Pesquisadora aponta que crianças brasileiras são mais conectadas que as europeias


Pesquisadora aponta que crianças brasileiras são mais conectadas que as europeias

A portuguesa Cristina Ponte aponta que jovens de 9 a 16 anos têm forte presença em redes sociais no Brasil. O que pode ser bom ou ruim

Por Hayanne Narlla em Tecnologia

3 de dezembro de 2015 às 06:00

Há 4 anos
Cristina Ponte é pesquisadora em Lisboa e comparou resultados da Europa com o Brasil (FOTO: Hayanne Narlla/ Tribuna do Ceará)

Cristina Ponte é pesquisadora em Lisboa e comparou resultados da Europa com o Brasil (FOTO: Hayanne Narlla/ Tribuna do Ceará)

As crianças brasileiras estão mais conectadas à internet que as europeias. Por isso, ninguém duvida de que no Brasil se tenha mais perfis de redes sociais administrados na infância. Isso traz alguns riscos que ela deve enfrentar, como a vulnerabilidade e a ansiedade, segundo a pesquisadora portuguesa Cristina Ponte.

Professora da Universidade Nova de Lisboa, Cristina visitou Fortaleza e divulgou uma pesquisa que envolve crianças e adolescentes (9 a 16 anos) e o acesso à internet. Em entrevista ao Tribuna do Ceará, ela ressalta que, no Brasil, 78% do público dessa faixa etária tem perfil social, porém 82% estão conectadas.

O curioso é que ao mesmo tempo em que crianças e adolescentes brasileiros (72%) utilizam mais o PC, a máquina de computador, a maioria acessa a internet por meio de pacotes de dados (40%). A utilização de 3G, segundo Cristina, se deve ao valor cobrado – na Europa é bem mais caro – e a infraestrutura pouco desenvolvida, já que não faltam equipamentos para a propagação do Wifi.

“O Brasil é mais semelhante a Romênia, porque também tem problemas de infraestrutura e tem meninos vivendo intensamente as redes sociais. A questão cultural é uma hipótese. Eles gostam das redes sociais como um espaço de apresentação de si para os outros, de ser popular. A preocupação com curtidas é muito forte, preocupação com o corpo, com a maneira como se apresentam”, explicou.

Pesquisa revelou que brasileiros estão mais conectados por causa da compra de pacote de dados (FOTO: Hayanne Narlla/ Tribuna do Ceará)

Pesquisa revelou que brasileiros estão mais conectados por causa da compra de pacote de dados (FOTO: Hayanne Narlla/ Tribuna do Ceará)

Riscos

A internet pode render um espaço de maior sociabilidade para crianças e adolescentes. Entretanto, com a enorme quantidade de pessoas e assuntos, esse público fica mais vulnerável aos riscos, como acesso à pornografia, à apologia a violência ou contato com possíveis criminosos.

“Mas saber desses risco pode ajudá-las a aprender a lidar com isso. A internet traz riscos, mas podem virar oportunidades para que as crianças adquiram mais informação”, enfatizou. 

Essas informações devem ser repassadas pelos pais e sociedade em geral. Quando não se discute sobre o tema, as crianças podem estar ainda mais vulneráveis aos fatores de risco. Por isso, deve-se conversar sobre internet e redes sociais em casa e na escola.

Pesquisa local

Em Fortaleza, um grupo de pesquisa realiza estudos sobre crianças e adolescentes em parceria com Cristina Ponte. O Grupo de Pesquisa da Relação Infância, Adolescência e Mídia (Grim) foi criado com propósito de aprofundar referenciais teórico-metodológicos e desenvolver pesquisas que permitam compreender os processos comunicativos contemporâneos no campo da comunicação midiática com o foco na infância e juventude.

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Pesquisadora aponta que crianças brasileiras são mais conectadas que as europeias

A portuguesa Cristina Ponte aponta que jovens de 9 a 16 anos têm forte presença em redes sociais no Brasil. O que pode ser bom ou ruim

Por Hayanne Narlla em Tecnologia

3 de dezembro de 2015 às 06:00

Há 4 anos
Cristina Ponte é pesquisadora em Lisboa e comparou resultados da Europa com o Brasil (FOTO: Hayanne Narlla/ Tribuna do Ceará)

Cristina Ponte é pesquisadora em Lisboa e comparou resultados da Europa com o Brasil (FOTO: Hayanne Narlla/ Tribuna do Ceará)

As crianças brasileiras estão mais conectadas à internet que as europeias. Por isso, ninguém duvida de que no Brasil se tenha mais perfis de redes sociais administrados na infância. Isso traz alguns riscos que ela deve enfrentar, como a vulnerabilidade e a ansiedade, segundo a pesquisadora portuguesa Cristina Ponte.

Professora da Universidade Nova de Lisboa, Cristina visitou Fortaleza e divulgou uma pesquisa que envolve crianças e adolescentes (9 a 16 anos) e o acesso à internet. Em entrevista ao Tribuna do Ceará, ela ressalta que, no Brasil, 78% do público dessa faixa etária tem perfil social, porém 82% estão conectadas.

O curioso é que ao mesmo tempo em que crianças e adolescentes brasileiros (72%) utilizam mais o PC, a máquina de computador, a maioria acessa a internet por meio de pacotes de dados (40%). A utilização de 3G, segundo Cristina, se deve ao valor cobrado – na Europa é bem mais caro – e a infraestrutura pouco desenvolvida, já que não faltam equipamentos para a propagação do Wifi.

“O Brasil é mais semelhante a Romênia, porque também tem problemas de infraestrutura e tem meninos vivendo intensamente as redes sociais. A questão cultural é uma hipótese. Eles gostam das redes sociais como um espaço de apresentação de si para os outros, de ser popular. A preocupação com curtidas é muito forte, preocupação com o corpo, com a maneira como se apresentam”, explicou.

Pesquisa revelou que brasileiros estão mais conectados por causa da compra de pacote de dados (FOTO: Hayanne Narlla/ Tribuna do Ceará)

Pesquisa revelou que brasileiros estão mais conectados por causa da compra de pacote de dados (FOTO: Hayanne Narlla/ Tribuna do Ceará)

Riscos

A internet pode render um espaço de maior sociabilidade para crianças e adolescentes. Entretanto, com a enorme quantidade de pessoas e assuntos, esse público fica mais vulnerável aos riscos, como acesso à pornografia, à apologia a violência ou contato com possíveis criminosos.

“Mas saber desses risco pode ajudá-las a aprender a lidar com isso. A internet traz riscos, mas podem virar oportunidades para que as crianças adquiram mais informação”, enfatizou. 

Essas informações devem ser repassadas pelos pais e sociedade em geral. Quando não se discute sobre o tema, as crianças podem estar ainda mais vulneráveis aos fatores de risco. Por isso, deve-se conversar sobre internet e redes sociais em casa e na escola.

Pesquisa local

Em Fortaleza, um grupo de pesquisa realiza estudos sobre crianças e adolescentes em parceria com Cristina Ponte. O Grupo de Pesquisa da Relação Infância, Adolescência e Mídia (Grim) foi criado com propósito de aprofundar referenciais teórico-metodológicos e desenvolver pesquisas que permitam compreender os processos comunicativos contemporâneos no campo da comunicação midiática com o foco na infância e juventude.