"Ele sabe mentir, é 'mala'", diz colega de estudante de Medicina acusado de atender ilegalmente no interior

UNIVERSIDADE REVOLTADA

“Ele sabe mentir, é ‘mala'”, diz colega de estudante de Medicina acusado de atender ilegalmente no interior

Revoltados com o caso, cinco estudantes revelaram detalhes da convivência com o universitário acusado de exercer medicina ilegalmente

Por William Barros em Segurança Pública

13 de novembro de 2019 às 14:06

Há 3 semanas
O estudante de Medicina é investigado por atender ilegalmente em hospitais no interior (FOTO: Divulgação)

O estudante de Medicina é investigado por atender ilegalmente em hospitais no interior (FOTO: Divulgação)

“Mentiroso e mala”. É assim que colegas de faculdade classificam Lucas Félix, estudante de Medicina acusado de atender ilegalmente em hospitais dos municípios de Aratuba, Guaramiranga e Baturité. O Sistema Jangadeiro colheu depoimentos de cinco pessoas que estudam com o acusado em uma universidade da capital cearense. Revoltados com o caso, os estudantes revelaram detalhes da convivência com o colega.

Uma aluna afirma que o homem de 31 anos costuma faltar aulas e reuniões com frequência. “Não é bom aluno. Ele falta muito e é muito ‘mala’. Ele diz que o segredo é dizer o que os professores querem ouvir. Ele sabe mentir e disfarçar“, comentou uma estudante que preferiu não se identificar.

Uma outra aluna diz que o rapaz inventa desculpas para justificar as faltas. “Ele dizia que o pai teve AVC, que a filha tem leucemia, que tinha batido no carro”, cita a estudante. Ainda segundo ela, o rapaz enviava fotos capturadas nas salas de cirurgia que frequentava e convidava colegas para acompanhá-lo. “Chamou vários colegas para acompanhar ele nos hospitais. Chamou até algumas meninas para irem ao necrotério”, completou.

Outro estudante do mesmo curso confirma a versão. “Ele chegou a convidar outros meninos do nosso curso para acompanhar ele. Parece que foram só uma vez, viram que era ‘furada’ e não foram mais”, cita o jovem.

Um dos estudantes também afirma que o acusado disse acreditar que a investigação “não vai dar em nada”. “Ele continua matriculado e falando besteira o tempo todo, dizendo que não vai dar em nada, se gabando, porque é réu primário. Estou irritado com essa história. A gente está querendo fazer alguma manifestação para exigir expulsão dele da faculdade”, revelou o aluno.

Posicionamento oficial

Por meio de nota, Unifor afirmou que já instaurou processo administrativo disciplinar para apurar as eventuais irregularidades. Segundo a instituição de ensino, caso a denúncia seja comprovada, serão adotadas as medidas cabíveis no âmbito institucional.

No mesmo comunicado, a universidade acrescenta que já notificou o Conselho Regional de Medicina do Estado do Ceará e as prefeituras municipais com as quais mantém parcerias de internato sobre as medidas adotadas neste caso.

Por sua vez, o Centro Acadêmico Professor José Antônio Morano, entidade representativa dos estudantes curso de Medicina da Unifor, destacou que “para além de vigilância e punição, também é nosso dever ficar atento aos dilemas éticos que nossa futura profissão inevitavelmente nos trará e ter discernimento frente a tais dilemas”.

Entenda o caso

A Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE) informou que foi instaurado inquérito policial na Delegacia Municipal de Guaramiranga para apurar denúncias relacionadas à prática ilegal da Medicina em cidades pertencentes à Área Integrada de Segurança 15 (AIS 15), e que teria como suspeitos estudantes de uma universidade situada em Fortaleza.

Caso seja comprovada a sua responsabilidade no caso, Lucas poderá ser condenado a pena de 6 meses meses a 2 anos de prisão, por exercer a medicina sem autorização dos órgãos competentes.

Procurado pelo reportagem, o acusado disse que somente seu advogado comentará o caso. O advogado Luiz Nogueira disse que, até o momento, nem ele e nem o cliente foram notificados sobre a investigação. “Não existe conhecimento formal sobre qualquer tipo de investigação”. Ele acrescenta que Lucas só irá se manifestar nos autos do inquérito e quando, de fato, tiver acesso à investigação.

Em nota, a a Prefeitura de Baturité afirma que Lucas Félix não exerceu qualquer prestação de serviço junto às unidades básicas de saúde da cidade e que jamais foi servidor do município. O comunicado destaca ainda que “a Secretaria de Saúde já está tomando as providências criminais e as medidas administrativas cabíveis, colaborando com as autoridades policiais que investigam o caso”.

As secretarias de saúde dos municípios de Guaramiranga e Aratuba também foram procuradas pela reportagem, mas ainda não responderam sobre o caso.

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UNIVERSIDADE REVOLTADA

“Ele sabe mentir, é ‘mala'”, diz colega de estudante de Medicina acusado de atender ilegalmente no interior

Revoltados com o caso, cinco estudantes revelaram detalhes da convivência com o universitário acusado de exercer medicina ilegalmente

Por William Barros em Segurança Pública

13 de novembro de 2019 às 14:06

Há 3 semanas
O estudante de Medicina é investigado por atender ilegalmente em hospitais no interior (FOTO: Divulgação)

O estudante de Medicina é investigado por atender ilegalmente em hospitais no interior (FOTO: Divulgação)

“Mentiroso e mala”. É assim que colegas de faculdade classificam Lucas Félix, estudante de Medicina acusado de atender ilegalmente em hospitais dos municípios de Aratuba, Guaramiranga e Baturité. O Sistema Jangadeiro colheu depoimentos de cinco pessoas que estudam com o acusado em uma universidade da capital cearense. Revoltados com o caso, os estudantes revelaram detalhes da convivência com o colega.

Uma aluna afirma que o homem de 31 anos costuma faltar aulas e reuniões com frequência. “Não é bom aluno. Ele falta muito e é muito ‘mala’. Ele diz que o segredo é dizer o que os professores querem ouvir. Ele sabe mentir e disfarçar“, comentou uma estudante que preferiu não se identificar.

Uma outra aluna diz que o rapaz inventa desculpas para justificar as faltas. “Ele dizia que o pai teve AVC, que a filha tem leucemia, que tinha batido no carro”, cita a estudante. Ainda segundo ela, o rapaz enviava fotos capturadas nas salas de cirurgia que frequentava e convidava colegas para acompanhá-lo. “Chamou vários colegas para acompanhar ele nos hospitais. Chamou até algumas meninas para irem ao necrotério”, completou.

Outro estudante do mesmo curso confirma a versão. “Ele chegou a convidar outros meninos do nosso curso para acompanhar ele. Parece que foram só uma vez, viram que era ‘furada’ e não foram mais”, cita o jovem.

Um dos estudantes também afirma que o acusado disse acreditar que a investigação “não vai dar em nada”. “Ele continua matriculado e falando besteira o tempo todo, dizendo que não vai dar em nada, se gabando, porque é réu primário. Estou irritado com essa história. A gente está querendo fazer alguma manifestação para exigir expulsão dele da faculdade”, revelou o aluno.

Posicionamento oficial

Por meio de nota, Unifor afirmou que já instaurou processo administrativo disciplinar para apurar as eventuais irregularidades. Segundo a instituição de ensino, caso a denúncia seja comprovada, serão adotadas as medidas cabíveis no âmbito institucional.

No mesmo comunicado, a universidade acrescenta que já notificou o Conselho Regional de Medicina do Estado do Ceará e as prefeituras municipais com as quais mantém parcerias de internato sobre as medidas adotadas neste caso.

Por sua vez, o Centro Acadêmico Professor José Antônio Morano, entidade representativa dos estudantes curso de Medicina da Unifor, destacou que “para além de vigilância e punição, também é nosso dever ficar atento aos dilemas éticos que nossa futura profissão inevitavelmente nos trará e ter discernimento frente a tais dilemas”.

Entenda o caso

A Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE) informou que foi instaurado inquérito policial na Delegacia Municipal de Guaramiranga para apurar denúncias relacionadas à prática ilegal da Medicina em cidades pertencentes à Área Integrada de Segurança 15 (AIS 15), e que teria como suspeitos estudantes de uma universidade situada em Fortaleza.

Caso seja comprovada a sua responsabilidade no caso, Lucas poderá ser condenado a pena de 6 meses meses a 2 anos de prisão, por exercer a medicina sem autorização dos órgãos competentes.

Procurado pelo reportagem, o acusado disse que somente seu advogado comentará o caso. O advogado Luiz Nogueira disse que, até o momento, nem ele e nem o cliente foram notificados sobre a investigação. “Não existe conhecimento formal sobre qualquer tipo de investigação”. Ele acrescenta que Lucas só irá se manifestar nos autos do inquérito e quando, de fato, tiver acesso à investigação.

Em nota, a a Prefeitura de Baturité afirma que Lucas Félix não exerceu qualquer prestação de serviço junto às unidades básicas de saúde da cidade e que jamais foi servidor do município. O comunicado destaca ainda que “a Secretaria de Saúde já está tomando as providências criminais e as medidas administrativas cabíveis, colaborando com as autoridades policiais que investigam o caso”.

As secretarias de saúde dos municípios de Guaramiranga e Aratuba também foram procuradas pela reportagem, mas ainda não responderam sobre o caso.