Em áudio que vazou, delegado-geral chama policiais grevistas de "pilantras"

POLÍCIA CIVIL

Em áudio que vazou, delegado-geral chama policiais grevistas de “pilantras”

Andrade Júnior teve áudio vazado no qual faz críticas a policiais grevistas, e depois pediu desculpas pelo termo usado

Por Jéssica Welma em Segurança Pública

2 de novembro de 2016 às 10:44

Há 4 anos
Andrade Júnior pediu desculpas após áudio vazado. (FOTO: Reprodução/TV Jangadeiro/Barra Pesada)

Andrade Júnior pediu desculpas após áudio vazado. (FOTO: Reprodução/TV Jangadeiro/Barra Pesada)

O delegado-geral da Polícia Civil do Estado do Ceará, Andrade Júnior, voltou a criticar os profissionais grevistas da categoria, durante reunião com novos escrivães na terça-feira (1°). Em áudio que vazou nas redes sociais, ele afirma que desafia “qualquer um desses pilantras que estão aí” e diz aos novos policiais que “se vão entrar para engrossar esse coro, não entrem”.

O Sindicato dos Policiais Civis do Estado (Sinpol-CE) repudiou os ataques e tem manifestação prevista para a tarde desta quarta-feira (2). Após vazamento, delegado-geral divulgou áudio pedindo desculpas.

“Não posso respeitar essas ilegalidade que estão cometendo aí”, diz o delegado-geral durante a reunião. A greve dos policiais civis foi decretada no dia 27 de outubro após votação unânime da categoria, e somente três delegacias do Estado estão em funcionamento.

Essa é a segunda greve dos policiais civis cearenses em dois meses. Entre as reivindicações estão o reconhecimento salarial e melhores condições estruturais para trabalho.

“Se vocês têm amigos, a única saída deles é se apresentar imediatamente no trabalho. Os colegas de vocês que estão no Iguatu, liguem pra eles. Não é ameaça do delegado-geral, não, ameaça é quando você está presumindo que está fazendo alguma coisa errada, eu estou mandando trabalhar”, diz Andrade.

O delegado-geral ainda alerta aos novos escrivães que não entrem “para engrossar o coro” dos grevistas e lembra que servidores em estágio probatório são avaliados todos os dias durante três anos. “Uma demissão no serviço público numa circunstância como essa prejudica qualquer outro concurso”, destaca.

“Tenho 45 anos de idade, 29 de serviço público. Comecei a trabalhar muito cedo e nunca cometi uma ilegalidade dentro da minha função. Desafio qualquer um desses pilantras que estão aí”, afirma Andrade, após pontuar que os convocados entram “em um momento muito difícil da instituição”.

Durante a reunião, o delegado-geral afirma que acaba de retornar do gabinete do governador e vai nomear os profissionais. “Mas eu vou precisar de vocês, porque a polícia nunca vai acabar. Servidor passa, a polícia fica”, frisa. “Vão tocar o terror até quando? Foi um momento muito inoportuno para que eles fizessem isso, e oportuno para os senhores”, diz Andrade.

O delegado-geral ainda ressalta que respeitou a greve enquanto era considerada legal e foi criticado por respeitar as decisões do comando de greve. Ele acusa o presidente do Sinpol-CE, Francisco Lucas, de ter “mentido” para a categoria sobre os prazos para a negociação salarial e diz que suposta reunião que estaria marcada para a quinta-feira (3) não vai acontecer porque “o governo não negocia com grevistas”.

Segundo Andrade, o prazo para negociação salarial era até 30 de outubro. “Não aceito mentira, não aceito ninguém mentir para minha categoria. Eu tinha uma negociação agendada com o governador para resolver até o dia 30 de outubro, vocês já eram pra entrar com um salário mais elevado, o Lucas não quis. O que foi que ele conseguiu com tudo que ele tá fazendo?”, afirmou o delegado.

Andrade volta a afirmar que vai nomear os novos escrivães e que alguns terão de ir trabalhar nas ruas. Sobre os grevistas, ele afirma ainda que, em breve, os profissionais começaram a ser notificados para entregar carteira, distintivo e arma. “A portaria de remoção foi revogada, a lotação é poder discricionário do delegado-geral. Quem é do Cariri? Vai trabalhar em juazeiro. Quem está em Juazeiro e não quer trabalhar, tchau”, afirma.

“Quem eu boto para dentro eu boto pra fora. Eu tenho mais duas turmas de reserva. Eu tenho um cadastro de reserva que o governo vai abrir agora. Eu monto toda a polícia civil, mas isso aqui funciona”, reforça o delegado.

Pedido de desculpas

Após o vazamento da conversa em que usa o termo “pilantras” ao falar dos grevistas, Andrade enviou novo áudio pedindo desculpas pela palavra. “O termo foi inadequado. Os senhores não são esses em questão, até porque não foi direcionado aos senhores. Sabemos quem são as pessoas que estão buscando promoção pessoal, mentindo a todo tempo para a categoria, dizendo que conseguiu isso e aquilo”, diz Andrade à corporação. “Chegou o tempo de a categoria entender que essas pessoas não lutam por vocês”, ressalta.

A Secretaria de Segurança Pública e Defesa e Social (SSPDS) não se manifestou sobre o caso.

Sinpol

O presidente do Sinpol-CE, Francisco Lucas, disse à rádio Tribuna Band News FM que o sindicato tem orientado as profissionais a registrarem todas as falas do comando da Polícia Civil. “Você vê a forma de assédio claramente”, critica Lucas. Está marcada para a tarde desta quarta-feira (2) uma manifestação dos policiais na Avenida Beira-Mar, a partir das 16 horas.

“Gerou um desconforto muito grande, a gente espera resolver, mas, na minha opinião, ele não tem mais condição de ficar à frente da delegacia-geral. Ele perdeu pra mim qualquer representatividade”, afirmou o presidente do Sinpol.

Lucas ressalta que a legislação brasileira não permite a demissão de servidores grevistas. Ele pontua que o Estado deixa a desejar em vários direitos dos profissionais, como reposição salarial, falta de estrutura de trabalho, ausência de equipamento individual de trabalho, como coletes, dentre outros.

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POLÍCIA CIVIL

Em áudio que vazou, delegado-geral chama policiais grevistas de “pilantras”

Andrade Júnior teve áudio vazado no qual faz críticas a policiais grevistas, e depois pediu desculpas pelo termo usado

Por Jéssica Welma em Segurança Pública

2 de novembro de 2016 às 10:44

Há 4 anos
Andrade Júnior pediu desculpas após áudio vazado. (FOTO: Reprodução/TV Jangadeiro/Barra Pesada)

Andrade Júnior pediu desculpas após áudio vazado. (FOTO: Reprodução/TV Jangadeiro/Barra Pesada)

O delegado-geral da Polícia Civil do Estado do Ceará, Andrade Júnior, voltou a criticar os profissionais grevistas da categoria, durante reunião com novos escrivães na terça-feira (1°). Em áudio que vazou nas redes sociais, ele afirma que desafia “qualquer um desses pilantras que estão aí” e diz aos novos policiais que “se vão entrar para engrossar esse coro, não entrem”.

O Sindicato dos Policiais Civis do Estado (Sinpol-CE) repudiou os ataques e tem manifestação prevista para a tarde desta quarta-feira (2). Após vazamento, delegado-geral divulgou áudio pedindo desculpas.

“Não posso respeitar essas ilegalidade que estão cometendo aí”, diz o delegado-geral durante a reunião. A greve dos policiais civis foi decretada no dia 27 de outubro após votação unânime da categoria, e somente três delegacias do Estado estão em funcionamento.

Essa é a segunda greve dos policiais civis cearenses em dois meses. Entre as reivindicações estão o reconhecimento salarial e melhores condições estruturais para trabalho.

“Se vocês têm amigos, a única saída deles é se apresentar imediatamente no trabalho. Os colegas de vocês que estão no Iguatu, liguem pra eles. Não é ameaça do delegado-geral, não, ameaça é quando você está presumindo que está fazendo alguma coisa errada, eu estou mandando trabalhar”, diz Andrade.

O delegado-geral ainda alerta aos novos escrivães que não entrem “para engrossar o coro” dos grevistas e lembra que servidores em estágio probatório são avaliados todos os dias durante três anos. “Uma demissão no serviço público numa circunstância como essa prejudica qualquer outro concurso”, destaca.

“Tenho 45 anos de idade, 29 de serviço público. Comecei a trabalhar muito cedo e nunca cometi uma ilegalidade dentro da minha função. Desafio qualquer um desses pilantras que estão aí”, afirma Andrade, após pontuar que os convocados entram “em um momento muito difícil da instituição”.

Durante a reunião, o delegado-geral afirma que acaba de retornar do gabinete do governador e vai nomear os profissionais. “Mas eu vou precisar de vocês, porque a polícia nunca vai acabar. Servidor passa, a polícia fica”, frisa. “Vão tocar o terror até quando? Foi um momento muito inoportuno para que eles fizessem isso, e oportuno para os senhores”, diz Andrade.

O delegado-geral ainda ressalta que respeitou a greve enquanto era considerada legal e foi criticado por respeitar as decisões do comando de greve. Ele acusa o presidente do Sinpol-CE, Francisco Lucas, de ter “mentido” para a categoria sobre os prazos para a negociação salarial e diz que suposta reunião que estaria marcada para a quinta-feira (3) não vai acontecer porque “o governo não negocia com grevistas”.

Segundo Andrade, o prazo para negociação salarial era até 30 de outubro. “Não aceito mentira, não aceito ninguém mentir para minha categoria. Eu tinha uma negociação agendada com o governador para resolver até o dia 30 de outubro, vocês já eram pra entrar com um salário mais elevado, o Lucas não quis. O que foi que ele conseguiu com tudo que ele tá fazendo?”, afirmou o delegado.

Andrade volta a afirmar que vai nomear os novos escrivães e que alguns terão de ir trabalhar nas ruas. Sobre os grevistas, ele afirma ainda que, em breve, os profissionais começaram a ser notificados para entregar carteira, distintivo e arma. “A portaria de remoção foi revogada, a lotação é poder discricionário do delegado-geral. Quem é do Cariri? Vai trabalhar em juazeiro. Quem está em Juazeiro e não quer trabalhar, tchau”, afirma.

“Quem eu boto para dentro eu boto pra fora. Eu tenho mais duas turmas de reserva. Eu tenho um cadastro de reserva que o governo vai abrir agora. Eu monto toda a polícia civil, mas isso aqui funciona”, reforça o delegado.

Pedido de desculpas

Após o vazamento da conversa em que usa o termo “pilantras” ao falar dos grevistas, Andrade enviou novo áudio pedindo desculpas pela palavra. “O termo foi inadequado. Os senhores não são esses em questão, até porque não foi direcionado aos senhores. Sabemos quem são as pessoas que estão buscando promoção pessoal, mentindo a todo tempo para a categoria, dizendo que conseguiu isso e aquilo”, diz Andrade à corporação. “Chegou o tempo de a categoria entender que essas pessoas não lutam por vocês”, ressalta.

A Secretaria de Segurança Pública e Defesa e Social (SSPDS) não se manifestou sobre o caso.

Sinpol

O presidente do Sinpol-CE, Francisco Lucas, disse à rádio Tribuna Band News FM que o sindicato tem orientado as profissionais a registrarem todas as falas do comando da Polícia Civil. “Você vê a forma de assédio claramente”, critica Lucas. Está marcada para a tarde desta quarta-feira (2) uma manifestação dos policiais na Avenida Beira-Mar, a partir das 16 horas.

“Gerou um desconforto muito grande, a gente espera resolver, mas, na minha opinião, ele não tem mais condição de ficar à frente da delegacia-geral. Ele perdeu pra mim qualquer representatividade”, afirmou o presidente do Sinpol.

Lucas ressalta que a legislação brasileira não permite a demissão de servidores grevistas. Ele pontua que o Estado deixa a desejar em vários direitos dos profissionais, como reposição salarial, falta de estrutura de trabalho, ausência de equipamento individual de trabalho, como coletes, dentre outros.