“Policiais estão algemados e amordaçados", desabafa mãe de PM assassinado em Fortaleza


“Policiais estão algemados e amordaçados”, desabafa mãe de PM assassinado em Fortaleza

Família do soldado do Raio morto em assalto pede melhor estrutura na corporação, e direito de que os policiais falem sobre o drama que vivem

Por Roberta Tavares em Segurança Pública

22 de fevereiro de 2016 às 13:59

Há 4 anos
“O que me mantém de pé é revolta, ódio dessa situação”, reclama mãe de soldado morto (FOTO: Reprodução/TV Jangadeiro)

“O que me mantém de pé é revolta, ódio dessa situação”, reclama mãe de soldado morto (FOTO: Reprodução/TV Jangadeiro)

Diante do elevado número de assassinatos de policiais no Ceará, a mãe do policial militar do Ronda de Ações Intensivas e Ostensivas (Raio) morto em um assalto em Fortaleza desabafou sobre a estrutura da corporação.

“Além de algemados, os policiais estão amordaçados. Não podem falar nada, senão são punidos, isso não é segredo para ninguém”, reclamou Daniara Maria Félix, em entrevista ao programa Barra Pesada, da TV Jangadeiro/SBT.

O crime aconteceu na manhã do último dia 12 de fevereiro. O soldado Augusto Herbert Félix estava de folga e seguia de motocicleta no Bairro Planalto Pici, em Fortaleza, quando foi abordado por dois homens também em uma moto. Eles anunciaram o assalto enquanto o PM aguardava no semáforo fechado.

Augusto Herbert reagiu e baleou um dos criminosos. A perícia constatou nove lesões a bala no corpo da vítima. “Fico só lembrando da imagem dele no chão, sangrando. Já mandei fazer cartazes com fotos dele ainda vivo, coloquei na sala e no meu quarto, para ver se consigo tirar essa imagem da minha cabeça, mas não consigo”, lamenta a mãe. “Queria mil vezes estar no lugar do meu filho. Daria tudo para estar no lugar dele”, completa.

Familiares e amigos do soldado se reuniram na sexta-feira (19) para protestar e sensibilizar as autoridades em relação à onda de violência contra agentes da segurança pública. A mobilização ocorreu em frente ao Comando-Geral da Polícia Militar, no Bairro de Fátima, em Fortaleza.

“O que me mantém de pé é revolta, ódio dessa situação. A minha intenção é que nenhuma mãe de policial sofra o que estou sofrendo. Não posso mais aceitar isso, porque tive meu filho arrancado de mim. Perdi um filho com 27 anos de idade, trabalhador, cidadão. Ninguém se levantou para fazer nada ainda, mas eu vou fazer”.

De acordo com Daniara, diversas vezes o filho teve de ir às ruas trabalhar sem o colete à prova de balas. “Logo que meu filho entrou no Ronda do Quarteirão, ele foi para a rua sem as placas do colete, apenas com a capa. Os policiais precisam de respaldo para trabalhar”.

O suspeito de matar o soldado Félix foi preso no dia 13 de fevereiro e encaminhado à Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Gabriel Alves de Lima, de 20 anos, conhecido como “Biel”, confessou à polícia que vivia da prática de assaltos.

“O Bielzinho foi preso sem nenhum arranhão, nem as algemas foram apertadas nos punhos dele, viu? Mas o meu filho, um cidadão, estava no chão tentando defender a vida dele. Aí vem um vagabundo e dá um tiro nas costas, depois mais sete na cara, desfigurando todo o rosto do meu filho”.

De acordo com a esposa da vítima, Jéssica Carvalho Félix, é preciso que as pessoas se unam para pedir mais segurança no estado. “Tem marcha para tudo, mas não tem marcha para um cidadão trabalhador, que bota a farda sem saber se vai voltar para casa. Outro PM foi morto e ninguém fez nada. Aqui devia ser ‘olho por olho, dente por dente”, concluiu a viúva.

A Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) informou ao Tribuna do Ceará que o Comando da Polícia Militar e o comando do Batalhão de Policiamento de Rondas de Ações Intensivas e Ostensivas deram apoio à mãe e à esposa do policial militar vítima de latrocínio.

“O Sistema de Segurança, por meio das Polícias Civil e Militar, realizou diligências ininterruptas até a prisão do suspeito de cometer o homicídio – Gabriel Alves de Lima. Com relação aos coletes à prova de bala, a SSPDS informa que não há falta do material e que a distribuição para os policiais acontece normalmente”, disse a assessoria por meio de nota.

Mortes de policiais em 2016

A morte mais recente de agente de segurança pública aconteceu no município de Jaguaretama, no interior do Ceará, em 19 de fevereiro. O subtenente Carlos Herbênio Almeida Bezerra foi surpreendido por dois homens em uma motocicleta enquanto caminhava no Centro da cidade. Ele foi atingido por vários disparos e não resistiu aos ferimentos.

Relembre:

– 7 de janeiro: Hudson Danilo Lima Oliveira, soldado da Polícia Militar

O PM foi chamado para uma ocorrência de assalto em uma fazenda de Jaguaretama, no interior do Ceará. De acordo com o Comando de Policiamento do Interior (CPI), houve troca de tiros quando o soldado chegou ao local. Ele foi baleado na cabeça e socorrido no Instituto Dr. José Frota, em Fortaleza, onde ficou internado em estado grave.

No dia 9 de janeiro, foi constatada a morte cerebral. Na noite do dia 8, quatro pessoas foram capturadas. Uma delas agiu diretamente no crime. As outras deram apoio para o criminoso fugir.

– 19 de janeiro: Benedito Gomes Assunção, Cavalaria da Polícia Militar

Policial, que não estava de serviço, se envolveu em uma discussão de trânsito com dois irmão, em Juazeiro do Norte. Poucos minutos depois, os dois suspeitos foram presos em flagrante. Antônio Nogueira da Cruz (26) e Francisco Valtermar Nogueira da Cruz (33) foram presos com um revólver calibre 38.

– 26 de janeiro: José Eudes da Silva Monte, sargento da Policial Militar

O PM foi baleado na cabeça durante roubo a um coletivo da linha Conjunto Ceará-Antônio Bezerra, em Fortaleza, e faleceu na manhã do dia 28 de janeiro. Foram presos Raquel Rodrigues Lima, 19, que responde na Justiça por adulteração de veículo; Carlos Maik Pinto Martins, 24, que possui antecedentes por homicídio e tráfico de drogas; Raimundo Nonato Sousa Barroso, 24, que responde por roubo e dois homicídios e Cristian Nilton Nascimento da Silva, 20, apontado pela polícia como o responsável por atirar no policial.

– 12 de fevereiro: Augusto Herbert Félix, soldado da Polícia Militar (Raio)

O soldado aguardava o semáforo abrir, em um cruzamento de Fortaleza, quando foi abordado por dois homens em uma motocicleta. Ele reagiu e trocou tiros com os assaltantes, mas não resistiu aos ferimentos. O crime aconteceu no Bairro Planalto Pici.

– 19 de fevereiro: Carlos Herbênio Almeida Bezerra, subtenente da Polícia Militar

O subtenente estava caminhando no Centro de Jaguaretama, no interior do Ceará, quando foi surpreendido por dois homens em uma motocicleta. Ele foi atingido por vários disparos. Equipes da PM foram acionadas ao local.

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“Policiais estão algemados e amordaçados”, desabafa mãe de PM assassinado em Fortaleza

Família do soldado do Raio morto em assalto pede melhor estrutura na corporação, e direito de que os policiais falem sobre o drama que vivem

Por Roberta Tavares em Segurança Pública

22 de fevereiro de 2016 às 13:59

Há 4 anos
“O que me mantém de pé é revolta, ódio dessa situação”, reclama mãe de soldado morto (FOTO: Reprodução/TV Jangadeiro)

“O que me mantém de pé é revolta, ódio dessa situação”, reclama mãe de soldado morto (FOTO: Reprodução/TV Jangadeiro)

Diante do elevado número de assassinatos de policiais no Ceará, a mãe do policial militar do Ronda de Ações Intensivas e Ostensivas (Raio) morto em um assalto em Fortaleza desabafou sobre a estrutura da corporação.

“Além de algemados, os policiais estão amordaçados. Não podem falar nada, senão são punidos, isso não é segredo para ninguém”, reclamou Daniara Maria Félix, em entrevista ao programa Barra Pesada, da TV Jangadeiro/SBT.

O crime aconteceu na manhã do último dia 12 de fevereiro. O soldado Augusto Herbert Félix estava de folga e seguia de motocicleta no Bairro Planalto Pici, em Fortaleza, quando foi abordado por dois homens também em uma moto. Eles anunciaram o assalto enquanto o PM aguardava no semáforo fechado.

Augusto Herbert reagiu e baleou um dos criminosos. A perícia constatou nove lesões a bala no corpo da vítima. “Fico só lembrando da imagem dele no chão, sangrando. Já mandei fazer cartazes com fotos dele ainda vivo, coloquei na sala e no meu quarto, para ver se consigo tirar essa imagem da minha cabeça, mas não consigo”, lamenta a mãe. “Queria mil vezes estar no lugar do meu filho. Daria tudo para estar no lugar dele”, completa.

Familiares e amigos do soldado se reuniram na sexta-feira (19) para protestar e sensibilizar as autoridades em relação à onda de violência contra agentes da segurança pública. A mobilização ocorreu em frente ao Comando-Geral da Polícia Militar, no Bairro de Fátima, em Fortaleza.

“O que me mantém de pé é revolta, ódio dessa situação. A minha intenção é que nenhuma mãe de policial sofra o que estou sofrendo. Não posso mais aceitar isso, porque tive meu filho arrancado de mim. Perdi um filho com 27 anos de idade, trabalhador, cidadão. Ninguém se levantou para fazer nada ainda, mas eu vou fazer”.

De acordo com Daniara, diversas vezes o filho teve de ir às ruas trabalhar sem o colete à prova de balas. “Logo que meu filho entrou no Ronda do Quarteirão, ele foi para a rua sem as placas do colete, apenas com a capa. Os policiais precisam de respaldo para trabalhar”.

O suspeito de matar o soldado Félix foi preso no dia 13 de fevereiro e encaminhado à Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Gabriel Alves de Lima, de 20 anos, conhecido como “Biel”, confessou à polícia que vivia da prática de assaltos.

“O Bielzinho foi preso sem nenhum arranhão, nem as algemas foram apertadas nos punhos dele, viu? Mas o meu filho, um cidadão, estava no chão tentando defender a vida dele. Aí vem um vagabundo e dá um tiro nas costas, depois mais sete na cara, desfigurando todo o rosto do meu filho”.

De acordo com a esposa da vítima, Jéssica Carvalho Félix, é preciso que as pessoas se unam para pedir mais segurança no estado. “Tem marcha para tudo, mas não tem marcha para um cidadão trabalhador, que bota a farda sem saber se vai voltar para casa. Outro PM foi morto e ninguém fez nada. Aqui devia ser ‘olho por olho, dente por dente”, concluiu a viúva.

A Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) informou ao Tribuna do Ceará que o Comando da Polícia Militar e o comando do Batalhão de Policiamento de Rondas de Ações Intensivas e Ostensivas deram apoio à mãe e à esposa do policial militar vítima de latrocínio.

“O Sistema de Segurança, por meio das Polícias Civil e Militar, realizou diligências ininterruptas até a prisão do suspeito de cometer o homicídio – Gabriel Alves de Lima. Com relação aos coletes à prova de bala, a SSPDS informa que não há falta do material e que a distribuição para os policiais acontece normalmente”, disse a assessoria por meio de nota.

Mortes de policiais em 2016

A morte mais recente de agente de segurança pública aconteceu no município de Jaguaretama, no interior do Ceará, em 19 de fevereiro. O subtenente Carlos Herbênio Almeida Bezerra foi surpreendido por dois homens em uma motocicleta enquanto caminhava no Centro da cidade. Ele foi atingido por vários disparos e não resistiu aos ferimentos.

Relembre:

– 7 de janeiro: Hudson Danilo Lima Oliveira, soldado da Polícia Militar

O PM foi chamado para uma ocorrência de assalto em uma fazenda de Jaguaretama, no interior do Ceará. De acordo com o Comando de Policiamento do Interior (CPI), houve troca de tiros quando o soldado chegou ao local. Ele foi baleado na cabeça e socorrido no Instituto Dr. José Frota, em Fortaleza, onde ficou internado em estado grave.

No dia 9 de janeiro, foi constatada a morte cerebral. Na noite do dia 8, quatro pessoas foram capturadas. Uma delas agiu diretamente no crime. As outras deram apoio para o criminoso fugir.

– 19 de janeiro: Benedito Gomes Assunção, Cavalaria da Polícia Militar

Policial, que não estava de serviço, se envolveu em uma discussão de trânsito com dois irmão, em Juazeiro do Norte. Poucos minutos depois, os dois suspeitos foram presos em flagrante. Antônio Nogueira da Cruz (26) e Francisco Valtermar Nogueira da Cruz (33) foram presos com um revólver calibre 38.

– 26 de janeiro: José Eudes da Silva Monte, sargento da Policial Militar

O PM foi baleado na cabeça durante roubo a um coletivo da linha Conjunto Ceará-Antônio Bezerra, em Fortaleza, e faleceu na manhã do dia 28 de janeiro. Foram presos Raquel Rodrigues Lima, 19, que responde na Justiça por adulteração de veículo; Carlos Maik Pinto Martins, 24, que possui antecedentes por homicídio e tráfico de drogas; Raimundo Nonato Sousa Barroso, 24, que responde por roubo e dois homicídios e Cristian Nilton Nascimento da Silva, 20, apontado pela polícia como o responsável por atirar no policial.

– 12 de fevereiro: Augusto Herbert Félix, soldado da Polícia Militar (Raio)

O soldado aguardava o semáforo abrir, em um cruzamento de Fortaleza, quando foi abordado por dois homens em uma motocicleta. Ele reagiu e trocou tiros com os assaltantes, mas não resistiu aos ferimentos. O crime aconteceu no Bairro Planalto Pici.

– 19 de fevereiro: Carlos Herbênio Almeida Bezerra, subtenente da Polícia Militar

O subtenente estava caminhando no Centro de Jaguaretama, no interior do Ceará, quando foi surpreendido por dois homens em uma motocicleta. Ele foi atingido por vários disparos. Equipes da PM foram acionadas ao local.