Estudante de Medicina é investigado por se passar de médico e atender pacientes em hospitais do interior do Ceará

CASO INVESTIGADO

Estudante de Medicina é investigado por se passar de médico e atender pacientes em hospitais do interior do Ceará

A polícia investiga a conduta de Lucas Félix, de 31 anos, acusado de atender pacientes ilegalmente em Aratuba, Baturité e Guaramiranga

Por William Barros em Segurança Pública

13 de novembro de 2019 às 11:59

Há 5 meses
umpa-baturite

O estudante teria atendido na Unidade Municipal de Pronto Atendimento de Baturité (FOTO: Google Maps)

A conduta de um estudante de Medicina virou alvo de investigação policial desde a semana passada. Cursando o terceiro semestre da graduação, Lucas Félix, de 31 anos, é acusado de atender pacientes ilegalmente em pelo menos três municípios do interior do Ceará: Aratuba, Baturité e Guaramiranga. Segundo as denúncias, o estudante cobria plantões de médicos contratados e convidava colegas de turma para acompanhar sua rotina nas unidades de saúde.

Questionada sobre a investigação policial, a Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE) informou que foi instaurado inquérito policial na Delegacia Municipal de Guaramiranga para apurar denúncias relacionadas à prática ilegal da Medicina em cidades pertencentes à Área Integrada de Segurança 15 (AIS 15), e que teria como suspeitos estudantes de uma universidade situada em Fortaleza.

Caso seja comprovada a sua responsabilidade no caso, Lucas poderá ser condenado a pena de 6 meses meses a 2 anos de prisão, por exercer a Medicina sem autorização dos órgãos competentes. Procurado pelo reportagem, o acusado disse que somente seu advogado comentará o caso.

O advogado Luiz Nogueira disse que, até o momento, nem ele e nem o cliente foram notificados sobre a investigação. “Não existe conhecimento formal sobre qualquer tipo de investigação”. Ele acrescenta que Lucas só irá se manifestar nos autos do inquérito e quando, de fato, tiver acesso à investigação.

Por telefone, a direção do Hospital Municipal de Guaramiranga também afirmou que não está autorizada a passar informações sobre o caso, em virtude da investigação policial. A coordenação da Unidade Municipal de Pronto Atendimento (Umpa) de Baturité também preferiu não dar declarações, mas disse que a equipe da instituição comparecerá à delegacia em breve para prestar depoimentos.

Em nota, a a Prefeitura de Baturité afirma que Lucas Félix não exerceu qualquer prestação de serviço junto às unidades básicas de saúde da cidade e que jamais foi servidor do município. O comunicado destaca ainda que “a Secretaria de Saúde já está tomando as providências criminais e as medidas administrativas cabíveis, colaborando com as autoridades policiais que investigam o caso”.

As secretarias de saúde dos municípios de Guaramiranga e Aratuba também foram procuradas pela reportagem, mas ainda não responderam sobre o caso.

Comunidade acadêmica revoltada

A denúncia tem revoltado estudantes do curso de Medicina da Universidade de Fortaleza (Unifor). “Os alunos estão bem incomodados, tanto com a questão dos pacientes quanto pelo nome da universidade”, revela uma estudante membro do Centro Acadêmico do Curso de Medicina da Unifor.

Segundo a aluna, a entidade representativa dos estudantes soube do caso através dos próprios alunos. “Muitos alunos vieram falar. Fomos comunicar para a coordenação, mas a coordenação já sabia e nos disse que a Universidade vai abrir uma comissão para investigar e tomar as medidas institucionais”, pontua ela.

Além da estudante, o Sistema Jangadeiro colheu depoimentos de outros cinco colegas do aluno acusado. Segundo eles, a história que veio à tona na semana passada já era conhecida por alguns. “A gente sabe desde o semestre passado, mas eu morria de medo de denunciar. Ele chegou a convidar outros meninos do nosso curso para acompanhar ele, mas parece que foram só uma vez, viram que era furada e não foram mais”, revela uma estudante que preferiu não ser identificada.

Outro estudante afirma que o acusado disse acreditar que o caso “não vai dar em nada”. “Ele continua matriculado e falando besteira o tempo todo, dizendo que não vai dar em nada, se gabando, porque é réu primário. Estou irritado com essa história. A gente está querendo fazer alguma manifestação para exigir expulsão dele da faculdade”, revela o aluno.

Processo administrativo disciplinar

Por meio de nota, Unifor afirmou que já instaurou processo administrativo disciplinar para apurar as eventuais irregularidades. Segundo a instituição de ensino, caso a denúncia seja comprovada, serão adotadas as medidas cabíveis no âmbito institucional.

No mesmo comunicado, a universidade acrescenta que já notificou o Conselho Regional de Medicina do Estado do Ceará e as prefeituras municipais com as quais mantém parcerias de internato sobre as medidas adotadas neste caso.

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CASO INVESTIGADO

Estudante de Medicina é investigado por se passar de médico e atender pacientes em hospitais do interior do Ceará

A polícia investiga a conduta de Lucas Félix, de 31 anos, acusado de atender pacientes ilegalmente em Aratuba, Baturité e Guaramiranga

Por William Barros em Segurança Pública

13 de novembro de 2019 às 11:59

Há 5 meses
umpa-baturite

O estudante teria atendido na Unidade Municipal de Pronto Atendimento de Baturité (FOTO: Google Maps)

A conduta de um estudante de Medicina virou alvo de investigação policial desde a semana passada. Cursando o terceiro semestre da graduação, Lucas Félix, de 31 anos, é acusado de atender pacientes ilegalmente em pelo menos três municípios do interior do Ceará: Aratuba, Baturité e Guaramiranga. Segundo as denúncias, o estudante cobria plantões de médicos contratados e convidava colegas de turma para acompanhar sua rotina nas unidades de saúde.

Questionada sobre a investigação policial, a Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE) informou que foi instaurado inquérito policial na Delegacia Municipal de Guaramiranga para apurar denúncias relacionadas à prática ilegal da Medicina em cidades pertencentes à Área Integrada de Segurança 15 (AIS 15), e que teria como suspeitos estudantes de uma universidade situada em Fortaleza.

Caso seja comprovada a sua responsabilidade no caso, Lucas poderá ser condenado a pena de 6 meses meses a 2 anos de prisão, por exercer a Medicina sem autorização dos órgãos competentes. Procurado pelo reportagem, o acusado disse que somente seu advogado comentará o caso.

O advogado Luiz Nogueira disse que, até o momento, nem ele e nem o cliente foram notificados sobre a investigação. “Não existe conhecimento formal sobre qualquer tipo de investigação”. Ele acrescenta que Lucas só irá se manifestar nos autos do inquérito e quando, de fato, tiver acesso à investigação.

Por telefone, a direção do Hospital Municipal de Guaramiranga também afirmou que não está autorizada a passar informações sobre o caso, em virtude da investigação policial. A coordenação da Unidade Municipal de Pronto Atendimento (Umpa) de Baturité também preferiu não dar declarações, mas disse que a equipe da instituição comparecerá à delegacia em breve para prestar depoimentos.

Em nota, a a Prefeitura de Baturité afirma que Lucas Félix não exerceu qualquer prestação de serviço junto às unidades básicas de saúde da cidade e que jamais foi servidor do município. O comunicado destaca ainda que “a Secretaria de Saúde já está tomando as providências criminais e as medidas administrativas cabíveis, colaborando com as autoridades policiais que investigam o caso”.

As secretarias de saúde dos municípios de Guaramiranga e Aratuba também foram procuradas pela reportagem, mas ainda não responderam sobre o caso.

Comunidade acadêmica revoltada

A denúncia tem revoltado estudantes do curso de Medicina da Universidade de Fortaleza (Unifor). “Os alunos estão bem incomodados, tanto com a questão dos pacientes quanto pelo nome da universidade”, revela uma estudante membro do Centro Acadêmico do Curso de Medicina da Unifor.

Segundo a aluna, a entidade representativa dos estudantes soube do caso através dos próprios alunos. “Muitos alunos vieram falar. Fomos comunicar para a coordenação, mas a coordenação já sabia e nos disse que a Universidade vai abrir uma comissão para investigar e tomar as medidas institucionais”, pontua ela.

Além da estudante, o Sistema Jangadeiro colheu depoimentos de outros cinco colegas do aluno acusado. Segundo eles, a história que veio à tona na semana passada já era conhecida por alguns. “A gente sabe desde o semestre passado, mas eu morria de medo de denunciar. Ele chegou a convidar outros meninos do nosso curso para acompanhar ele, mas parece que foram só uma vez, viram que era furada e não foram mais”, revela uma estudante que preferiu não ser identificada.

Outro estudante afirma que o acusado disse acreditar que o caso “não vai dar em nada”. “Ele continua matriculado e falando besteira o tempo todo, dizendo que não vai dar em nada, se gabando, porque é réu primário. Estou irritado com essa história. A gente está querendo fazer alguma manifestação para exigir expulsão dele da faculdade”, revela o aluno.

Processo administrativo disciplinar

Por meio de nota, Unifor afirmou que já instaurou processo administrativo disciplinar para apurar as eventuais irregularidades. Segundo a instituição de ensino, caso a denúncia seja comprovada, serão adotadas as medidas cabíveis no âmbito institucional.

No mesmo comunicado, a universidade acrescenta que já notificou o Conselho Regional de Medicina do Estado do Ceará e as prefeituras municipais com as quais mantém parcerias de internato sobre as medidas adotadas neste caso.