Especialista alerta sobre os perigos que correm modelos infantis com perfis nas redes sociais

PREOCUPAÇÃO

Especialista alerta sobre os perigos que correm modelos infantis com perfis nas redes sociais

Exposição em excesso pode causar ansiedade, problemas com imagem e outros transtornos. Pais precisam tomar cuidado com também com a segurança dos filhos

Por Tribuna do Ceará em Segurança Pública

13 de agosto de 2019 às 07:00

Há 2 meses
Fachada da Dececa

Grupo de mães denuncia ameaças. (Foto: Reprodução/Barra Pesada)

Um grupo de pelo menos 10 mães foram até a Delegacia da Criança e do Adolescente (Dececa) nesta segunda-feira (12) para denunciar um homem que tem telefonado para dizer que abusou ou vai abusar sexualmente das filhas delas. Um Boletim de Ocorrência foi registrado.

As crianças têm entre 4 e 10 anos e são modelos-mirins. Elas mantêm conta em redes sociais onde deixam dados expostos, além de fotos, para quem tiver interesse no trabalho entrar em contato.

A exposição dessas informações e até da rotina, no entanto, podem trazer além desse, outros problemas, como: ansiedade, transtorno de imagem… O Tribuna do Ceará conversou com uma psicóloga sobre o assunto.

“Tem que primeiro pensar na segurança da criança. Então, fotos com fardas de escola, com localização, os locais que frequenta, tudo isso é um pouco perigoso. Pode cair nas mãos de pessoas erradas, como nesse caso. A pessoa não está dizendo que vai sequestrar, mas é algo que pode acontecer. Você dá subsídios, endereços, locais que podem ser identificados… Uma criança dessas que está trabalhando com coisas que envolvem dinheiro, sendo modelo, isso também pode ser atrativo para golpes”, explica a psicóloga.

Confira 10 dicas para proteger crianças e adolescentes no uso de redes sociais. 

O segundo ponto a ser observado é o tipo de foto que está sendo postada nas redes sociais e se essas imagens não podem causar algum constrangimento para as crianças em outros ambientes, como a escola.

“A gente vive uma onda de muito bullying na escola. Muita criança tem acesso a internet. Então, tem que pensar que tipo de foto está sendo postada, se são fotos constrangedoras, a criança seminua, com um mico, a mãe tira foto de criança toda suja de comida… Em situações que não são tão legais que, você sendo criança, vendo aquilo, pode não gostar. Você posta hoje, seu filho não entende nada. Mas, amanhã, ele pode estar na escola, um coleguinha vê e isso pode servir de subsídio para um possível bullying”, alerta Jakeline Farias.

A profissional ainda destaca outros aspectos, como a adultização da criança e o excesso de preocupação com a imagem, que pode gerar, entre outros transtornos, a ansiedade.

“O terceiro ponto é não alimentar na criança uma adultização, que é a criança se tornar adulta muito nova. E também a questão dela não criar um excesso de preocupação com a autoimagem, porque hoje a gente vê um culto a beleza, aos corpos perfeitos… Nessa história de tornar a criança modelo, isso pode começar a reverberar. Ah, não pode engordar porque tem que tirar foto, não pode vestir o que quer porque tem que tirar foto… Isso pode começar a criar na criança uma preocupação exagerada com isso. Aí vai gerar muita ansiedade”, explicou a psicóloga.

Excesso de exposição pode causar transtornos em crianças. (FOTO: Pexels)

Em todo esse processo, o papel dos pais é fundamental para proteger e orientar a criança. Ainda de acordo com Jakeline Farias, é preciso que os pais se responsabilizem por supervisionar tudo. Além disso, observar até que ponto o filho não está se preocupando exageradamente com a imagem, se pensam em tirar foto o tempo todo e não consegue nem mais brincar ou curtir os momentos em casa, se a criança está ansiosa… E procurar um psicólogo caso essas situações sejam observadas.

“A ansiedade, hoje, é uma das doenças que mais afetam as pessoas, e a autoimagem é um dos temas que mais despertam esse problema. Quando crescerem, dependendo do teor das fotos, como for a relação da criança com a própria imagem, ela pode ficar chateada com os pais, brigar com eles… Tem casos de adolescentes processando os pais pela exposição de fotos suas na internet porque consideram que as fotos eram constrangedoras, e os pais não tinham direito de fazer isso… A criança, naquele momento, não teve esse direito e discernimento de dizer se autorizava ou não aquela foto. Numa certa idade, ela pode ficar chateada, frustrada, ter conflito com os pais principalmente se isso gerar algum tipo de bullying na escola ou algum outro prejuízo emocional para a criança”, explicou Jakeline Farias.

A psicóloga conta ainda que não tem como estabelecer uma idade para que crianças tenham contato com as redes, mas que os pais precisam perguntar o que agrada ou não a elas sobre a questão de postar fotos, se há vontade delas nisso.

“Quando a criança está começando a entender mais as coisas, você tem como perguntar o que ela acha da foto, se não acha constrangedora, se tudo bem… Lógico que a criança, mesmo numa idade mais avançada, ainda não tem a compreensão de um adulto, mas ela tem como dizer se gostou ou não daquilo, se aquilo faz bem ou não pra ela. É diferente de postar a foto de um bebê, que não tem como você consultar ele. Então, é a partir do momento em que a criança começa a entender um pouco mais e ela tem condições de dizer o que ela acha daquilo. É difícil não postar foto de um bebê, mas sempre pensar muito bem. Se a foto está colocando a criança em ridículo de alguma forma e, principalmente, a segurança, não expor nada muito íntimo. Às vezes o pai brinca com a situação e não tira a foto, não respeita a opinião da criança. E, nesses casos, que a criança é modelo, respeitar o tempo dela brincar, de fazer as coisas dela, não tornar tirar foto obrigação, até porque a criança pode ter certas consequências emocionais”.

Mães registram Boletim de Ocorrência

Duas mães relataram ao Tribuna do Ceará que as ligações foram feitas na última sexta-feira (9). O contato telefônico foi semelhante: o homem usava uma número privado, citava os nomes das mães e das garotas. “Ele me chamou pelo apelido, disse que tirou a calcinha da minha filha e fez sexo oral com ela”, afirmou a mãe de uma menina de 4 anos. Elas querem a quebra do sigilo telefônico para descobrir quem teria feito os telefonemas.

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PREOCUPAÇÃO

Especialista alerta sobre os perigos que correm modelos infantis com perfis nas redes sociais

Exposição em excesso pode causar ansiedade, problemas com imagem e outros transtornos. Pais precisam tomar cuidado com também com a segurança dos filhos

Por Tribuna do Ceará em Segurança Pública

13 de agosto de 2019 às 07:00

Há 2 meses
Fachada da Dececa

Grupo de mães denuncia ameaças. (Foto: Reprodução/Barra Pesada)

Um grupo de pelo menos 10 mães foram até a Delegacia da Criança e do Adolescente (Dececa) nesta segunda-feira (12) para denunciar um homem que tem telefonado para dizer que abusou ou vai abusar sexualmente das filhas delas. Um Boletim de Ocorrência foi registrado.

As crianças têm entre 4 e 10 anos e são modelos-mirins. Elas mantêm conta em redes sociais onde deixam dados expostos, além de fotos, para quem tiver interesse no trabalho entrar em contato.

A exposição dessas informações e até da rotina, no entanto, podem trazer além desse, outros problemas, como: ansiedade, transtorno de imagem… O Tribuna do Ceará conversou com uma psicóloga sobre o assunto.

“Tem que primeiro pensar na segurança da criança. Então, fotos com fardas de escola, com localização, os locais que frequenta, tudo isso é um pouco perigoso. Pode cair nas mãos de pessoas erradas, como nesse caso. A pessoa não está dizendo que vai sequestrar, mas é algo que pode acontecer. Você dá subsídios, endereços, locais que podem ser identificados… Uma criança dessas que está trabalhando com coisas que envolvem dinheiro, sendo modelo, isso também pode ser atrativo para golpes”, explica a psicóloga.

Confira 10 dicas para proteger crianças e adolescentes no uso de redes sociais. 

O segundo ponto a ser observado é o tipo de foto que está sendo postada nas redes sociais e se essas imagens não podem causar algum constrangimento para as crianças em outros ambientes, como a escola.

“A gente vive uma onda de muito bullying na escola. Muita criança tem acesso a internet. Então, tem que pensar que tipo de foto está sendo postada, se são fotos constrangedoras, a criança seminua, com um mico, a mãe tira foto de criança toda suja de comida… Em situações que não são tão legais que, você sendo criança, vendo aquilo, pode não gostar. Você posta hoje, seu filho não entende nada. Mas, amanhã, ele pode estar na escola, um coleguinha vê e isso pode servir de subsídio para um possível bullying”, alerta Jakeline Farias.

A profissional ainda destaca outros aspectos, como a adultização da criança e o excesso de preocupação com a imagem, que pode gerar, entre outros transtornos, a ansiedade.

“O terceiro ponto é não alimentar na criança uma adultização, que é a criança se tornar adulta muito nova. E também a questão dela não criar um excesso de preocupação com a autoimagem, porque hoje a gente vê um culto a beleza, aos corpos perfeitos… Nessa história de tornar a criança modelo, isso pode começar a reverberar. Ah, não pode engordar porque tem que tirar foto, não pode vestir o que quer porque tem que tirar foto… Isso pode começar a criar na criança uma preocupação exagerada com isso. Aí vai gerar muita ansiedade”, explicou a psicóloga.

Excesso de exposição pode causar transtornos em crianças. (FOTO: Pexels)

Em todo esse processo, o papel dos pais é fundamental para proteger e orientar a criança. Ainda de acordo com Jakeline Farias, é preciso que os pais se responsabilizem por supervisionar tudo. Além disso, observar até que ponto o filho não está se preocupando exageradamente com a imagem, se pensam em tirar foto o tempo todo e não consegue nem mais brincar ou curtir os momentos em casa, se a criança está ansiosa… E procurar um psicólogo caso essas situações sejam observadas.

“A ansiedade, hoje, é uma das doenças que mais afetam as pessoas, e a autoimagem é um dos temas que mais despertam esse problema. Quando crescerem, dependendo do teor das fotos, como for a relação da criança com a própria imagem, ela pode ficar chateada com os pais, brigar com eles… Tem casos de adolescentes processando os pais pela exposição de fotos suas na internet porque consideram que as fotos eram constrangedoras, e os pais não tinham direito de fazer isso… A criança, naquele momento, não teve esse direito e discernimento de dizer se autorizava ou não aquela foto. Numa certa idade, ela pode ficar chateada, frustrada, ter conflito com os pais principalmente se isso gerar algum tipo de bullying na escola ou algum outro prejuízo emocional para a criança”, explicou Jakeline Farias.

A psicóloga conta ainda que não tem como estabelecer uma idade para que crianças tenham contato com as redes, mas que os pais precisam perguntar o que agrada ou não a elas sobre a questão de postar fotos, se há vontade delas nisso.

“Quando a criança está começando a entender mais as coisas, você tem como perguntar o que ela acha da foto, se não acha constrangedora, se tudo bem… Lógico que a criança, mesmo numa idade mais avançada, ainda não tem a compreensão de um adulto, mas ela tem como dizer se gostou ou não daquilo, se aquilo faz bem ou não pra ela. É diferente de postar a foto de um bebê, que não tem como você consultar ele. Então, é a partir do momento em que a criança começa a entender um pouco mais e ela tem condições de dizer o que ela acha daquilo. É difícil não postar foto de um bebê, mas sempre pensar muito bem. Se a foto está colocando a criança em ridículo de alguma forma e, principalmente, a segurança, não expor nada muito íntimo. Às vezes o pai brinca com a situação e não tira a foto, não respeita a opinião da criança. E, nesses casos, que a criança é modelo, respeitar o tempo dela brincar, de fazer as coisas dela, não tornar tirar foto obrigação, até porque a criança pode ter certas consequências emocionais”.

Mães registram Boletim de Ocorrência

Duas mães relataram ao Tribuna do Ceará que as ligações foram feitas na última sexta-feira (9). O contato telefônico foi semelhante: o homem usava uma número privado, citava os nomes das mães e das garotas. “Ele me chamou pelo apelido, disse que tirou a calcinha da minha filha e fez sexo oral com ela”, afirmou a mãe de uma menina de 4 anos. Elas querem a quebra do sigilo telefônico para descobrir quem teria feito os telefonemas.