Aluna de cinema teve nome usado para convencer atrizes a fazer teste de cenas de sexo


Aluna de cinema teve nome usado para convencer atrizes a fazer teste de cenas de sexo

Lilian Oliveira foi convidada a participar, mas recusou o trabalho. Raphael Fyah usou seu nome, informando às atrizes que a universitária estaria presente nos testes

Por Renata Monte em Segurança Pública

14 de fevereiro de 2015 às 09:00

Há 5 anos
Lilian faz Cinema na UFC e nega ter aceitado trabalhar em filme de Raphael Fyah (FOTO: Arquivo Pessoal)

Lilian faz Cinema na UFC e nega ter aceitado trabalhar em filme de Raphael Fyah (FOTO: Arquivo Pessoal)

Na produção do filme Barra do Ceará, o suposto diretor de cinema Raphael Fyah buscou a ajuda de profissionais da área. Além das atrizes e de outros diretores de teatro de Fortaleza que informam terem sido contactados, a estudante de Cinema da Universidade Federal do Ceará (UFC) Lilian Oliveira também foi contactada pelo rapaz para trabalhar como produtora do longa-metragem. Mesmo tendo recusado o convite, o rapaz continuou a usar o nome da jovem para promover seu filme.

Os dois se conheceram durante o curso de Produção Cultural e Organização de Eventos, no Cuca Barra, onde Lilian fez o módulo de Cerimonial, em outubro de 2014. Raphael a procurou dias depois, no Festival Cuca Independente.

No evento, Lilian estava trabalhando com as filmagens de uma das bandas que se apresentavam. “Ele me questionou se eu trabalhava com isso, e eu expliquei que estava só iniciando, que era um freela. Aí ele disse coisas como ‘bom, então se eu precisar de algo, posso te chamar, não é?’. Eu precisando muito trabalhar, respondi que sim”, relata.

Ao contrário da abordagem feita por Raphael com atrizes, o suposto diretor tentou tornar-se, primeiramente, amigo da universitária, conversando sobre assuntos aleatórios. Só em novembro do ano passado, ele começou a falar com Lilian sobre seu filme. “Acredito que em dezembro, não lembro ao certo, ele me ligou pra falar sobre o tal filme, querendo que eu o ajudasse na produção, que ele já tinha locações e alguns atores, mas precisava da minha ajuda pra conseguir alugar equipamento e produzir junto a ele”, conta.

Raphael Fyah 3

A polícia instaurou inquérito para investigar Raphael Fyah (Foto: Reprodução Facebook)

Lilian afirma ter achado estranha a proposta do filme e recusou, alegando que precisava de tempo para estudar. “Ele me mandou um resumo do filme, e eu já achei estranho pela forma como ele fala do filme. Ninguém fala todas aquelas coisas, de ser um divisor de águas, sobre o seu próprio filme. Parecia que ele tinha copiado de algum lugar, mas não falei nada. A pessoa já é estranha. Sou diplomática”, explica.

Mesmo recusando o trabalho, Raphael insistiu argumentando que o filme não tomaria muito do tempo de Lilian, já que as gravações – marcadas para começar em março de 2015 – seriam feitas durante os finais de semana. A estudante soube das denúncias de assédio sexual contra o suspeito através do Facebook, onde pessoas e grupos de teatro e cinema compartilharam as mensagens de que tudo tratava-se de uma farsa.

Nome garantia credibilidade

Segundo algumas atrizes, o uso do nome de Lilian feito por Raphael no convite aos testes as deixava mais tranquilas para a realização do teste, já que uma mulher supostamente estaria na sala durante a avaliação. Depois das acusações, Raphael continuou e alegou que Lilian só desistiu pelas denúncias, versão negada pela universitária, que chegou a arquivar todas as conversas que teve com o rapaz, na tentativa de se resguardar de possíveis constrangimentos.

Raphael pediu para que as denúncias sobre ele parassem, pelo Facebook (FOTO: Reprodução)
CONVERSA ENTRE LILIAN E RAPHAEL
CONVERSA ENTRE LILIAN E RAPHAEL
CONVERSA ENTRE LILIAN E RAPHAEL

A polícia instaurou inquérito para investigar Raphael Fyah, por prometer um salário de R$ 3 mil e a participação em um filme após aprovação em teste de cena de sexo. Segundo o delegado do 33º Distrito Policial, Sidney Furtado, o jovem Francisco Raphael da Costa Silva, que é conhecido pela polícia como Dentinho, será notificado e poderá responder ao artigo 216, atentado ao pudor mediante fraude.

“Vamos ouvir testemunhas e colher as imagens da Rede Cuca [Centro Urbano de Cultura, Arte, Ciência e Esporte – onde o suposto diretor teria se encontrado com as atrizes]. Identifiquei uma vítima concreta no crime de atentado ao pudor mediante fraude. Ela aceitou fazer o teste, e ele seria o próprio ator no filme, que conteria cenas fortes de estupro. Na sala do local, Raphael convenceu de forma fraudulenta e, com ela, teve atos libidinosos”, explicou o delegado. Cinco atrizes já formalizaram denúncia na delegacia.

Veja matéria do Barra Pesada:

[uol video=”http://mais.uol.com.br/view/15374875″]

Relembre as matérias sobre o caso:

12 de fevereiro – Alunas de teatro denunciam assédio sexual em teste para suposto filme em Fortaleza

12 de fevereiro – Diretor de cinema muda versão e admite que realizou teste com atriz para filme

13 de fevereiro – Veja como seriam as cenas de sexo e estupro de teste de atrizes para suposto filme em Fortaleza

13 de fevereiro – Polícia instaura inquérito para investigar suposto diretor de cinema denunciado por atrizes

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Aluna de cinema teve nome usado para convencer atrizes a fazer teste de cenas de sexo

Lilian Oliveira foi convidada a participar, mas recusou o trabalho. Raphael Fyah usou seu nome, informando às atrizes que a universitária estaria presente nos testes

Por Renata Monte em Segurança Pública

14 de fevereiro de 2015 às 09:00

Há 5 anos
Lilian faz Cinema na UFC e nega ter aceitado trabalhar em filme de Raphael Fyah (FOTO: Arquivo Pessoal)

Lilian faz Cinema na UFC e nega ter aceitado trabalhar em filme de Raphael Fyah (FOTO: Arquivo Pessoal)

Na produção do filme Barra do Ceará, o suposto diretor de cinema Raphael Fyah buscou a ajuda de profissionais da área. Além das atrizes e de outros diretores de teatro de Fortaleza que informam terem sido contactados, a estudante de Cinema da Universidade Federal do Ceará (UFC) Lilian Oliveira também foi contactada pelo rapaz para trabalhar como produtora do longa-metragem. Mesmo tendo recusado o convite, o rapaz continuou a usar o nome da jovem para promover seu filme.

Os dois se conheceram durante o curso de Produção Cultural e Organização de Eventos, no Cuca Barra, onde Lilian fez o módulo de Cerimonial, em outubro de 2014. Raphael a procurou dias depois, no Festival Cuca Independente.

No evento, Lilian estava trabalhando com as filmagens de uma das bandas que se apresentavam. “Ele me questionou se eu trabalhava com isso, e eu expliquei que estava só iniciando, que era um freela. Aí ele disse coisas como ‘bom, então se eu precisar de algo, posso te chamar, não é?’. Eu precisando muito trabalhar, respondi que sim”, relata.

Ao contrário da abordagem feita por Raphael com atrizes, o suposto diretor tentou tornar-se, primeiramente, amigo da universitária, conversando sobre assuntos aleatórios. Só em novembro do ano passado, ele começou a falar com Lilian sobre seu filme. “Acredito que em dezembro, não lembro ao certo, ele me ligou pra falar sobre o tal filme, querendo que eu o ajudasse na produção, que ele já tinha locações e alguns atores, mas precisava da minha ajuda pra conseguir alugar equipamento e produzir junto a ele”, conta.

Raphael Fyah 3

A polícia instaurou inquérito para investigar Raphael Fyah (Foto: Reprodução Facebook)

Lilian afirma ter achado estranha a proposta do filme e recusou, alegando que precisava de tempo para estudar. “Ele me mandou um resumo do filme, e eu já achei estranho pela forma como ele fala do filme. Ninguém fala todas aquelas coisas, de ser um divisor de águas, sobre o seu próprio filme. Parecia que ele tinha copiado de algum lugar, mas não falei nada. A pessoa já é estranha. Sou diplomática”, explica.

Mesmo recusando o trabalho, Raphael insistiu argumentando que o filme não tomaria muito do tempo de Lilian, já que as gravações – marcadas para começar em março de 2015 – seriam feitas durante os finais de semana. A estudante soube das denúncias de assédio sexual contra o suspeito através do Facebook, onde pessoas e grupos de teatro e cinema compartilharam as mensagens de que tudo tratava-se de uma farsa.

Nome garantia credibilidade

Segundo algumas atrizes, o uso do nome de Lilian feito por Raphael no convite aos testes as deixava mais tranquilas para a realização do teste, já que uma mulher supostamente estaria na sala durante a avaliação. Depois das acusações, Raphael continuou e alegou que Lilian só desistiu pelas denúncias, versão negada pela universitária, que chegou a arquivar todas as conversas que teve com o rapaz, na tentativa de se resguardar de possíveis constrangimentos.

Raphael pediu para que as denúncias sobre ele parassem, pelo Facebook (FOTO: Reprodução)
CONVERSA ENTRE LILIAN E RAPHAEL
CONVERSA ENTRE LILIAN E RAPHAEL
CONVERSA ENTRE LILIAN E RAPHAEL

A polícia instaurou inquérito para investigar Raphael Fyah, por prometer um salário de R$ 3 mil e a participação em um filme após aprovação em teste de cena de sexo. Segundo o delegado do 33º Distrito Policial, Sidney Furtado, o jovem Francisco Raphael da Costa Silva, que é conhecido pela polícia como Dentinho, será notificado e poderá responder ao artigo 216, atentado ao pudor mediante fraude.

“Vamos ouvir testemunhas e colher as imagens da Rede Cuca [Centro Urbano de Cultura, Arte, Ciência e Esporte – onde o suposto diretor teria se encontrado com as atrizes]. Identifiquei uma vítima concreta no crime de atentado ao pudor mediante fraude. Ela aceitou fazer o teste, e ele seria o próprio ator no filme, que conteria cenas fortes de estupro. Na sala do local, Raphael convenceu de forma fraudulenta e, com ela, teve atos libidinosos”, explicou o delegado. Cinco atrizes já formalizaram denúncia na delegacia.

Veja matéria do Barra Pesada:

[uol video=”http://mais.uol.com.br/view/15374875″]

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