Projeto denuncia maus tratos a cães no Campus do Pici da UFC

CRUELDADE

Projeto denuncia maus tratos a cães no Campus do Pici e reclama de falta de apoio da UFC

Membros do Animais UFC encontraram 7 cães com perfurações circulares nas costas nos últimos 2 meses e um deles precisou ser sacrificado

Por William Barros em Segurança Pública

3 de dezembro de 2019 às 11:29

Há 4 meses

O cãozinho Júlio César foi uma das vítimas dos maus tratos, mas foi socorrido pelo projeto Animais UFC (FOTO: Reprodução/Animais UFC)

Quem passa pelo Campus do Pici, da Universidade Federal do Ceará (UFC), nota o sofrimento dos bichos abandonados ali. O projeto Animais UFC denunciou recentemente que cachorros estão sendo vítimas de maus tratos no local. Segundo a publicação, sete cães foram encontrados com perfurações circulares nas costas nos últimos dois meses. Um deles precisou ser sacrificado, devido aos ferimentos.

Os membros do projeto devem denunciar os casos à Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA) nesta terça-feira (3), segundo Taíse Praxedes, estudante de Zootecnia e coordenadora do Animais UFC. Para ela, os ferimentos podem ter sido causados por servidores da universidade ou frequentadores do campus. “Não queremos acusar ninguém, mas temos algumas suspeitas, porque são animais que não saem do campus”, constata.

Caso sejam identificados, os possíveis autores dos maus tratos podem ser indiciados por infringir o artigo 32 da Lei de Crimes Ambientais. O estatuto prevê que quem abusa, pratica maus-tratos, fere ou mutila animais domésticos pode ser condenado à pena de três meses a um ano de detenção e multa.

A estudante de Zootecnia afirma que os relatos não são novidade e que já houve registro de casos semelhantes nos últimos anos. Segundo ela, além dos maus tratos, há as complicações causadas pela condição de abandono dos cachorros. “Esses ferimentos são pequenos, mas como é um ambiente aberto, sempre infecciona, cria larvas. A gente já perdeu animais desse jeito”, lamenta Taíse.

Consequências graves

O projeto encontrou sete cães com perfurações nas costas nos últimos meses (FOTO: Reprodução/Animais UFC)

Em novembro, a equipe precisou eutanasiar o cãozinho Bob, que não resistiu a ferimentos do mesmo tipo. Graças aos cuidados do grupo, o cachorro Júlio César não precisou passar pelo mesmo procedimento. “A gente conseguiu capturar o Júlio. Ele ficou internado, reagiu bem e está num lar temporário, se recuperando dos ferimentos”, comemora a coordenadora do projeto.

Uma outra cadela ainda preocupa os membros do Animais UFC. Ela teve seu olho arrancado e correu pelo campus, desesperada, até desaparecer. “Os policiais correram, tentaram resgatar, mas ela nunca mais foi vista. Os cachorros têm muito dessa. Quando estão perto de morrer, se escondem”, afirma a estudante de Zootecnia.

Sem apoio

O Animais UFC divulga animais disponíveis para adoção, recebe doações e conduz os bichos para tratamentos. Segundo Taíse, tudo é feito de forma independente, com apoio financeiro e material de cerca de 50 voluntários, entre alunos, servidores e moradores do entorno. “O nome do projeto tem UFC, porque a gente cuida dos animais que ficam lá dentro, mas a gente não tem apoio nenhum da universidade“, lamenta.

A estudante critica a falta de apoio da universidade. Segundo ela, mesmo após conversas, a UFC não atendeu pedidos para reforçar a vigilância no campus e colocar placas que informem a proibição de abandono de animais no local. “A vigilância do campus é muito fraca. É dever da universidade, mas não fazem. O mínimo que era para eles fazerem, eles não fazem”, pondera Taíse.

Na visão dela, a principal luta do projeto é reforçar que local não é o ideal para a convivência dos animais. “Eles não deveriam estar no campus. Não tem ponto positivo de eles estarem ali. A gente faz o que pode para tirar eles de lá do jeito certo, que é pela adoção”, argumenta a coordenadora do Animais UFC, que já intermediou a adoção de pelo menos 150 cachorros.

Resposta

Procurada pelo Tribuna do Ceará, a Superintendência de Infraestrutura e Gestão Ambiental da Universidade Federal do Ceará (UFC-Infra) disse que irá avaliar as denúncias para tomar as medidas cabíveis, e que “repudia toda e qualquer ação de maus tratos contra animais”.

No texto, o órgão também pede que casos identificados pela comunidade acadêmica sejam denunciados formalmente à Superintendência, por meio do telefone (85) 3366-9190. A nota também afirma que a UFC tem promovido uma série de ações nessa área por meio da Prefeitura Especial de Gestão Ambiental, órgão vinculado à UFC-Infra, em parceria com grupos de proteção animal que atuam na Universidade e com a Prefeitura de Fortaleza.

“Foram promovidas três visitas do Vet Móvel para vacinação, consulta e castração de animais (duas no Campus do Pici e uma no Benfica), apoio institucional a atividades voltados para o bem estar animal (bazares de arrecadação de ração, adoção de PETs etc.), campanhas de conscientização em redes sociais sobre o crime de abandono de animais, e eventos e debates sobre o tema”, destaca o comunicado.

Confira galeria

Projeto denuncia maus tratos a animais na UFC
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Projeto denuncia maus tratos a animais na UFC

(FOTO: Reprodução/Animais UFC)

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CRUELDADE

Projeto denuncia maus tratos a cães no Campus do Pici e reclama de falta de apoio da UFC

Membros do Animais UFC encontraram 7 cães com perfurações circulares nas costas nos últimos 2 meses e um deles precisou ser sacrificado

Por William Barros em Segurança Pública

3 de dezembro de 2019 às 11:29

Há 4 meses

O cãozinho Júlio César foi uma das vítimas dos maus tratos, mas foi socorrido pelo projeto Animais UFC (FOTO: Reprodução/Animais UFC)

Quem passa pelo Campus do Pici, da Universidade Federal do Ceará (UFC), nota o sofrimento dos bichos abandonados ali. O projeto Animais UFC denunciou recentemente que cachorros estão sendo vítimas de maus tratos no local. Segundo a publicação, sete cães foram encontrados com perfurações circulares nas costas nos últimos dois meses. Um deles precisou ser sacrificado, devido aos ferimentos.

Os membros do projeto devem denunciar os casos à Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA) nesta terça-feira (3), segundo Taíse Praxedes, estudante de Zootecnia e coordenadora do Animais UFC. Para ela, os ferimentos podem ter sido causados por servidores da universidade ou frequentadores do campus. “Não queremos acusar ninguém, mas temos algumas suspeitas, porque são animais que não saem do campus”, constata.

Caso sejam identificados, os possíveis autores dos maus tratos podem ser indiciados por infringir o artigo 32 da Lei de Crimes Ambientais. O estatuto prevê que quem abusa, pratica maus-tratos, fere ou mutila animais domésticos pode ser condenado à pena de três meses a um ano de detenção e multa.

A estudante de Zootecnia afirma que os relatos não são novidade e que já houve registro de casos semelhantes nos últimos anos. Segundo ela, além dos maus tratos, há as complicações causadas pela condição de abandono dos cachorros. “Esses ferimentos são pequenos, mas como é um ambiente aberto, sempre infecciona, cria larvas. A gente já perdeu animais desse jeito”, lamenta Taíse.

Consequências graves

O projeto encontrou sete cães com perfurações nas costas nos últimos meses (FOTO: Reprodução/Animais UFC)

Em novembro, a equipe precisou eutanasiar o cãozinho Bob, que não resistiu a ferimentos do mesmo tipo. Graças aos cuidados do grupo, o cachorro Júlio César não precisou passar pelo mesmo procedimento. “A gente conseguiu capturar o Júlio. Ele ficou internado, reagiu bem e está num lar temporário, se recuperando dos ferimentos”, comemora a coordenadora do projeto.

Uma outra cadela ainda preocupa os membros do Animais UFC. Ela teve seu olho arrancado e correu pelo campus, desesperada, até desaparecer. “Os policiais correram, tentaram resgatar, mas ela nunca mais foi vista. Os cachorros têm muito dessa. Quando estão perto de morrer, se escondem”, afirma a estudante de Zootecnia.

Sem apoio

O Animais UFC divulga animais disponíveis para adoção, recebe doações e conduz os bichos para tratamentos. Segundo Taíse, tudo é feito de forma independente, com apoio financeiro e material de cerca de 50 voluntários, entre alunos, servidores e moradores do entorno. “O nome do projeto tem UFC, porque a gente cuida dos animais que ficam lá dentro, mas a gente não tem apoio nenhum da universidade“, lamenta.

A estudante critica a falta de apoio da universidade. Segundo ela, mesmo após conversas, a UFC não atendeu pedidos para reforçar a vigilância no campus e colocar placas que informem a proibição de abandono de animais no local. “A vigilância do campus é muito fraca. É dever da universidade, mas não fazem. O mínimo que era para eles fazerem, eles não fazem”, pondera Taíse.

Na visão dela, a principal luta do projeto é reforçar que local não é o ideal para a convivência dos animais. “Eles não deveriam estar no campus. Não tem ponto positivo de eles estarem ali. A gente faz o que pode para tirar eles de lá do jeito certo, que é pela adoção”, argumenta a coordenadora do Animais UFC, que já intermediou a adoção de pelo menos 150 cachorros.

Resposta

Procurada pelo Tribuna do Ceará, a Superintendência de Infraestrutura e Gestão Ambiental da Universidade Federal do Ceará (UFC-Infra) disse que irá avaliar as denúncias para tomar as medidas cabíveis, e que “repudia toda e qualquer ação de maus tratos contra animais”.

No texto, o órgão também pede que casos identificados pela comunidade acadêmica sejam denunciados formalmente à Superintendência, por meio do telefone (85) 3366-9190. A nota também afirma que a UFC tem promovido uma série de ações nessa área por meio da Prefeitura Especial de Gestão Ambiental, órgão vinculado à UFC-Infra, em parceria com grupos de proteção animal que atuam na Universidade e com a Prefeitura de Fortaleza.

“Foram promovidas três visitas do Vet Móvel para vacinação, consulta e castração de animais (duas no Campus do Pici e uma no Benfica), apoio institucional a atividades voltados para o bem estar animal (bazares de arrecadação de ração, adoção de PETs etc.), campanhas de conscientização em redes sociais sobre o crime de abandono de animais, e eventos e debates sobre o tema”, destaca o comunicado.

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(FOTO: Reprodução/Animais UFC)

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