HUWC faz uso pioneiro da pele de tilápia para tratar úlceras causadas por varizes

AVANÇO

HUWC faz uso pioneiro da pele de tilápia para tratar úlceras causadas por varizes

Apesar de estar na fase inicial, o estudo já indica vantagens, como rapidez na cicatrização, menos dor e risco de infecção durante troca de curativos

Por Tribuna do Ceará em Saúde

16 de janeiro de 2020 às 07:00

Há 5 meses
O curativo feito com a pele de tilápia dura, em média, até sete dias (FOTO: Divulgação)

O curativo feito com a pele de tilápia dura, em média, até sete dias (FOTO: Divulgação)

Além do uso em tratamento de queimaduras e na construção do canal vaginal em mulheres portadoras da síndrome de Rokitansky, o Serviço de Cirurgia Vascular do Hospital Universitário Walter Cantídio (HUWC),  da Universidade Federal do Ceará (UFC) passou a utilizar a pele de tilápia para tratar úlceras varicosas.

Essas são feridas profundas na pele, geralmente localizadas nas pernas, causadas pelas varizes, podendo demorar de semanas a anos para cicatrizar e, em casos mais graves, nunca curar. O estudo do hospital é pioneiro no Brasil.

Fred Linhares, cirurgião vascular da Rede Ebserh e que está à frente da pesquisa no HUWC, explica que, mesmo ainda inicial, o estudo já aponta vantagens do uso da pele de tilápia em relação aos curativos convencionais. “Como ela (a pele de tilápia) fica mais tempo, a gente consegue manter o curativo por até sete dias, o que diminui o custo com insumos. Com a redução da troca de curativos, você manipula menos a ferida, diminuindo a dor do paciente e o risco de infecção”.

Além disso, o cirurgião destacou que, com base nos estudos com queimados, a equipe do estudo acredita que a cicatrização das úlceras também será mais rápida porque a pele de tilápia estimula a formação de colágeno, o que ajuda muito no processo de fechamento da ferida.

Acompanhamento de pacientes

O estudo, iniciado em 11 de novembro no HUWC, acompanha a evolução de 72 pacientes divididos em três grupos, conforme o tipo de tratamento: com pele de tilápia, óleo de AGE (ácidos graxos essenciais) e espuma de poliuretano. Os dois últimos, convencionais e com trocas de curativos diárias e a cada cinco dias, respectivamente. “No fim do estudo, vamos comparar os resultados e ver o que melhor se aplica”, finaliza Linhares.

De acordo com o especialista, cada paciente é acompanhado por, no máximo, três meses pelo grupo da pesquisa. Se a úlcera fechar, o tratamento é interrompido e o paciente volta ao ambulatório para acompanhamento clínico. Se não fechar em três meses, o paciente volta ao tratamento feito antes do estudo.

Além do Hospital Universitário Walter Cantídio, do Complexo Hospitalar da UFC/Ebserh, estão envolvidas na pesquisa para tratamento de úlcera varicosa com pele de tilápia as equipes multidisciplinares do Instituto de Apoio ao Queimado do Instituto Dr. José Frota (IAQ/IJF) e do Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento de Medicamentos da Universidade Federal do Ceará (NPDM/UFC).

Preparo da pele de tilápia

O estudo acompanha o tratamento de 72 pacientes com úlceras varicosas (FOTO: Divulgação)

O estudo acompanha o tratamento de 72 pacientes com úlceras varicosas (FOTO: Divulgação)

O especialista informa que o preparo da tilápia começa com a retirada de toda a musculatura, deixando apenas a pele. Em seguida, a pele passa por um processo de esterilização, com banhos sucessivos em substâncias químicas para a retirada de bactérias. O material também é liofilizado, ou seja, é submetido a um processo de desidratação.

Ao final, o material é irradiado para ter a certeza de que foram eliminados todos os microrganismos que possam causar contaminações. A pele, já preparada, é colocada sobre a ferida. O curativo é, então, fechado com gaze e atadura.

Fatores da doença

Fred Linhares informa que, entre os principais fatores de risco da úlcera varicosa, estão: genética, sobrepeso, imobilidade e histórico de trombose. “Temos pacientes que são tratados por 30 anos sem que a úlcera feche em definitivo”, alerta. O médico atesta que os impactos desse tipo de lesão na vida dessas pessoas chegam à questão econômica. “É difícil conseguir um emprego com uma ferida na perna. Se há cicatrização, essas pessoas podem, inclusive, voltar ao mercado de trabalho e melhorar a condição econômica de suas famílias”.

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HUWC faz uso pioneiro da pele de tilápia para tratar úlceras causadas por varizes

Apesar de estar na fase inicial, o estudo já indica vantagens, como rapidez na cicatrização, menos dor e risco de infecção durante troca de curativos

Por Tribuna do Ceará em Saúde

16 de janeiro de 2020 às 07:00

Há 5 meses
O curativo feito com a pele de tilápia dura, em média, até sete dias (FOTO: Divulgação)

O curativo feito com a pele de tilápia dura, em média, até sete dias (FOTO: Divulgação)

Além do uso em tratamento de queimaduras e na construção do canal vaginal em mulheres portadoras da síndrome de Rokitansky, o Serviço de Cirurgia Vascular do Hospital Universitário Walter Cantídio (HUWC),  da Universidade Federal do Ceará (UFC) passou a utilizar a pele de tilápia para tratar úlceras varicosas.

Essas são feridas profundas na pele, geralmente localizadas nas pernas, causadas pelas varizes, podendo demorar de semanas a anos para cicatrizar e, em casos mais graves, nunca curar. O estudo do hospital é pioneiro no Brasil.

Fred Linhares, cirurgião vascular da Rede Ebserh e que está à frente da pesquisa no HUWC, explica que, mesmo ainda inicial, o estudo já aponta vantagens do uso da pele de tilápia em relação aos curativos convencionais. “Como ela (a pele de tilápia) fica mais tempo, a gente consegue manter o curativo por até sete dias, o que diminui o custo com insumos. Com a redução da troca de curativos, você manipula menos a ferida, diminuindo a dor do paciente e o risco de infecção”.

Além disso, o cirurgião destacou que, com base nos estudos com queimados, a equipe do estudo acredita que a cicatrização das úlceras também será mais rápida porque a pele de tilápia estimula a formação de colágeno, o que ajuda muito no processo de fechamento da ferida.

Acompanhamento de pacientes

O estudo, iniciado em 11 de novembro no HUWC, acompanha a evolução de 72 pacientes divididos em três grupos, conforme o tipo de tratamento: com pele de tilápia, óleo de AGE (ácidos graxos essenciais) e espuma de poliuretano. Os dois últimos, convencionais e com trocas de curativos diárias e a cada cinco dias, respectivamente. “No fim do estudo, vamos comparar os resultados e ver o que melhor se aplica”, finaliza Linhares.

De acordo com o especialista, cada paciente é acompanhado por, no máximo, três meses pelo grupo da pesquisa. Se a úlcera fechar, o tratamento é interrompido e o paciente volta ao ambulatório para acompanhamento clínico. Se não fechar em três meses, o paciente volta ao tratamento feito antes do estudo.

Além do Hospital Universitário Walter Cantídio, do Complexo Hospitalar da UFC/Ebserh, estão envolvidas na pesquisa para tratamento de úlcera varicosa com pele de tilápia as equipes multidisciplinares do Instituto de Apoio ao Queimado do Instituto Dr. José Frota (IAQ/IJF) e do Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento de Medicamentos da Universidade Federal do Ceará (NPDM/UFC).

Preparo da pele de tilápia

O estudo acompanha o tratamento de 72 pacientes com úlceras varicosas (FOTO: Divulgação)

O estudo acompanha o tratamento de 72 pacientes com úlceras varicosas (FOTO: Divulgação)

O especialista informa que o preparo da tilápia começa com a retirada de toda a musculatura, deixando apenas a pele. Em seguida, a pele passa por um processo de esterilização, com banhos sucessivos em substâncias químicas para a retirada de bactérias. O material também é liofilizado, ou seja, é submetido a um processo de desidratação.

Ao final, o material é irradiado para ter a certeza de que foram eliminados todos os microrganismos que possam causar contaminações. A pele, já preparada, é colocada sobre a ferida. O curativo é, então, fechado com gaze e atadura.

Fatores da doença

Fred Linhares informa que, entre os principais fatores de risco da úlcera varicosa, estão: genética, sobrepeso, imobilidade e histórico de trombose. “Temos pacientes que são tratados por 30 anos sem que a úlcera feche em definitivo”, alerta. O médico atesta que os impactos desse tipo de lesão na vida dessas pessoas chegam à questão econômica. “É difícil conseguir um emprego com uma ferida na perna. Se há cicatrização, essas pessoas podem, inclusive, voltar ao mercado de trabalho e melhorar a condição econômica de suas famílias”.