Empresária é condenada a 10 anos de prisão por atropelar e matar criança em 2016

CASO KAIC

Empresária é condenada a 10 anos de prisão por atropelar e matar criança em 2016

A defesa irá recorrer da decisão. Até o resultado do recurso, a empresária continuará em liberdade

Por TV Jangadeiro em Segurança Pública

14 de novembro de 2019 às 09:54

Há 4 semanas

Julgamento ocorreu no 2º Tribunal do Júri de Fortaleza, no Fórum Clóvis Beviláqua (FOTO: TV Jangadeiro/SBT)

O júri popular considerou a empresária Ana Paula Rodrigues Muniz culpada pela morte do menino Kaic Roniele de Sousa Gurgel, de 11 anos. A decisão foi tomada durante o julgamento que ocorreu na tarde da última quarta-feira (13) no Fórum Clóvis Beviláqua. Após 3 horas de sessão, a ré foi condenada a 10 anos de prisão, sendo 9 anos por homicídio doloso e mais 1 ano por omissão de socorro à vítima.

A defesa irá recorrer da decisão. Até o resultado do recurso, a empresária continuará em liberdade. O conselho formado por sete pessoas também ouviu uma testemunha que presenciou o momento do acidente ocorrido na manhã do dia 23 de outubro de 2016. Naquele dia, Kaic pedalava com a mãe pela ciclovia quando foi colhido pelo veículo de luxo que a empresária conduzia. Mãe e filho estavam a caminho da igreja.

Na sessão do júri, Ana Paula confessou ser a condutora do veículo. Disse que, no momento do impacto, não viu o garoto e nem ouviu os gritos da mãe pedindo para parar o veículo. Pensando ter passado por cima do meio-fio, e não de uma criança, acelerou e saiu do local ao ver a movimentação, acreditando tratar-se de um assalto. Ainda segundo a ré, ela só tomou conhecimento do acidente quando foi à delegacia, horas depois, registrar um boletim de ocorrência referente a uma suposta tentativa de assalto.

Em entrevista ao Sistema Jangadeiro, o advogado Edson Nogueira Bernardino defendeu a versão da empresária. “Se ela tivesse sentido que matou alguém, ela teria saído. Mas o local, como todos sabem, é perigoso, já mataram até delegado lá, tem assalto toda hora”, argumentou a defesa. Segundo Bernardino, a cliente enfrenta um quadro de depressão grave desde o acontecimento. “Ninguém queira estar no lugar dela. Ela já esteve hospitalizada, teve uma depressão grande. Ela está numa situação ainda muito deprimente”, explicou o profissional de direito.

3 anos de saudade

Katiana lamentou que a acusada pelo atropelamento nunca tenha sido presa (FOTO: TV Jangadeiro/SBT)

Antes da audiência, Katiana Gurgel, mãe de Kaic, conversou com a reportagem e reafirmou sua expectativa pela condenação de Ana Paula. “Meu coração está apertado. Há dois dias que eu não consigo dormir, pensando como vai ser, porque estamos no Brasil e a gente fica vendo a impunidade nesse país. Eu quero a justiça. Se não tiver a daqui, que a de Deus seja feita”, clamou a mulher.

Mais de três anos depois, restou a saudade do filho. Para a mãe, a dor nunca irá passar. “A saudade é enorme. Foi um pedaço de mim que, infelizmente, não vai voltar. Eu tenho que lembrar dos momentos bons e procurar viver, porque, até hoje, eu não estou vivendo, estou vegetando. É muito difícil. Ainda não sarou, não. Eu acho que não vai sarar nunca”, disse emocionada.

Entenda o caso

Na manhã do acidente, Ana Paula parou na ciclovia para efetuar um retorno na avenida Godofredo Maciel, no bairro Parangaba. Nesse momento, Kaic trafegava de bicicleta, logo à frente da mãe. Ao ver o carro parado no meio da ciclofaixa, a criança entendeu que poderia passar pela frente. Mas o veículo avançou, derrubando o menino no chão.

A condutora não prestou nenhum tipo de socorro e continuou manobrando o carro, tendo passado o pneu por cima da cabeça da criança e arrastado a bicicleta por cerca de 800 metros. Kaic morreu ainda dentro da ambulância, em decorrência de traumatismo craniano.

Confira mais na reportagem do programa Barra Pesada, da TV Jangadeiro/SBT, às 12h05 desta quinta-feira (14).

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CASO KAIC

Empresária é condenada a 10 anos de prisão por atropelar e matar criança em 2016

A defesa irá recorrer da decisão. Até o resultado do recurso, a empresária continuará em liberdade

Por TV Jangadeiro em Segurança Pública

14 de novembro de 2019 às 09:54

Há 4 semanas

Julgamento ocorreu no 2º Tribunal do Júri de Fortaleza, no Fórum Clóvis Beviláqua (FOTO: TV Jangadeiro/SBT)

O júri popular considerou a empresária Ana Paula Rodrigues Muniz culpada pela morte do menino Kaic Roniele de Sousa Gurgel, de 11 anos. A decisão foi tomada durante o julgamento que ocorreu na tarde da última quarta-feira (13) no Fórum Clóvis Beviláqua. Após 3 horas de sessão, a ré foi condenada a 10 anos de prisão, sendo 9 anos por homicídio doloso e mais 1 ano por omissão de socorro à vítima.

A defesa irá recorrer da decisão. Até o resultado do recurso, a empresária continuará em liberdade. O conselho formado por sete pessoas também ouviu uma testemunha que presenciou o momento do acidente ocorrido na manhã do dia 23 de outubro de 2016. Naquele dia, Kaic pedalava com a mãe pela ciclovia quando foi colhido pelo veículo de luxo que a empresária conduzia. Mãe e filho estavam a caminho da igreja.

Na sessão do júri, Ana Paula confessou ser a condutora do veículo. Disse que, no momento do impacto, não viu o garoto e nem ouviu os gritos da mãe pedindo para parar o veículo. Pensando ter passado por cima do meio-fio, e não de uma criança, acelerou e saiu do local ao ver a movimentação, acreditando tratar-se de um assalto. Ainda segundo a ré, ela só tomou conhecimento do acidente quando foi à delegacia, horas depois, registrar um boletim de ocorrência referente a uma suposta tentativa de assalto.

Em entrevista ao Sistema Jangadeiro, o advogado Edson Nogueira Bernardino defendeu a versão da empresária. “Se ela tivesse sentido que matou alguém, ela teria saído. Mas o local, como todos sabem, é perigoso, já mataram até delegado lá, tem assalto toda hora”, argumentou a defesa. Segundo Bernardino, a cliente enfrenta um quadro de depressão grave desde o acontecimento. “Ninguém queira estar no lugar dela. Ela já esteve hospitalizada, teve uma depressão grande. Ela está numa situação ainda muito deprimente”, explicou o profissional de direito.

3 anos de saudade

Katiana lamentou que a acusada pelo atropelamento nunca tenha sido presa (FOTO: TV Jangadeiro/SBT)

Antes da audiência, Katiana Gurgel, mãe de Kaic, conversou com a reportagem e reafirmou sua expectativa pela condenação de Ana Paula. “Meu coração está apertado. Há dois dias que eu não consigo dormir, pensando como vai ser, porque estamos no Brasil e a gente fica vendo a impunidade nesse país. Eu quero a justiça. Se não tiver a daqui, que a de Deus seja feita”, clamou a mulher.

Mais de três anos depois, restou a saudade do filho. Para a mãe, a dor nunca irá passar. “A saudade é enorme. Foi um pedaço de mim que, infelizmente, não vai voltar. Eu tenho que lembrar dos momentos bons e procurar viver, porque, até hoje, eu não estou vivendo, estou vegetando. É muito difícil. Ainda não sarou, não. Eu acho que não vai sarar nunca”, disse emocionada.

Entenda o caso

Na manhã do acidente, Ana Paula parou na ciclovia para efetuar um retorno na avenida Godofredo Maciel, no bairro Parangaba. Nesse momento, Kaic trafegava de bicicleta, logo à frente da mãe. Ao ver o carro parado no meio da ciclofaixa, a criança entendeu que poderia passar pela frente. Mas o veículo avançou, derrubando o menino no chão.

A condutora não prestou nenhum tipo de socorro e continuou manobrando o carro, tendo passado o pneu por cima da cabeça da criança e arrastado a bicicleta por cerca de 800 metros. Kaic morreu ainda dentro da ambulância, em decorrência de traumatismo craniano.

Confira mais na reportagem do programa Barra Pesada, da TV Jangadeiro/SBT, às 12h05 desta quinta-feira (14).