Mulheres que denunciaram ex-prefeito por abuso sexual estão sendo perseguidas, afirma MPCE

URUBURETAMA

Mulheres que denunciaram ex-prefeito por abuso sexual estão sendo perseguidas, afirma MPCE

Segundo promotora de Justiça, as mulheres não conseguem atendimento médico na rede municipal. José Hilson de Paiva é medico e prefeito afastado de Uruburetama, no interior do Ceará

Por Tribuna do Ceará em Segurança Pública

8 de setembro de 2019 às 09:34

Há 2 meses
Médico é acusado de abusar sexualmente de mulheres durante consultas (FOTO: Reprodução)

Médico é acusado de abusar sexualmente de mulheres durante consultas (FOTO: Reprodução)

As mulheres que denunciaram o prefeito afastado de Uruburetama, no interior do Ceará, José Hilson de Paiva, por abuso sexual, estão sendo alvo de perseguição e discriminação na cidade, segundo o Ministério Público do Ceará.

“Em Uruburetama, por exemplo, elas não conseguem atendimento na rede municipal de Saúde, e a cidade ainda tornou-se palco de disputas políticas. Essas mulheres estão fragilizadas e precisando de apoio e de atendimento médico em diversas especialidades, principalmente psicológico e psiquiátrico”, explica a promotora de Justiça Joseana França, que coordena o Núcleo de Atendimento às Vítimas de Violência (Nuavv).

A declaração foi dada em reunião, na última sexta-feira (6), entre representantes do MPCE e a vice-governadora Izolda Cela. Durante a reunião, a vice-governadora declarou que tomará providências para viabilizar acesso das vítimas aos profissionais de saúde, seja por meio de encaminhamento à Policlínica mais próxima ou com o deslocamento de uma equipe médica multidisciplinar às duas cidades.

Também participaram do encontro, o procurador-geral de Justiça Plácido Rios e os promotores de Justiça Humberto Ibiapina, coordenador do Núcleo de Investigação Criminal (Nuinc) e Francisco Gomes Câmara, integrante do Núcleo; e a promotora de Justiça Ana Cláudia de Oliveira, integrante do Núcleo Estadual de Gênero Pró-Mulher (Nuprom).

O caso

Afastado do cargo de prefeito de Uruburetama e expulso de seu partido, o PCdoB, o médico José Hilson de Paiva, de 70 anos, é acusado de abusar sexualmente de pacientes durante atendimento no hospital municipal e numa clínica particular da cidade e também no município de Cruz, a 150 km de distância. Médico clínico-geral, ele atuava também como ginecologista mesmo sem a especialidade. O suspeito é alvo de denúncias há pelo menos três décadas, desde 1986.

Em 17 de julho, o MPCE, por meio da Promotoria de Justiça de Uruburetama, requereu à Justiça, a prisão preventiva do médico José Hilson de Paiva.

O pedido se fundamentou no fato de que, mesmo afastado das funções de prefeito e médico, José Hilson de Paiva é considerado influente no município e no meio político estadual, sendo capaz de, diretamente ou por interpostas pessoas, coagir, constranger, ameaçar, corromper, enfim, praticar atos tendentes a comprometer a investigação do Ministério Público e da Polícia Civil. O requerimento ratificou representação de prisão preventiva da Polícia Civil.

José Hilson trabalhou como médico da Prefeitura de Cruz de 1992 a 2012, e manteve um consultório particular na cidade até 2018.

“Perdão”

Após ser preso, o médico pediu perdão às vítimas e revelou que gravava os vídeos por “vício”. As declarações foram dadas durante depoimento à Polícia Civil no dia 19 de julho, em Fortaleza. Em entrevista coletiva, a delegada do município de Cruz, Joseanna Oliveira, havia revelado que, durante o interrogatório, o médico “pediu desculpas à sociedade, àquelas mulheres que se sentiam vítimas, à população de Uruburetama e de Cruz”.

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URUBURETAMA

Mulheres que denunciaram ex-prefeito por abuso sexual estão sendo perseguidas, afirma MPCE

Segundo promotora de Justiça, as mulheres não conseguem atendimento médico na rede municipal. José Hilson de Paiva é medico e prefeito afastado de Uruburetama, no interior do Ceará

Por Tribuna do Ceará em Segurança Pública

8 de setembro de 2019 às 09:34

Há 2 meses
Médico é acusado de abusar sexualmente de mulheres durante consultas (FOTO: Reprodução)

Médico é acusado de abusar sexualmente de mulheres durante consultas (FOTO: Reprodução)

As mulheres que denunciaram o prefeito afastado de Uruburetama, no interior do Ceará, José Hilson de Paiva, por abuso sexual, estão sendo alvo de perseguição e discriminação na cidade, segundo o Ministério Público do Ceará.

“Em Uruburetama, por exemplo, elas não conseguem atendimento na rede municipal de Saúde, e a cidade ainda tornou-se palco de disputas políticas. Essas mulheres estão fragilizadas e precisando de apoio e de atendimento médico em diversas especialidades, principalmente psicológico e psiquiátrico”, explica a promotora de Justiça Joseana França, que coordena o Núcleo de Atendimento às Vítimas de Violência (Nuavv).

A declaração foi dada em reunião, na última sexta-feira (6), entre representantes do MPCE e a vice-governadora Izolda Cela. Durante a reunião, a vice-governadora declarou que tomará providências para viabilizar acesso das vítimas aos profissionais de saúde, seja por meio de encaminhamento à Policlínica mais próxima ou com o deslocamento de uma equipe médica multidisciplinar às duas cidades.

Também participaram do encontro, o procurador-geral de Justiça Plácido Rios e os promotores de Justiça Humberto Ibiapina, coordenador do Núcleo de Investigação Criminal (Nuinc) e Francisco Gomes Câmara, integrante do Núcleo; e a promotora de Justiça Ana Cláudia de Oliveira, integrante do Núcleo Estadual de Gênero Pró-Mulher (Nuprom).

O caso

Afastado do cargo de prefeito de Uruburetama e expulso de seu partido, o PCdoB, o médico José Hilson de Paiva, de 70 anos, é acusado de abusar sexualmente de pacientes durante atendimento no hospital municipal e numa clínica particular da cidade e também no município de Cruz, a 150 km de distância. Médico clínico-geral, ele atuava também como ginecologista mesmo sem a especialidade. O suspeito é alvo de denúncias há pelo menos três décadas, desde 1986.

Em 17 de julho, o MPCE, por meio da Promotoria de Justiça de Uruburetama, requereu à Justiça, a prisão preventiva do médico José Hilson de Paiva.

O pedido se fundamentou no fato de que, mesmo afastado das funções de prefeito e médico, José Hilson de Paiva é considerado influente no município e no meio político estadual, sendo capaz de, diretamente ou por interpostas pessoas, coagir, constranger, ameaçar, corromper, enfim, praticar atos tendentes a comprometer a investigação do Ministério Público e da Polícia Civil. O requerimento ratificou representação de prisão preventiva da Polícia Civil.

José Hilson trabalhou como médico da Prefeitura de Cruz de 1992 a 2012, e manteve um consultório particular na cidade até 2018.

“Perdão”

Após ser preso, o médico pediu perdão às vítimas e revelou que gravava os vídeos por “vício”. As declarações foram dadas durante depoimento à Polícia Civil no dia 19 de julho, em Fortaleza. Em entrevista coletiva, a delegada do município de Cruz, Joseanna Oliveira, havia revelado que, durante o interrogatório, o médico “pediu desculpas à sociedade, àquelas mulheres que se sentiam vítimas, à população de Uruburetama e de Cruz”.