsonaro afirmou, na segunda-feira (29), que “um dia” contará como o pai do jurista desapareceu na ditadura militar e disse ainda que Felipe “não vai querer saber a verdade” sobre Fernando Augusto de Santa Cruz Oliveira.

A fala foi uma “aberração à democracia”, avalia a integrante do Movimento Memória, Verdade e Justiça Ceará, Lúcia Alencar. Ela, que é sobrinha de Frei Tito de Alencar, morto no período, também lembra outras mortes de cearenses durante a ditadura, como as de Teodoro de Castro, desaparecido político, e o comunista Pedro Jerônimo de Sousa.

Isso é tripudiar o sofrimento e a dor dos familiares, como se não bastasse o sofrimento de toda uma vida e não poder enterrar seus mortos”, avaliou Lúcia.

Ex-preso político no período do regime militar, o professor aposentado Valter Pinheiro, de 74 anos, é um dos cearenses que foram anistiados. Ele relembra as torturas que passou na época. Para o professor, a afirmação do presidente da República é um ato desumano. “Eu considero essa frase uma crime de novo à humanidade”, lamentou.

Em 2009, o cearense foi indenizado pela Anistia Nacional. Antes, ele já havia sido anistiado pelo Estado do Ceará.

Para o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Ceará, deputado Renato Roseno (Psol), a declaração por parte do Presidente Jair Bolsonaro é cruel.

Ele também relembra que “a gente tem a conta acima de 400 mortos e há, ainda, centenas de desaparecidos, como é o caso do pai do atual presidente da OAB”.

O presidente deu a declaração nesta segunda-feira ao comentar o desfecho do processo judicial que considerou Adélio Bispo, autor da facada em Bolsonaro durante a campanha eleitoral, isento de pena por causa de uma doença mental. Isso vai fazer com que Adélio fique em um manicômio em vez de um presídio.

O Sistema Jangadeiro tentou ouvir a OAB Ceará, mas a entidade não quis gravar entrevista e apenas repassou a nota de repúdio da OAB Nacional, que diz que Bolsonaro, assim como todas as autoridades do Brasil, devem obediência à Constituição Federal, que instituiu nosso país como Estado Democrático de Direito e tem entre seus fundamentos a dignidade da pessoa humana, na qual se inclui o direito ao respeito da memória dos mortos.

A nota também presta solidariedade a Felipe Santa Cruz e todas as famílias de quem foi morto, torturado ou desaparecido ao longo da história, especialmente durante o regime militar.

Confira as entrevistas de Jackson de Moura, da Tribuna BandNews FM:

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“Foi uma aberração à democracia”, diz sobrinha de Frei Tito sobre declaração de Bolsonaro

O presidente afirmou, nesta segunda-feira (29), que “um dia” vai contar ao presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, como o pai do jurista desapareceu na ditadura militar

Por Tribuna Bandnews FM em Política

30 de julho de 2019 às 18:24

Há 10 meses
O presidente deu a declaração ao comentar o desfecho do processo judicial de Adélio Bispo, que lhe deu uma faca durante campanha eleitoral (FOTO: Reprodução/Site Jair Bolsonaro)

O presidente deu a declaração ao comentar o desfecho do processo judicial de Adélio Bispo (FOTO: Reprodução/Site Jair Bolsonaro)

As declarações do presidente Jair Bolsonaro (PSL) sobre o pai de Felipe Santa Cruz, presidente da OAB, gerou reações no Ceará. Bolsonaro afirmou, na segunda-feira (29), que “um dia” contará como o pai do jurista desapareceu na ditadura militar e disse ainda que Felipe “não vai querer saber a verdade” sobre Fernando Augusto de Santa Cruz Oliveira.

A fala foi uma “aberração à democracia”, avalia a integrante do Movimento Memória, Verdade e Justiça Ceará, Lúcia Alencar. Ela, que é sobrinha de Frei Tito de Alencar, morto no período, também lembra outras mortes de cearenses durante a ditadura, como as de Teodoro de Castro, desaparecido político, e o comunista Pedro Jerônimo de Sousa.

Isso é tripudiar o sofrimento e a dor dos familiares, como se não bastasse o sofrimento de toda uma vida e não poder enterrar seus mortos”, avaliou Lúcia.

Ex-preso político no período do regime militar, o professor aposentado Valter Pinheiro, de 74 anos, é um dos cearenses que foram anistiados. Ele relembra as torturas que passou na época. Para o professor, a afirmação do presidente da República é um ato desumano. “Eu considero essa frase uma crime de novo à humanidade”, lamentou.

Em 2009, o cearense foi indenizado pela Anistia Nacional. Antes, ele já havia sido anistiado pelo Estado do Ceará.

Para o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Ceará, deputado Renato Roseno (Psol), a declaração por parte do Presidente Jair Bolsonaro é cruel.

Ele também relembra que “a gente tem a conta acima de 400 mortos e há, ainda, centenas de desaparecidos, como é o caso do pai do atual presidente da OAB”.

O presidente deu a declaração nesta segunda-feira ao comentar o desfecho do processo judicial que considerou Adélio Bispo, autor da facada em Bolsonaro durante a campanha eleitoral, isento de pena por causa de uma doença mental. Isso vai fazer com que Adélio fique em um manicômio em vez de um presídio.

O Sistema Jangadeiro tentou ouvir a OAB Ceará, mas a entidade não quis gravar entrevista e apenas repassou a nota de repúdio da OAB Nacional, que diz que Bolsonaro, assim como todas as autoridades do Brasil, devem obediência à Constituição Federal, que instituiu nosso país como Estado Democrático de Direito e tem entre seus fundamentos a dignidade da pessoa humana, na qual se inclui o direito ao respeito da memória dos mortos.

A nota também presta solidariedade a Felipe Santa Cruz e todas as famílias de quem foi morto, torturado ou desaparecido ao longo da história, especialmente durante o regime militar.

Confira as entrevistas de Jackson de Moura, da Tribuna BandNews FM: