4 novelas e 1 reality show estão no top 10 das pesquisas de brasileiros no Google em 2015


4 novelas e 1 reality show estão no top 10 das pesquisas de brasileiros no Google em 2015

Na lista divulgada pelo site de pesquisas, entretenimento encabeça a lista de interesses dos brasileiros na internet durante o ano

Por Juliana Teófilo em Tecnologia

29 de dezembro de 2015 às 06:00

Há 4 anos
Para a mestre em comunicação e semiótica, Lígia Sales, o comportamento de pesquisa do brasileiro é resultado da cultura educacional do país. (FOTO: Reprodução/Flickr Luiz Fabiano - Pref.Olinda)

Para Lígia Sales, mestre em comunicação e semiótica, o comportamento de pesquisa do brasileiro é resultado da cultura educacional. (FOTO: Reprodução/Flickr Luiz Fabiano – Pref.Olinda)

O Google divulgou, na semana passada, os temas mais pesquisados pelos brasileiros no ano de 2015. A corrupção na Petrobras liderou os acessos do mês de junho, com mais de 52 milhões buscas pelo tema. Em outubro, foi a vez da hashtag #MeuPrimeiroAssédio liderar o ranking de buscas, com mais de 11 milhões de pesquisas. Em novembro, por sua vez, o desastre em Mariana esteve à frente, com mais de 14 milhões buscas.

Mas a política e a economia perderam espaço para o entretenimento quando se trata do comportamento de pesquisa do brasileiro ao longo do ano. A grande maioria dos temas pesquisados no Brasil estão ligados a entretenimento, especialmente relacionado à televisão. Nas listas divulgadas pela empresa americana, em 2015 quatro novelas marcaram presença no Top 10 de destaques, sendo elas: Verdades Secretas, em 4º lugar; Os Dez Mandamentos, em 7º lugar; Além do Tempo, em 9º lugar e Império, em 10º.

Além disso, um programa de televisão, o  BBB15, ocupou o 1º lugar nas buscas, sendo seguido de perto pelo cantor sertanejo Cristiano Araújo, falecido em junho deste ano. A tabela do Brasileirão também ocupou lugar de destaque no ranking, ocupando o 5º lugar. Mais abaixo na lista, o evento Rock in Rio ficou com o 8º lugar em pesquisas. O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e o Sistema de Seleção Unificada (Sisu) ocuparam, respectivamente, o 3º e o 6º lugares na lista.

Para Lígia Sales, mestre em comunicação e semiótica pela PUC de São Paulo e professora da Estácio Fic, o comportamento de pesquisa do brasileiro não é surpresa. Segundo ela, o costume é resultado da cultura educacional que o nosso país tem. “Por décadas fomos educados a não pensar, não questionar, de consumir de forma muito líquida tudo que a mídia nos diz como correto, tanto no jornalismo, quanto na cultura. Se você tem uma cultura educacional onde você consome, em sua grande maioria, novelas e programas televisivos, é comum que as pessoas levem para o espaço cibernético esse comportamento”, explica.

Uma jaula aberta

Lígia Sales explica, ainda, que o movimento de extensão do conteúdo televisivo para o ambiente cibernético tem nome e se chama transmedia. “É como se cada mídia desse o seu melhor, com suas características particulares, para a proliferação do conteúdo”, aponta. Assim, apesar de falar sobre um mesmo assunto, não existe conteúdo repetitivo e cada mídia contribui com ideias diferenciadas.

“Temos a liberdade ir além, pesquisar todo tipo de informação, mas continuamos tendo os mesmos hábitos e buscando os mesmos temas”. (Lígia Sales)

A professora explica que essa é a diferença entre a transmedia e a crossmedia. No segundo, não há produção de ideias novas, apenas a reprodução de um mesmo conteúdo em mídias diferentes, como acontece, por exemplo, com uma propaganda publicitária qualquer.

É seguindo essa ideia que Lígia aponta que a televisão e a internet não competem entre si. “São plataformas com caraterísticas diferentes que têm que ser aproveitadas. A televisão, em médio prazo, será vivenciada e utilizada de uma maneira muito mais cibernética, até porque hoje nosso consumo da televisão é feito todo dentro de uma lógica passiva, que não dialoga, não interage”, aponta.

Mas o preparo para consumir a televisão e a internet de forma mais ativa ainda atinge poucos brasileiros, conforme aponta a professora. “Costumo trabalhar a metáfora de um animal selvagem que é domesticado em uma jaula. Depois de um tempo, esse animal está completamente despreparado para viver na selva. É justamente o que acontece conosco quando se trata da democratização da informação. Nós temos a internet, ela é uma jaula aberta que muitos de nós não ousamos sair. Temos a liberdade ir além, pesquisar todo tipo de informação, mas continuamos tendo os mesmos hábitos e buscando os mesmos temas”, finaliza.

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4 novelas e 1 reality show estão no top 10 das pesquisas de brasileiros no Google em 2015

Na lista divulgada pelo site de pesquisas, entretenimento encabeça a lista de interesses dos brasileiros na internet durante o ano

Por Juliana Teófilo em Tecnologia

29 de dezembro de 2015 às 06:00

Há 4 anos
Para a mestre em comunicação e semiótica, Lígia Sales, o comportamento de pesquisa do brasileiro é resultado da cultura educacional do país. (FOTO: Reprodução/Flickr Luiz Fabiano - Pref.Olinda)

Para Lígia Sales, mestre em comunicação e semiótica, o comportamento de pesquisa do brasileiro é resultado da cultura educacional. (FOTO: Reprodução/Flickr Luiz Fabiano – Pref.Olinda)

O Google divulgou, na semana passada, os temas mais pesquisados pelos brasileiros no ano de 2015. A corrupção na Petrobras liderou os acessos do mês de junho, com mais de 52 milhões buscas pelo tema. Em outubro, foi a vez da hashtag #MeuPrimeiroAssédio liderar o ranking de buscas, com mais de 11 milhões de pesquisas. Em novembro, por sua vez, o desastre em Mariana esteve à frente, com mais de 14 milhões buscas.

Mas a política e a economia perderam espaço para o entretenimento quando se trata do comportamento de pesquisa do brasileiro ao longo do ano. A grande maioria dos temas pesquisados no Brasil estão ligados a entretenimento, especialmente relacionado à televisão. Nas listas divulgadas pela empresa americana, em 2015 quatro novelas marcaram presença no Top 10 de destaques, sendo elas: Verdades Secretas, em 4º lugar; Os Dez Mandamentos, em 7º lugar; Além do Tempo, em 9º lugar e Império, em 10º.

Além disso, um programa de televisão, o  BBB15, ocupou o 1º lugar nas buscas, sendo seguido de perto pelo cantor sertanejo Cristiano Araújo, falecido em junho deste ano. A tabela do Brasileirão também ocupou lugar de destaque no ranking, ocupando o 5º lugar. Mais abaixo na lista, o evento Rock in Rio ficou com o 8º lugar em pesquisas. O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e o Sistema de Seleção Unificada (Sisu) ocuparam, respectivamente, o 3º e o 6º lugares na lista.

Para Lígia Sales, mestre em comunicação e semiótica pela PUC de São Paulo e professora da Estácio Fic, o comportamento de pesquisa do brasileiro não é surpresa. Segundo ela, o costume é resultado da cultura educacional que o nosso país tem. “Por décadas fomos educados a não pensar, não questionar, de consumir de forma muito líquida tudo que a mídia nos diz como correto, tanto no jornalismo, quanto na cultura. Se você tem uma cultura educacional onde você consome, em sua grande maioria, novelas e programas televisivos, é comum que as pessoas levem para o espaço cibernético esse comportamento”, explica.

Uma jaula aberta

Lígia Sales explica, ainda, que o movimento de extensão do conteúdo televisivo para o ambiente cibernético tem nome e se chama transmedia. “É como se cada mídia desse o seu melhor, com suas características particulares, para a proliferação do conteúdo”, aponta. Assim, apesar de falar sobre um mesmo assunto, não existe conteúdo repetitivo e cada mídia contribui com ideias diferenciadas.

“Temos a liberdade ir além, pesquisar todo tipo de informação, mas continuamos tendo os mesmos hábitos e buscando os mesmos temas”. (Lígia Sales)

A professora explica que essa é a diferença entre a transmedia e a crossmedia. No segundo, não há produção de ideias novas, apenas a reprodução de um mesmo conteúdo em mídias diferentes, como acontece, por exemplo, com uma propaganda publicitária qualquer.

É seguindo essa ideia que Lígia aponta que a televisão e a internet não competem entre si. “São plataformas com caraterísticas diferentes que têm que ser aproveitadas. A televisão, em médio prazo, será vivenciada e utilizada de uma maneira muito mais cibernética, até porque hoje nosso consumo da televisão é feito todo dentro de uma lógica passiva, que não dialoga, não interage”, aponta.

Mas o preparo para consumir a televisão e a internet de forma mais ativa ainda atinge poucos brasileiros, conforme aponta a professora. “Costumo trabalhar a metáfora de um animal selvagem que é domesticado em uma jaula. Depois de um tempo, esse animal está completamente despreparado para viver na selva. É justamente o que acontece conosco quando se trata da democratização da informação. Nós temos a internet, ela é uma jaula aberta que muitos de nós não ousamos sair. Temos a liberdade ir além, pesquisar todo tipo de informação, mas continuamos tendo os mesmos hábitos e buscando os mesmos temas”, finaliza.