Defensora critica humilhação sofrida por atriz ao fazer BO por assédio sexual em teste para filme


Defensora critica humilhação sofrida por atriz ao fazer BO por assédio sexual em teste para filme

Elisabeth Chagas, que acompanha atrizes que denunciam caso registrado em Fortaleza, acredita que falta atendimento humanizado a mulheres que sofrem violência

Por Renata Monte em Segurança Pública

21 de fevereiro de 2015 às 11:00

Há 5 anos
As atrizes procuraram orientação da Defensoria Pública do Ceará (FOTO: Reprodução)

As atrizes procuraram orientação da Defensoria Pública do Ceará (FOTO: Reprodução)

As atrizes vítimas de assédio sexual, em teste de elenco para filme, no início do mês de fevereiro, denunciaram o tratamento preconceituoso que receberam da Polícia Civil inicialmente, antes de a imprensa abordar o caso. A universitária que chegou a fazer o teste alega que foi humilhada por funcionário do 33º Distrito Policial, em Fortaleza, na ocasião em que registrou Boletim de Ocorrência (BO). Isso levou a defensora pública que acompanha a denúncia, Elisabeth Chagas, a criticar a falta de preparo das delegacias no que diz respeito ao atendimento a mulheres que sofrem violência sexual.

Depois de procurar atendimento na Delegacia da Mulher, na semana passada, as universitárias receberam a informação de que o caso deveria ser investigado pela delegacia mais próxima ao local do crime, que aconteceu no Cuca Barra, na Barra do Ceará. Encaminhadas para a delegacia do bairro Goiabeiras, as atrizes conversaram com o delegado Sidney Furtado e a jovem que chegou a fazer o teste foi registrar o BO. Por ser casada, a estudante foi constrangida pelo funcionário, que quis saber o que o marido da atriz tinha achado do teste com Raphael Fyah.

Segundo Elisabeth Chagas, esse tipo de embaraço é comum, devido a falta de preparo das delegacias para atender essas demandas. “Antes, somente a Delegacia da Mulher poderia atender esse tipo de caso, mas recentemente uma portaria foi aberta permitindo que todas as delegacias trabalhem com isso, mas é preciso que essas instituições tenham o mínimo de formação para oferecer um atendimento humanitário para essas mulheres”, indica.

A defensora que acompanha o caso afirma que há despreparo das delegacias para o atendimento da mulher (FOTO: Reprodução)

A defensora que acompanha o caso afirma que há despreparo das delegacias para o atendimento da mulher (FOTO: Reprodução)

O que a estudante passou na delegacia configura-se como “vitimização secundária“, que acontece quando uma mulher que sofre algum tipo de violência – sexual, física ou psicológica – sofre outra agressão ao chegar na delegacia. “A mulher busca ajuda e acaba recebendo um mal atendimento. O que queremos é que as mulheres falem mais, denunciem, para que isso não ocorra mais. Não é qualquer pessoa que pode atender uma mulher que sofreu agressão sexual”, explica a defensora.

O grupo de atrizes voltou na última quinta-feira (19) ao 33º DP, para prestar um novo depoimento para o delegado. Michelle Gandolphi, uma das jovens convidadas para fazer o teste, afirmou que o responsável da delegacia tentou fazer com que o caso fosse minimizado. “Ele tentou convencer a gente de que isso não tinha nada. Procurou lei no Wikipedia, até que conseguimos explicar pra ele o quanto o caso era grave, mostrando as provas, as conversas que nós tínhamos guardado. Ele começou a ouvir e disse que vai fazer o inquérito em sigilo. Eu senti que não queria colaborar, ele tentou insistir que não era um caso de abuso“, relata.

Para a defensora, o caso das atrizes não pode ser enquadrado como estupro, já que não houve ameaça, diferentemente do que tinha suposto no primeiro encontro com as jovens. “Poderia ser estupro se tivesse tido ameaça, se ele tivesse chantageado a atriz, afirmando que ela só passaria no teste se realizasse o ato”.

O crime deve ser configurado no artigo 215 do Código Penal, como atentado ao pudor mediante fraude, já que Raphael Fyah se utilizou do nome do instituto Cuca, de diretores e artistas cearenses, de uma estudante de Cinema e de um salário de R$ 3.000. Se Raphael for condenado por isso, a pena é de reclusão por dois anos e seis meses.

Além do Núcleo de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher, a comissão de Direitos Humanos da Defensoria Pública do Ceará também irá acompanhar o caso. A atriz que foi ao teste deve fazer um novo BO mais detalhado na Delegacia da Mulher.

Relembre as matérias do caso:

12 de fevereiro – Alunas de teatro denunciam assédio sexual em teste para suposto filme em Fortaleza

12 de fevereiro – Diretor de cinema muda versão e admite que realizou teste com atriz para filme

13 de fevereiro – Veja como seriam as cenas de sexo e estupro de teste de atrizes para suposto filme em Fortaleza

13 de fevereiro – Polícia instaura inquérito para investigar suposto diretor de cinema denunciado por atrizes

14 de fevereiro – Aluna de cinema teve nome usado para convencer atrizes a fazer teste de cenas de sexo

14 de fevereiro – Diretores de cinema citados por suspeito de assédio sexual em teste de atrizes repudiam caso

15 de fevereiro – Atores não precisam tirar a roupa em teste para filme, orienta premiado cineasta

20 de fevereiro – Delegado quer explicações do Cuca sobre caso de assédio sexual registrado na instituição

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Defensora critica humilhação sofrida por atriz ao fazer BO por assédio sexual em teste para filme

Elisabeth Chagas, que acompanha atrizes que denunciam caso registrado em Fortaleza, acredita que falta atendimento humanizado a mulheres que sofrem violência

Por Renata Monte em Segurança Pública

21 de fevereiro de 2015 às 11:00

Há 5 anos
As atrizes procuraram orientação da Defensoria Pública do Ceará (FOTO: Reprodução)

As atrizes procuraram orientação da Defensoria Pública do Ceará (FOTO: Reprodução)

As atrizes vítimas de assédio sexual, em teste de elenco para filme, no início do mês de fevereiro, denunciaram o tratamento preconceituoso que receberam da Polícia Civil inicialmente, antes de a imprensa abordar o caso. A universitária que chegou a fazer o teste alega que foi humilhada por funcionário do 33º Distrito Policial, em Fortaleza, na ocasião em que registrou Boletim de Ocorrência (BO). Isso levou a defensora pública que acompanha a denúncia, Elisabeth Chagas, a criticar a falta de preparo das delegacias no que diz respeito ao atendimento a mulheres que sofrem violência sexual.

Depois de procurar atendimento na Delegacia da Mulher, na semana passada, as universitárias receberam a informação de que o caso deveria ser investigado pela delegacia mais próxima ao local do crime, que aconteceu no Cuca Barra, na Barra do Ceará. Encaminhadas para a delegacia do bairro Goiabeiras, as atrizes conversaram com o delegado Sidney Furtado e a jovem que chegou a fazer o teste foi registrar o BO. Por ser casada, a estudante foi constrangida pelo funcionário, que quis saber o que o marido da atriz tinha achado do teste com Raphael Fyah.

Segundo Elisabeth Chagas, esse tipo de embaraço é comum, devido a falta de preparo das delegacias para atender essas demandas. “Antes, somente a Delegacia da Mulher poderia atender esse tipo de caso, mas recentemente uma portaria foi aberta permitindo que todas as delegacias trabalhem com isso, mas é preciso que essas instituições tenham o mínimo de formação para oferecer um atendimento humanitário para essas mulheres”, indica.

A defensora que acompanha o caso afirma que há despreparo das delegacias para o atendimento da mulher (FOTO: Reprodução)

A defensora que acompanha o caso afirma que há despreparo das delegacias para o atendimento da mulher (FOTO: Reprodução)

O que a estudante passou na delegacia configura-se como “vitimização secundária“, que acontece quando uma mulher que sofre algum tipo de violência – sexual, física ou psicológica – sofre outra agressão ao chegar na delegacia. “A mulher busca ajuda e acaba recebendo um mal atendimento. O que queremos é que as mulheres falem mais, denunciem, para que isso não ocorra mais. Não é qualquer pessoa que pode atender uma mulher que sofreu agressão sexual”, explica a defensora.

O grupo de atrizes voltou na última quinta-feira (19) ao 33º DP, para prestar um novo depoimento para o delegado. Michelle Gandolphi, uma das jovens convidadas para fazer o teste, afirmou que o responsável da delegacia tentou fazer com que o caso fosse minimizado. “Ele tentou convencer a gente de que isso não tinha nada. Procurou lei no Wikipedia, até que conseguimos explicar pra ele o quanto o caso era grave, mostrando as provas, as conversas que nós tínhamos guardado. Ele começou a ouvir e disse que vai fazer o inquérito em sigilo. Eu senti que não queria colaborar, ele tentou insistir que não era um caso de abuso“, relata.

Para a defensora, o caso das atrizes não pode ser enquadrado como estupro, já que não houve ameaça, diferentemente do que tinha suposto no primeiro encontro com as jovens. “Poderia ser estupro se tivesse tido ameaça, se ele tivesse chantageado a atriz, afirmando que ela só passaria no teste se realizasse o ato”.

O crime deve ser configurado no artigo 215 do Código Penal, como atentado ao pudor mediante fraude, já que Raphael Fyah se utilizou do nome do instituto Cuca, de diretores e artistas cearenses, de uma estudante de Cinema e de um salário de R$ 3.000. Se Raphael for condenado por isso, a pena é de reclusão por dois anos e seis meses.

Além do Núcleo de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher, a comissão de Direitos Humanos da Defensoria Pública do Ceará também irá acompanhar o caso. A atriz que foi ao teste deve fazer um novo BO mais detalhado na Delegacia da Mulher.

Relembre as matérias do caso:

12 de fevereiro – Alunas de teatro denunciam assédio sexual em teste para suposto filme em Fortaleza

12 de fevereiro – Diretor de cinema muda versão e admite que realizou teste com atriz para filme

13 de fevereiro – Veja como seriam as cenas de sexo e estupro de teste de atrizes para suposto filme em Fortaleza

13 de fevereiro – Polícia instaura inquérito para investigar suposto diretor de cinema denunciado por atrizes

14 de fevereiro – Aluna de cinema teve nome usado para convencer atrizes a fazer teste de cenas de sexo

14 de fevereiro – Diretores de cinema citados por suspeito de assédio sexual em teste de atrizes repudiam caso

15 de fevereiro – Atores não precisam tirar a roupa em teste para filme, orienta premiado cineasta

20 de fevereiro – Delegado quer explicações do Cuca sobre caso de assédio sexual registrado na instituição